2. Interbank systems
2.4 Central counterparties
Face aos objetivos que este trabalho se propõe concretizar, o principal enfoque metodológico tem por base uma análise de natureza qualitativa e compreensiva, através da entrevista, aprofundando o estudo de carácter quantitativo, assente na análise de dados sobre os inscritos e os diplomados no 3º ciclo do ensino superior, na população portuguesa em geral e no ISCTE- IUL em particular, efetuada no capítulo anterior.
Esta opção metodológica permite o desenvolvimento de uma análise em profundidade das lógicas individuais, fundamentada na trajetória social, escolar e profissional, na experiência vivida pelos doutorandos em situação de abandono escolar, nas suas motivações e expetativas.
São múltiplas as vantagens geralmente associadas às metodologias de cariz compreensivo, desde as de
…ordem epistemológica, na medida em que os actores são considerados indispensáveis para entender os comportamentos sociais; de ordem ética e política, pois permitem aprofundar as contradições e os dilemas que atravessam a sociedade concreta; e de ordem metodológica, como instrumento privilegiado de análise das experiências e do sentido da ação. (Guerra, 2006: 10).
O percurso metodológico deste trabalho percorreu algumas etapas fundamentais que passarão a descrever-se. Desde logo, a recolha e análise bibliográfica sobre as temáticas centrais para a elaboração do trabalho: ensino superior; abandono escolar; mobilidade social
intergeracional; bem como a análise estatística que sustenta essas temáticas, com a análise e interpretação de indicadores estatísticos de fontes como o Instituto Nacional de Estatística e a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, fundamentais para enquadrar a problemática e construção do guião de entrevista.
Seguiram-se os contactos com os diretores dos doutoramentos, que facilitaram o contacto com os alunos entrevistados, os quais se disponibilizaram também a interceder junto de outros colegas para a obtenção de mais entrevistas. De referir a grande disponibilidade dos entrevistados para a realização das entrevistas num curto espaço de tempo, sem os quais o trabalho que agora se apresenta não teria sido possível.
Posteriormente realizaram-se as entrevistas semidiretivas aos alunos que reuniam as condições para este estudo, ou seja, alunos que abandonaram/interromperam o 3.ºciclo de estudos no ensino superior no ISCTE-IUL há pelo menos um ano. Esta técnica permitiu investigar um conjunto de dimensões previamente delimitadas, dando alguma margem de liberdade aos entrevistados para abordarem outras questões que entendessem pertinentes, outros problemas e domínios não contemplados no guião de entrevista. Para isso, foi fundamental estabelecer uma relação de confiança entre entrevistador/entrevistado. Este pressuposto é, de resto, crucial para o bom desenvolvimento desta metodologia de investigação. Como refere Guerra (2006: 52),
Há, no entanto, nestas como noutras posturas de pesquisa, que assegurar princípios de estabelecimento de uma relação de confiança, como a clareza de ideias para poder transmitir os objectivos do trabalho, a neutralidade face a juízos de valor, o envolvimento dos próprios na pesquisa e, sempre que possível, a devolução dos resultados, etc. (…) pelo que se revelam fundamentais as capacidades de empatia e de interação humana.
Por último, a análise dos conteúdos das entrevistas. Para tal, recorreu-se à análise de conteúdo categorial/temática, técnica que permite apreender e compreender eficazmente a racionalidade e intencionalidade dos alunos entrevistados. Nas palavras de Almeida e Madureira (1990: 96), esta técnica “…procura agrupar significações, e não vocábulos, e é, em princípio, aplicável a todos os materiais significantes, a todas as «comunicações» não se acantonando aos textos escritos”. Ou seja, para além da descrição e da narrativa que os entrevistados fornecem, esta técnica compreende igualmente uma dimensão interpretativa por parte do investigador, assente no questionamento que faz sobre o que está a analisar.
Quadro 1 – Dimensões e componentes do guião de entrevista
Dimensão Componentes SOCIODEMOGRÁFICA E
TRAJETÓRIA ESCOLAR
Indicadores sociodemográficos Trajetória e desempenho escolar Relação com a família
LABORAL Situação profissional
Conciliação trabalho /estudo e vida familiar
FORMATIVO
Pedagógico – Docentes Pedagógico – Curricular Relação com os colegas Extracurricular Equipamentos/serviços
ABANDONO Razões do abandono
Impactos/implicações do abandono
A seleção dos entrevistados obedeceu ao critério da diversidade, por forma a assegurar alguma heterogeneidade das pessoas – em termos etários, profissionais, dos cursos frequentados – e do fenómeno que se pretende analisar. Este tipo de trabalho, ainda que não tenha por objetivo inferir para o universo das situações de abandono no ISCTE-IUL, pretende dar conta da maior diversidade possível de situações do fenómeno em causa para melhor retratar a realidade do abandono no 3º ciclo de estudos do ensino superior.
Inicialmente equacionou-se alargar a amostra aos alunos em situação de abandono de várias escolas do ISCTE-IUL, mas por questões de constrangimentos temporais tal não foi possível. Assim, para analisar o abandono escolar no 3º ciclo do ensino superior no ISCTE-IUL optou-se pela Escola de Sociologia e Políticas Públicas. Foi realizado um total de catorze entrevistas, durante os meses de agosto e setembro, cuja gravação em suporte magnético e transcrição na íntegra, obedeceram a solicitação e autorização prévia por parte dos entrevistados.
Este estudo de caso assume um carácter exploratório, com recurso a uma metodologia predominantemente qualitativa, de modo a abrir pistas de investigação para estudos posteriores sobre o fenómeno do abandono no ensino superior em Portugal.