4. GENERAL DISCUSSION
4.4. CEL-MODY: Diabetes secondary to pancreatic exocrine disorder? The search for
Do posicionamento crítico dos assistentes sociais abordados neste estudo sobre o tema de isolamento da pessoa idosa pudemos recolher indícios da:
− necessidade de uma maior intervenção em rede, "acho que na cidade de Lisboa e na forma como as nossas instituições se relacionam, (...) continua a haver muita sobreposição e continua a haver muita informação que não é passada de instituição para instituição, (...)." (EAS1)
− falta de técnicos especializados, "não termos uma equipa mais vasta para termos mais disponibilidade de estar com as pessoas, (...)" (EAS4)
− necessidade de se repensar o conceito de Pessoa Idosa, "(...) os perfis das pessoas estão a mudar, o idoso muito tradicional que nós temos já não existe (...)" (EAS8)
− falta de informação junto das pessoas idosas e das suas famílias, "(...) as respostas que estão à disposição não são do conhecimento dos mesmos e acho que esta falta de informação faz com que as pessoas tenham problemáticas que não conseguem lidar e não procuram resposta nesse sentido (...)" (EAS9)
− diferenciação existente entre contextos socioculturais e comunitários, "(...) existem zonas mais isoladas, mais no interior se calhar este isolamento é provocado pela falta de recursos, pela falta de conhecimento, no caso das zonas mais desenvolvidas, em que há mais respostas temos também algumas dificuldades relativamente, por exemplo, a vagas, pode até haver respostas mas podem não existir vagas para dar resposta, (...)" (EAS10) − necessidade de repensar as respostas sociais, "(...) por muito que façamos a solidão é
ainda um factor muito persistente e que os acompanha e nós por vezes nos sentimos impotentes (...)" (EAS12)
108 − da necessidade de um aumento de intervenção com vista ao atrasar a integração da pessoa idosa em lares, "eu sou a favor que as pessoas fiquem até ao final dos seus dias em casa com as condições especificas e com as condições apropriadas que mantenham a qualidade de vida de cada um, desde que isto seja garantido, (...) cada pessoa tem as suas redes de suporte emocional construiu a sua vida e o seu meio (...)" (EAS2)
− necessidade de um maior trabalho conjunto para um maior equilíbrio nas respostas a oferecer à Pessoa idosa, "(...) eu acho que temos sempre de respeitar as decisões das pessoas, as suas vontades (...) é um malabarismo entre o que as pessoas querem e as instituições podem dar, o que as pessoas podem ainda dar na sua vida. (...)" (EAS5) Como se pode verificar no Gráfico 4.8 a falta de técnicos mais especializados e a necessidade de repensar o conceito de pessoa idosa foram os posicionamentos com duas referências.
G
RÁFICO4.8–P
OSICIONAMENTO CRÍTICO SOBRE O TEMA DE ISOLAMENTO DAS PESSOAS IDOSASFonte: Cálculos próprios
No que se refere à posição dos decisores quanto à relação entre a academia, as políticas públicas e o Serviço Social, são identificadas boas e más práticas, com particular enfase nas limitações (Tabela 4.5). Consideram existir: i) um trabalho de complementaridade entre os três eixos, "o Serviço Social faz aqui um papel de mediação entre as políticas existentes e depois as espectativas e as necessidades das pessoas com quem trabalham, (...) alguns profissionais de Serviço Social estão em alguns fóruns nomeadamente na rede social e fazem interligação com organismos que de alguma maneira, quase de uma forma indireta podem influenciar as políticas públicas na área do envelhecimento e sobretudo na área do isolamento, (...)" (EDP7), ii) um trabalho conjunto, "O isolamento na velhice é um problema complexo que não pode ser pensado numa perspetiva única ou unidirecional. Trata-se de um problema com múltiplas causas e que requer respostas diferenciadas e de diferentes dimensões (...)" (EDP12) e iii) uma atuação de forma a produzir reflexões referentes à realidade e à interdisciplinaridade, "(...) eu penso que este
109 cruzamento entre a prática digamos assim e vamos lá o desenvolvimento teórico destes conceitos (...) cruzam exatamente primeiro com o esforço de conhecer a realidade não é, em todos as atividades que promovem nesse sentido, os fóruns, a reflecção, os congressos, os momentos de partilha e os vários grupos que vão existindo, e já existem alguns para refletir exatamente sobre estas práticas, em que é muito produtivo se tiverem todos presentes, desde os da academia como os da prática também. (...)" (EDP13). Identificam ainda a academia como produtora de conhecimento da realidade, " (...) a academia é essencialmente a instituição do topo social, do topo da sociedade que deve refletir aquilo que são os modelos, as metodologias que permitem assegurar condições para dar respostas com o máximo de competência e qualidade às pessoas, e desse particular, a academia entra na medida em que deve desenvolver trabalho de reflexão e de investigação neste particular, (...)” (EDP11). Como má prática desta relação salientam o afastamento e a falta de adaptação à realidade e as respostas sociais inadaptáveis.
T
ABELA4.5–R
ELAÇÃO ENTRE OS
ERVIÇOS
OCIAL,
A ACADEMIA E AS POLÍTICAS PÚBLICASRelação entre Acad. PP e SS a N
B oas Pr át ica s Complementaridade 2 Trabalho conjunto 2
Reflexões referentes à Realidade e à Interdisciplinaridade 1 Academia como produtora de Conhecimento da Realidade 1
Má
s P
rá
ti
cas
Afastamento / Falta de adaptação à realidade 5
Respostas Sociais Inadaptáveis 3
Pouca Produção Cientifica referente à prática 2
Pouca Prática Tendo em Conta a Produção Científica 1 Falta de auscultação dos profissionais na definição de políticas 1 Falta de Ligação entre a Academia, a prática e a legislação 1
Inadaptação dos Recursos Económicos 2
Problemas com o Modelo Social do Estado 2
Total 23
110 Diversas são as razões que levam a um afastamento na relação entre a academia, a prática em Serviço Social e a criação e implementação de políticas sociais, contudo, encontramo-nos em Portugal a desenvolver um trabalho contínuo e constante para um aproximar destes eixos. É demonstrada, na presente investigação, uma preocupação em entender de que forma estes eixos se podem interligar de modo mais eficaz no combate ao isolamento das pessoas idosas e em tudo o que diretamente afeta esta camada da sociedade.