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Em Tiradentes existem diversas manifestações folclóricas, mas ao longo dos anos, com a influência do turismo, estão sendo modificadas, como por exemplo, o Carnaval e a Semana Santa, que serão abordados ulteriormente.

Das manifestações existentes em Tiradentes, pode-se citar:

Folia de Reis: formada por grupos que visitam as casas das pessoas, fazendo cantorias religiosas, no período do ciclo de Natal. O dia de Reis é comemorado em 6 de janeiro, quando termina o ciclo.

Pastorinhas: grupo de meninas e meninos que se vestem de pastoras e pastores, também no ciclo de Natal. Saem às ruas cantarolando na porta das casas. O grupo é regido por Ana de Meneses, desde a década de 1990.

Figura 40

Carnaval: o evento sempre foi realizado com a saída de blocos e bandas típicas nas ruas. Hoje executa-se a música mecânica em palcos armados na praça principal, o Largo das Forras, com caixas de som, e os carros de turistas, tocando "música baiana", funck, etc.

Figura 41: turistas na rua dos Inconfidentes

O Carnaval foi sendo modificado ao longo dos anos, pois pessoas de outras localidades foram levando os seus estilos de música e de carnaval para a cidade. Um jovem morador relatou que:

Quando reclamamos do atual estilo do Carnaval, o Prefeito todo ano dá desculpa que não conseguiu contatar nenhuma banda tradicional de Carnaval. Por isso monta um palco na praça para não deixar de ter alguma coisa. Mas isso ele faz para agradar os turistas! (22 de outubro de 2003).

Figura 42: turistas urinando no muro da Igreja de Bom Jesus da Pobreza - Carnaval, 2000.

O Carnaval em Tiradentes vem trazendo outras preocupações aos moradores, no que se refere aos pequenos roubos, mas sobretudo pela falta de

banheiros públicos durante o evento, o que induz a população a urinar em plena rua; além da evidente manutenção da imagem da cidade (leia-se patrimônio arquitetônico) num momento de grande atração de turistas, em que uma parte do núcleo histórico fica fechada ao trânsito de veículos automotores. A falta de sanitários públicos é um dos evidentes problemas existentes no Carnaval de Tiradentes.

Mapa 15 - O Centro Histórico de Tiradentes para o Carnaval de 2003

Folheto do Carnaval de 2003, distribuído aos turistas pela Prefeitura Municipal de Tiradentes.

Semana Santa: apresenta atrativos religiosos, como encenação na sexta-feira, da Crucificação e Descendimento da Cruz, de Jesus Cristo, na frente da matriz, e logo em seguida a Procissão do Enterro. É um evento realizado com muita seriedade e respeito. O vigário e sacerdotes estão sempre presentes e pessoas da comunidade tiradentina representam as figuras bíblicas: Jacó, Moisés, Simeão, Isaías, José, apóstolos (principalmente João Evangelista), Maria, Verônica, Nicodemos, José de Arimatéia, Maria Madalena, Pilatos, entre tantas outras figuras.

a celebração.

Oswaldo GIOVANNINI JR. (2001: 149) citou a Semana Santa como um dos eventos mais importante do calendário de Tiradentes, concentrando o maior número de turistas. Fazendo uma análise sobre as relações entre comunidade local e turista, durante a realização de eventos religiosos, ele relatou:

O nativo de Tiradentes tipicamente professa uma religiosidade tradicional, depositando em igrejas, santos e procissões um significado de caráter absoluto, sagrado. O turista, geralmente originário de cidades grandes, possui razoável poder aquisitivo, vem com certo nível intelectual, e viaja até esses lugares principalmente pelo seu valor histórico e cultural. Assim, surge uma realidade em que símbolos de devoção religiosa podem adquirir outro sentido, o de patrimônio cultural (GIOVANNINI JR., 2001: 153).

O autor argumenta que os eventos religiosos, para alguns turistas, representam uma maneira de adquirir cultura, em que podem conhecer o sagrado através da religião de uma comunidade, mas também pode acontecer o inverso. A motivação faz com que a religiosidade se transforme em atração turística, em função do interesse ser apenas histórico-cultural e não sagrado:

O turismo seguiria a tendência da secularização, focalizando especialmente os rituais como espetáculos, apresentando os eventos como momentos e espaços dessacralizados, ou apela para a fé a importância do sagrado, tendo de fato uma experiência religiosa?

Dizem que a história e religiosidade espreitam o visitante em cada canto; de fato, mas o que garante a condição material de sua expressão são objetos de alcance artístico. Desde a pintura e a escultura barrocas e o rococó das igrejas até as cerimônias religiosas, tudo tem a forma de arte. Fé, emoção estética e razão são colocadas em relação - mito, história e arte são elementos, não só presentes, mas definidores de templos e atos litúrgicos. É na articulação e no diálogo entre o conteúdo mítico, uma interpretação racional e uma experimentação estética, que o conjunto simbólico em questão - culto, imagens, templos - ganha densidade e sentido para turistas e nativo (GIOVANNINI JR., 2001: 155).

homenagens a santos, de Tiradentes, no pensamento de Giovannini Jr., pois muitos turistas vão para a cidade buscando adquirir cultura através da arquitetura local e das cerimônias religiosas.

O turista tem o poder de transformar as tradições folclóricas em atrações que fazem parte dos próprios desejos: um exemplo dessa transformação, em Tiradentes, é o Carnaval atual. Alguns moradores não souberam explicar o motivo de as Pastorinhas e da Folia de Reis não terem saído às ruas em todos os natais nos últimos cinco anos, mas acreditam que o interesse das pessoas por este tipo de folclore esteja desaparecendo com o tempo.

Figura 43: o Descendimento da Cruz, durante a Semana Santa de 1999.

Figura 44: os centuriões romanos na Procissão do Enterro (Semana Santa, 1999)

Teatros e grupos musicais: grupos musicais externos e um teatro de bonecos, vez ou outra apresentam em igrejas e na praça, para turistas. Este teatro de bonecos é representado por um grupo de pessoas que veio de Belo Horizonte, há

cerca de 13 anos, para trabalhar com o turismo.

O mais tradicional grupo musical da cidade é Banda Ramalho, cuja sede está no Sobrado Ramalho, situado na rua da Câmara.

Figuras 45 e 46: o Sobrado dos Ramalho e a rua da Câmara, onde este está localizado.

Nota-se que, com o tempo, as características folclóricas de Tiradentes estão se perdendo. É provável que o turismo tenha influência nisso.