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Cellular effects of fluorodeoxyglucose: Global changes in the lipidome and alteration in intracellular transport alteration in intracellular transport

In document Membrane dynamics in cancer cells (sider 43-82)

Na altura em que a RAS tentava implementar o seu projecto de Constelação de Estados, a transição no Zimbabwe estava no auge. Para os sul-africanos, assim como para a GB e os EUA, era óbvio que Ian Smith não se poderia manter no poder. Assim sendo, a aposta era nos líderes negros moderados de maneira a evitar a subida ao poder dos grupos mais radicais, como a ZANU de Robert Mugabe. Para os sul-africanos, assim como para os britânicos, o ideal era que o futuro governo saísse de uma aliança entre Abel Muzorewa e Joshua Nkomo225. Um Zimbabwe moderado, liderado por Muzorewa, estaria disposto a aderir à

Constelação de Estados, o que provocaria um efeito de arrastamento, com outros Estados a seguirem o mesmo exemplo.

Se a aposta no Zimbabwe fosse ganha, também na Namíbia, poderia a RAS tentar aplicar o mesmo modelo, ou seja, apostar nos moderados para excluir os radicais, a SWAPO, do poder e manter o território na esfera de influência sul-africana.

Em finais dos anos 70, a situação na Rodésia tinha-se degradado bastante, com o poder da minoria branca totalmente isolado. Este ambiente permitiu à GB, formalmente a potência administrante do território, tentar encontrar uma solução diplomática para a questão. Para tal, o novo governo britânico, liderado por Margaret Thatcher, convocou, em Setembro de 1979, todas as partes envolvidas para uma Conferência em Londres.

A Conferência de Lancaster House226 reuniu a GB, a ZANU, a ZAPU, os líderes moderados

negros, uma representação do partido branco, a Frente Rodesiana, e os ELF. Tanto Smith como Muzorewa, estavam convencidos que o radicalismo dos movimentos de libertação

224 Robert M. Price: Pretoria’s Southern Africa Strategy, p. 15.

225 Peter Stiff: Cry Zimbabwe. Independence – Twenty Years On, p. 22. 226 Nome do edifício onde decorreram as negociações em Londres.

fariam fracassar a Conferência, o que implicaria o cumprimento da ameaça britânica de reconhecer o governo saído do Acordo Interno227.

Para além desta ameaça, também a pressão dos ELF, permitiu a flexibilização da posição dos movimentos externos, nomeadamente da ZANU. O próprio líder da ZANU, Robert Mugabe reconheceu a pressão exercida pelos ELF no sentido de moderarem as suas posições228:

Foram Nyerere, Kaunda e Machel, que nos persuadiram a ir a Lancaster House. Eles até nos advertiram para não assumirmos posições inflexíveis, tais como rejeitar a inclusão das forças rodesianas no novo exército.

A importância desta posição dos ELF prendia-se com o facto de serem grandes apoiantes da ZANU e da ZAPU, o que implicou que alguns deles, nomeadamente Moçambique e a Zâmbia, sofressem represálias por parte do regime rodesiano.

Esta dupla ameaça sobre os movimentos de libertação, aliada à convicção por parte de Ian Smith que os moderados iriam ganhar as eleições, permitiu a assinatura, a 21 de Dezembro de 1979, do Acordo de Lancaster House.

Embora a questão da transferência de poderes tenha ficado assente, muitas outras questões, como a questão da posse da terra, viram a sua resolução adiada. Durante um período de 10 anos a questão da posse da terra não podia ser alterada, a não ser pela venda voluntária da mesma pelos seus donos. Voltaremos a esta questão mais tarde, quando falarmos do processo de transição sul-africano.

A intervenção da África do Sul em todo este processo teve por base as eventuais consequências que o agravamento da situação na Rodésia/Zimbabwe poderia ter para o regime sul-africano. Após a conclusão do Acordo Interno na Rodésia, e com a não resolução do conflito, a África do Sul quis ver-se livre de Ian Smith, pressionando o regime rodesiano a chegar a uma solução com os líderes negros moderados. Pretória temia que o agravamento do conflito na Rodésia pudesse promover a sua internacionalização, com a vinda de mais conselheiros, material militar e até forças militares do bloco soviético para a região. Para evitar isso, era preciso afastar rapidamente Smith, que era visto como um radical. A capacidade de pressão da RAS sobre o regime de Smith era enorme, pois representava a única fronteira amigável que o regime de Salisbúria possuía.

227 Face ao fracasso das iniciativas diplomáticas, Smith tinha conseguido celebrar, em Março de 1978, um Acordo entre a minoria branca e os líderes negros moderados, United African National Council (UANC) de Abel Muzorewa; Zimbabwe United People’s Organisation (ZUPO) de Jeremias Chirau e a ZANU interna de Ndabaningi Sithole, uma dissidência da ZANUde Mugabe. No cumprimento deste Acordo, realizaram- se eleições em 1979, às quais apenas concorreram os movimentos legais, ou seja, ZANU e ZAPU estavam excluídos. A vitória coube ao UANC de Muzorewa. Apesar destas eleições darem a ideia de que a regra da maioria, defendida pelos britânicos como base para as suas descolonizações, estar a ser cumprida, a verdade é que a minoria branca continuava a controlar a gestão do estado.

M. Tamarkin: The Making of Zimbabwe. Decolonization in Regional and International Politics, pp. 171- 210.

Smith apercebendo-se do afastamento sul-africano, tentou evitar, gradualmente, ser pressionado por Pretória. Os sul-africanos tentaram primeiro seduzir Smith, através de Pik Botha, para que este se retirasse. Fracassada essa iniciativa, Pretória minou o poder de Smith através de contactos com outros membros da Frente Rodesiana, com o objectivo de marginalizar Smith229.

Apesar das esperanças sul-africanas, toda a suas expectativas em relação às eleições no Zimbabwe saíram frustradas. A ZANU e Robert Mugabe foram os grandes vencedores das eleições de 29 de Fevereiro de 1980. Muzorewa e o seu partido, a UANC, sofreram uma pesada derrota230. O novo poder de Harare, nova designação de Salisbúria, anunciou desde

logo a sua intenção de aderir aos ELF, ao mesmo tempo que rejeitou a hipótese de aderir à Constelação de Estados. Paralelamente, Mugabe anunciou a intenção do Zimbabwe passar a apoiar os movimentos de libertação sul-africanos.

Este acontecimento significou um duro golpe para os sul-africanos e para o seu projecto de Constelação de Estados. Porém, o golpe final nas esperanças sul-africanas, de formalizar a dependência económica dos países da região em relação à sua economia, foi dado, a 1 de Abril de 1980, com a criação da Southern African Development Coordination Conference (SADCC).

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