II- Les cancers
4- La cellule cancéreuse
A relevância da Cultura para o desenvolvimento da sociedade, que acaba por inseri-la como inerente ao trabalho das universidades, afirma-se, entre outras coisas, pela sua capacidade de impactar a economia local. Tais questões são sustentadas por autores como Valiati e Fialho (2017) e Reis (2007), sendo consolidada na estruturação de inúmeras políticas públicas, com o PNC (BRASIL, 2013a) e na articulação entre o Minc e o MEC, que culminou na elaboração de projetos como o
Programa Mais Cultura nas Escolas; Agentes de Leitura Mais Educação; Formação continuada para professores de artes, entre outros (CERRETI, 2014).
Sendo a cultura uma mediação simbólica, que pode ser expressa de diferentes formas (ROSA, 2009), o impacto desse setor no desenvolvimento sustentável depende do zelo que a sociedade tem com a preservação e a promoção de seus costumes, crenças e ações artístico-culturais. Tal promoção pode acontecer por intermédio de intervenções públicas ou privadas, principalmente por apoio aos que atuam diretamente no setor. Nessa área estão inseridos diferentes agentes do campo cultural, como os artistas. Por isso, para Reis (2007, p. 95) “assim como em qualquer outra profissão, para que um artista possa se dedicar ao seu trabalho, é preciso que este lhe ofereça condições mínimas de sobrevivência”. O autor lembra ainda que garantir condições para a atuação desses profissionais deve ser pauta constante das políticas públicas (REIS, 2007).
Em Governador Valadares há um número expressivo de artistas que atuam de forma autodidata e dividem o tempo entre o trabalho na área cultural e outra profissão. A situação da cidade é reflexo do cenário nacional, uma vez que muitos trabalhadores culturais desempenham uma segunda atividade para obter renda suplementar (REIS, 2007, p. 107). Cunha (2013) lembra que os avanços e as exigências de profissionalização feitas ao campo de produção cultural não permitem mais espaço para o autodidatismo. Talvez isso explique a carência do cenário cultural valadarense, no qual os profissionais da cultura, ocupados com outras inúmeras ações, não conseguem priorizar a formação, a participação no debate público e o trabalho no campo artístico.
Tendo sido diagnosticado entre os gestores que a articulação entre a UFJF- GV e as instituições da cidade, em especial os grupos culturais, ainda é incipiente, é proposto no PAE uma ação que visa promover o diálogo entre a universidade e os projetos locais, através da formação dos artistas locais em diversas frentes. Apesar do campus avançado apresentar pouca estrutura e profissionais que possam atuar diretamente na capacitação dos artistas da cidade, a UFJF como um todo, devido o seu histórico de atuação no campo cultural e no desenvolvimento dos trabalhos do IAD, apresenta um número expressivo de servidores e funcionários que podem contribuir no processo de formação da comunidade artística de Governador Valadares.
Propõe-se que a formação dos artistas aconteça através de minicursos, whorkshops, palestras e oficinas gratuitas oferecidas pela UFJF-GV. Os encontros poderão ser ministrados por professores e TAE da UFJF-GV, que tenham conhecimento em questões específicas sobre gestão de projetos; marketing e leis de incentivo, por exemplo, e também com parceria prévia com a Procult e o IAD, do campus sede, através dos profissionais da universidade que atuam nas áreas de curadoria, restauro, música, moda, artes visuais e cinema.
Os eventos formativos serão conduzidos pelo setor de CCE do campus avançado. Para iniciar os trabalhos serão avaliadas, no primeiro semestre de 2019, junto à Procult e ao IAD as áreas de atuação dos setores, para que possam ser definidas as ações passíveis de intercâmbio com Governador Valadares. Após essa definição, será proposto um projeto de formação dos artistas de GV junto à Direção do Campus e à Procult. Para o primeiro ano de trabalho, por exemplo, o projeto poderá contemplar quatro ações, sendo duas voltadas para a área de gestão de projetos, oferecidas pelo ICSA, como leis de incentivo e precificação de serviços, e duas voltadas para a área de formação artística, oferecidas pela Procult e IAD, como dança e música. Com a aprovação pelos gestores, o documento deve ser encaminhado para o Consu, que deve solicitar o pedido do recurso para o pagamento da logística e dos materiais a serem utilizados nas ações em Governador Valadares.
