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Centre for Reviews and Dissemination (University of York) Hits: 1

estarmos a lidar com fragmentos de cerâmicas finas tardo-antigas, norte-africanas e orientais, cujo contexto estratigráfico de exumação é conhecido através das suas marcações. Não quer isto dizer, note-se, que exista uma estratigrafia coerente no Bairro da Alcáçova, uma vez que já frisámos que alguns estratos não corresponderão originalmente àquele arqueossítio (camadas 1a e 1b) e também porque os níveis mais inferiores (camadas 2b, 3a, 3b, 4a, 4b e 4c) se encontram grandemente desprovidos de materiais tardios; por outro lado, não se conhecem as relações estratigráficas entre essas unidades de escavação de menor tamanho, bem como a presença ou ausência de peças

muçulmanas, o que impossibilita qualquer interpretação segura.

Deste modo, o recurso às datações tipológicas foi a nossa única opção, tendo bem ciente que esse rumo de investigação não se coaduna com os nossos objectivos ideais e que não faz justiça ao arqueossítio, que é de descarte e se encontra numa área económica que apresenta já um severo recuo na complexidade e abrangência territorial das rotas comerciais – veja-se o caso do actual concelho de Alcoutim, já apresentado. Nunca é demais recordar que se trata de uma análise probabilística da importação, tendo em conta essas mesmas datações tipológicas, obtidas em centros produtores e em locais de consumo localizados no Mediterrâneo Central e Oriental.

Devemos também referir que, ao contrário do que foi feito noutros sítios estudados nesta mesma tese, a utilização do NMI dependeu, em larga medida, dos estratos em que as peças se encontravam. Não houve problema, por exemplo, em aplicar esta metodologia às camadas 1a e 1b conjuntamente, uma vez que provaram ser o mesmo nível estratigráfico. Já em relação às restantes camadas e aos contextos, considerámos mais correcto juntarem-se bordos e fundos por unidade de escavação.

No que à TSAf D diz respeito, o século V inicia-se com a presença de formas que já eram produzidas desde a década de 320 – Hayes 59; Hayes 59/65; Hayes 61A; Hayes 65 –, mas também com um tipo Hayes 67, similis, cujo fabrico pode ter começado na segunda metade do século IV, e com as formas Hayes 64 e Hayes 67B, manufacturadas desde finais do século IV. Juntam-se a estas outros morfotipos cuja manufactura começou no início do século V: Hayes 61A/B1, Hayes 61A/B2, Hayes 61A/B3, Hayes 61B1 ou B2, Hayes 78, Hayes 91A, Hayes 91A/B e Hayes 91/92.

Na década de 420, as formas que provinham do século IV vão deixar de ser produzidas. Apenas Hayes 67B se mantém, até meados do século V. Muito embora se introduzam novos tipos, como Hayes 73 e Hayes 76 – que aparece a meio daquele decénio –, as quantidades de peças importadas reduzem-se significativamente entre c. 420 e c. 480, não obstante uma pequena recuperação entre c. 430 e c. 450, sem grande expressividade – período em que ocorre Hayes 92, com apenas um indivíduo. Nesta última data, todas as variantes Hayes 61A/B, Hayes 61B1 ou B2 e as formas Hayes 64 e Hayes 67B deixam de ser produzidas e importadas. Entram no repertório, embora sem a mesma representatividade, as formas Hayes 67C, Hayes 76, variante Sidi Jdidi 3B, Hayes 81B, Hayes 87A1 e Hayes 12/102, que não vão contrariar o declínio. As formas Hayes 73 e Hayes 76 desaparecem c. 475. Mais uma vez, é a introdução da TSFT (c.

450) que vai atenuar em grande medida a quebra de peças norte-africanas, constituindo a década de 460 um período de apogeu para aquelas cerâmicas orientais.

