Supplemental Literature Cited
26. Centers for Disease Control and Prevention. Second National Report on Biochemical Indicators of Diet and Nutrition in the U.S
As intervenções no domínio da reabilitação e/ou reforço de Obras de Arte em alvenaria de pedra devem ser realizadas procurando garantir a estabilidade estrutural dos elementos afectados sem descaracterizar a arquitectura da obra. Este cuidado deve ser acrescido no caso de se tratarem de pontes históricas, em que é fundamental preservar o seu valor estético e histórico.
A reabilitação das estruturas em alvenaria deve contemplar a avaliação do seu estado de segurança tendo em vista a eventual adopção de medidas correctivas e preventivas. As soluções escolhidas devem procurar respeitar as técnicas empregues durante a construção original, o que se aplica, sempre que possível, também na escolha dos materiais utilizados.
As técnicas que serão apresentadas representam algumas possibilidades de intervenção, devendo sempre ser adaptadas a cada caso real.
Refechamento das juntas da alvenaria
Esta técnica pretende restaurar as condições de integridade dos elementos, através da substituição das argamassas degradadas nas juntas e/ou colocação da argamassa onde ela não existe. O refechamento de juntas pretende restituir as características mecânicas dos elementos e impedir a entrada da água, que é um dos principais factores de degradação deste tipo de estruturas.
Para a boa execução desta técnica devem ser realizadas as seguintes operações: remoção parcial da argamassa degradada das juntas, lavagem das juntas abertas com água e reposição da argamassa nova nas juntas.
A escolha correcta da argamassa a utilizar é fundamental, sendo recomendável utilizar argamassas pouco retrácteis, de preferência à base de cal hidráulica e areia. As argamassas de cimento devem ser evitadas, porque em geral tornam as juntas extremamente coesas, originando por vezes a fractura das pedras.
Atirantamento dos tímpanos e arcos (tirantes, pregagens)
A melhoria do comportamento transversal entre paramentos pode ser conseguida pelo atirantamento dos arcos ou muros, através da introdução de barras de aço, permitindo controlar os seus movimentos laterais.
Esta solução de reforço é aplicada em pontes que apresentem deslocamentos transversais e/ou deformações e tem como finalidade garantir um confinamento transversal dos elementos
estruturais, melhorando as suas características mecânicas e a sua segurança face à acção sísmica.
O reforço da estrutura consiste em introduzir barras de aço (tirantes transversais) dotadas de dispositivos nas extremidades que permitam a sua amarração nas faces exteriores dos paramentos. Após o posicionamento dos reforços, os furos são selados com caldas de injecção. Para se evitar problemas de corrosão, é usual recorrer-se à utilização de tirantes em aço inoxidável.
a) b) c)
Fig. 4.10 – Reforço do arco com tirantes: a) alçado; b) corte transversal: pormenor do furo; c) exemplo (Ponte Candeeira, EP 2008).
No caso de se utilizarem pregagens com gatos metálicos, os tirantes devem ser posicionados, em furos transversais, com uma das extremidades dobrada sobre ranhura superficial aberta na face da pedra, a dobra da extremidade oposta, de execução mais difícil, é realizada in-situ, com o tirante já posicionado na obra e só após serem seladas as ranhuras (Roque 2002).
Fig. 4.11 – Reforço do arco com gatos metálicos (Ponte Dom Zameiro, EP 2008).
Injecções
As injecções são uma técnica de melhoramento e consolidação, muitas vezes associada à realização de pregagens ou atirantamentos, mas que também é muito utilizada no preenchimento de vazios no interior da estrutura (ex: cofres) e/ou selagem de fendas existentes.
Tubos de injecção Remoção do reboco Tubos de injecção Tubos de injecção a) b)
Esta técnica consiste em injectar, através de furos previamente realizados, caldas e destina-se essencialmente, a melhorar as características mecânicas das alvenarias de pedra. As caldas a utilizar deverão ser de composição compatível com os materiais existentes. A definição da composição da calda deverá ter em consideração a sua fluidez e capacidade de penetração, e nem sempre é uma tarefa simples, pois depende de inúmeros parâmetros, tais como a granulometria dos agregados, composição química, porosidade capacidade de absorção dps materiais existentes, percentagem de vazios, dimensão e grau de comunicação entre os vazios, etc.
a) b)
Fig. 4.13 – Reforço do enchimento do encontro: a) furo: b) execução da injecção por gravidade (Ponte Meinedo, EP 2009)
A execução das injecções pode ser efectuada sob pressão ou por gravidade (Fig. 4.13). A diferença entre as soluções depende, da degradação da alvenaria e da sua capacidade para conter a pressão das injecções e das características da calda a utilizar.
Impermeabilização do tabuleiro
A presença de água é uma das principais causas do aparecimento de patologias nas pontes em alvenaria, devendo sempre que possível ser minimizada a sua presença. Uma das técnicas para evitar a saturação do material de enchimento, consiste na colocação de uma tela de impermeabilização sobre a camada de material de enchimento da ponte, que em conjunto com um sistema adequado de drenagem, permitirá evitar as infiltrações de água.
Fig. 4.14 – Impermeabilização do tabuleiro (Ponte Meinedo, EP 2009)
Colocação de boeiros nos muros para drenagem do material de enchimento
A colocação de boeiros é outra das técnicas que tem como finalidade fazer com que a água existente no material de enchimento escoe para o exterior, permitindo deste modo reduzir os
impulsos horizontais sobre os muros tímpano ou avenida e evitar a degradação dos materiais pela presença prolongada de água.
Consolidação e reforço das fundações
Nos trabalhos de reforço de fundações, os materiais e técnicas usualmente empregues são as injecções, atirantamentos, pregagens, execução de microestacas, construção de uma cortina de estacas em torno do pilar, execução de enrocamento em torno da base do pilar, substituição do solo de fundação por betão, etc..
As técnicas de consolidação ou reforço das fundações permitem dotar as obras de melhores condições de resistência face às acções de abrasão provocadas pelos caudais excessivos em alturas de cheia, eliminar possíveis assentamentos diferenciais de pilares e encontros e proteger as fundações de qualquer fenómeno localizado de infra-escavação. Várias técnicas poderão ser utilizadas, no entanto deverão sempre ter em consideração o valor histórico da obra a reabilitar, de modo a evitar a sua descaracterização estética e patrimonial.
Desmonte e reconstrução
Normalmente só se recorre a esta técnica em elementos que sofreram ruína e que é necessário voltar a reconstrui-los, mas também pode ser utilizada para corrigir problemas associados a fendilhações, deformações procurando melhorar a capacidade mecânica das alvenarias.
Quer se trate de uma situação de ruína ou não, durante o seu desmonte deverão ser numeradas as pedras, e quando não é possível recuperar as pedras antigas, devem-se procurar utilizar pedras do mesmo tipo de material, de preferência com a mesma textura e coloração.
a) b)
Fig. 4.15 – Reconstrução de elementos estruturais: a) numeração e desmonte das pedras; b) reconstrução do muro (Ponte Dom Zameiro, EP 2008)
Todo este procedimento deve ser realizado só depois de a estrutura se encontrar devidamente escorada. A reconstrução deverá ser realizada tendo em consideração a geometria original do elemento estrutural e após a sua numeração. O refechamento das juntas deve ter em consideração a utilização de uma argamassa à base de cal hidráulica, de preferência que tenha a mesma tonalidade da alvenaria de pedra.