Após aprovação do Consu, o CCE inicia uma pesquisa no primeiro semestre de 2020, utilizando o Google Formulários, para diagnosticar as principais demandas de formação no campo cultural, dentro das possibilidades da universidade. Esse formulário será aberto para toda a comunidade externa, em especial para os projetos e grupos culturais. Para maior alcance aos profissionais, será utilizada a rede de contatos do Conselho de Políticas Culturais, da Secretaria de Cultura, Esporte, Lazer e Juventude e também por outros parceiros da universidade. O formulário deve contemplar perguntas que auxiliem o campus avançado a criar um banco de dados sobre a área cultural da cidade.
Depois de identificadas as demandas, o setor de CCE irá estruturar uma agenda de atividades formativas, juntamente com os servidores da UFJF-GV, a Procult e o IAD. A agenda será pensada de forma semestral, sendo aplicada a partir do segundo semestre de 2020. É interessante que as atividades aconteçam sempre em períodos de recesso e férias acadêmicas, podendo, dessa forma, os
profissionais envolvidos nas atividades se deslocarem com mais tranquilidade para a efetivação das ações.
Quadro 10 – Abertura de diálogo entre a universidade e os projetos locais
O quê? Abertura de diálogo entre a universidade e os projetos locais.
Por quê? Durante as entrevistas com os gestores foi diagnosticado que a relação entre
a UFJF-GV e as instituições de Governador Valadares é incipiente, em especial os projetos culturais. Ciente de que o desenvolvimento do setor cultural local é positivo para a universidade e que, a efetivação de parcerias é
importante para funcionamento da instituição, abre-se a possiblidade do
campus avançado contribuir para a formação dos projetos e grupos de
Governador Valadares.
Quem? A articulação será feita pelo CCE, tendo parceiros como o ICSA da UFJF-GV; a Procult e o IAD (campus sede).
Como? A CCE define junto aos professores da UFJF-GV, a Procult e o IAD (campus sede) as ações que podem ser realizadas em GV. Depois disso, o CCE realiza diagnóstico virtual sobre as demandas de formação na área cultural,
junto à comunidade externa. Realizado esse diagnóstico, é criado um cronograma de atividades formativas e aberto o calendário para a
comunidade.
Onde? Sede administrativa e espaços de parceiros.
Quando? *Alinhamento sobre o projeto entre a CCE, ICSA, a Procult e o IAD - primeiro
semestre de 2019.
*Envio e aprovação pelo Consu - segundo semestre de 2019. *Diagnóstico de demanda junto aos artistas e grupos culturais – primeiro
semestre 2020.
*Efetivação das atividades – segundo semestre de 2020.
Quanto? Para a definição das atividades e diagnóstico não serão necessários recursos
financeiros, apenas as horas de trabalho dos servidores da UFJF-GV, ICSA, Procult e IAD. Para a efetivação das atividades, propõe-se a utilização dos recursos de Sistema de Concessão de Diárias e Passagens (SCDP). Para a efetivação de um encontro de formação de três dias, estima-se o valor de R$
1.160 (mil, cento e sessenta reais), contemplados o transporte de ônibus, a utilização de taxi e quatro dias e meio de hospedagem e alimentação. Fonte: Quadro elaborado pela autora.
Algumas ações propostas poderão ser disponibilizadas também à comunidade acadêmica, dando oportunidade para que o público interno participe dos processos de formação, contribuindo em um melhor intercâmbio entre a UFJF- GV e a comunidade valadarense. Em contrapartida às oficinas, os artistas locais, por intermédio do CCE, realizarão pequenas intervenções culturais dentro da universidade, ampliando, com isso, o acesso dos estudantes aos projetos realizados pelos grupos de Governador Valadares. Espera-se que, a partir de uma avaliação positiva dos projetos propostos com recursos da universidade, possa-se solicitar, depois de um ano, recursos de agências externas para ampliação do trabalho realizado.