Na década de 480, todavia, assiste-se a um enorme aumento probabilístico de importação de peças de TSAf D, com valores que mais do que duplicam os registados para o decénio anterior, na estratigrafia do Bairro da Alcáçova. As formas que impõem estes altos valores são, essencialmente, Hayes 99A, Hayes 99A/B e Hayes 104A1, apoiadas pelas altas quantidades de Hayes 91A/B, que se mantêm. Desempenhando um papel menor neste crescimento estão as formas Hayes 86, Hayes 87A/88, Hayes 94B, Hayes 98A/B, Hayes 103A e Hayes 104A1 ou A2, que começam também a ser produzidas em torno a c. 480. A década de 490 assistiu à introdução de novas formas, sendo que nenhuma das que iniciaram a sua produção no decénio anterior desapareceram. Surgiram, assim, novos tipos como Hayes 91B tardio, Hayes 91B tardio/91C, e Hayes 97.

A viragem para o século VI vê desaparecer as formas Hayes 67C e Hayes 67, similis, Hayes 76, variante Sidi Jdidi 3B, Hayes 78, Hayes 81B e Hayes 87A1. Em seu lugar e em maiores quantidades, surgem as formas Hayes 87B, Hayes 91C, Hayes 93B e Hayes 103B. Todos os outros morfotipos se mantêm, ainda encabeçados, em termos quantitativos, pelas formas Hayes 99A e Hayes 104A1. O período de apogeu da importação da TSAf D exumada da estratigrafia do Bairro da Alcáçova, iniciado c. 480, continua e irá prolongar-se até ao final da década de 510.

Por volta de 520, dá-se um decréscimo bastante abrupto de importação, só amenizado pelas grandes quantidades de peças que continuam, ainda, a superar largamente as registadas ao longo do século V. Deixam de ser produzidas e compradas as formas Hayes 86, Hayes 87B, Hayes 87A/88, Hayes 94B e Hayes 12/102. Em contrapartida, introduz-se, c. 525, a forma Hayes 88A, escassamente distribuída, a variante Hayes 104A2, com boas quantidades de peças – reduzindo o declínio –, e a variante Hayes 99B, muito mal representada. O descréscimo torna-se, contudo, mais evidente quando as formas Hayes 91A/B e Hayes 104A1 deixam de ser manufacturadas e importadas, na década de 530. No decénio de 540, deixa de se produzir a forma Hayes 93B. A partir daí e até c. 550, tudo se mantém ainda em níveis superiores aos do século V, embora se possa entrever um declínio respeitável no que respeita aos valores registados nas primeiras décadas do século VI.

abrupta, que registará níveis probabilísticos muito fracos, inferiores aos verificados entre c. 420 e c. 480. Cessa o fabrico das formas Hayes 88A, Hayes 91B tardia, Hayes 97, Hayes 98A/B, Hayes 99A, Hayes 104A2 e Fulford 52, ao passo que se introduz Hayes 104C e Atlante, XLVI, 5, ambas com apenas um indivíduo. No final do terceiro quartel do século VI, as formas Hayes 103A e B deixam de ser fabricadas. Por volta de 580, introduz-se um exemplar do subtipo Hayes 99C e outro da variante Hayes 105A, mas o declínio acentua-se ainda mais.

É razoável pensar-se, olhando para o quadro potencial de importações que atrás elaborámos, que a entrada de peças de TSAf D no conjunto com estratigrafia do Bairro da Alcáçova não tenha ocorrido após o final do século VI, mesmo se as formas Hayes 99B, Hayes 99C, Hayes 104C e Hayes 105A, todas representadas por apenas um fragmento cada, atingem pelo menos os inícios do século VII, em termos de probabilidades de produção.

Relativamente à TSAf C5, apenas ocorre um fragmento de Hayes 84, produzido entre c. 440 e c. 500.

No que diz respeito à TSFT, esta introduz-se no conjunto em questão c. 450/460, com as variantes Hayes 3B, 3C e a forma Hayes 8. Trata-se do período de apogeu destas cerâmicas finas orientais, na estratigrafia do Bairro da Alcáçova, com o domínio da forma Hayes 3C, produzida até c. 475. Depois de um pequeno decréscimo de importação com a forma Hayes 3E, no último quartel do século V, a TSFT aumenta novamente as probabilidades de importação com a entrada, c. 500, das variantes Hayes 3F e 3G, que deixam de ser produzidas c. 525.