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3 Results

3.2 Effects of MSC on the CD4+Tcells differentiation and proliferation

3.2.4 CD4+ T cell differentiation in coculture with MSCs

O interesse pela Complexidade cresce a cada dia e se justifica, segundo Rezende, “pelas mudanças sociais que caracterizam a contemporaneidade e que exigiram novas formas de produção de conhecimento” (REZENDE, 2009b, p. 206). Esse paradigma tem sido adotado em diferentes campos do conhecimento para investigações científicas diversas, desde o movimento do Instituto Santa Fé.

Em 1997, Larsen-Freeman chamou a atenção para muitas semelhanças entre os sistemas complexos encontrados na natureza e a aquisição de Segunda Língua - SL. A autora destacou que essa abordagem de análise, quando adotada na Linguística Aplicada, permite preencher lacunas até então presentes nos diversos modelos teóricos desenvolvidos para aprendizagem de línguas. Teorias que investigam o indivíduo e seu processo cognitivo são refutadas por teorias que analisam as interações sociais desse indivíduo, em uma busca incerta de uma completude do processo que o aprendiz de SL vivencia.

Inspirada por Larsen-Freeman (1997) e por leituras sobre a Complexidade, Paiva (2005c) fez uma revisão dos modelos teóricos de aquisição de SL e propôs um modelo baseado na Teoria dos Sistemas Complexos, que seria mais aprofundado em um trabalho posterior (PAIVA, 2006). Essa pesquisadora conduz, na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, um grupo de pesquisa, INTERAGIR, que desenvolveu trabalhos que culminaram em dissertações de mestrado e teses de doutorado. Destaco, aqui, alguns desses trabalhos que são representativos do percurso da pesquisa com foco na Complexidade na área de Linguística Aplicada.

Parreiras (2005) analisou duas “salas de aula digitais” sob a perspectiva da complexidade e concluiu que, por meio dos fluxos de interação que ocorreram entre os participantes, elas apresentaram indícios de imprevisibilidade, de sensibilidade às condições iniciais, de interatividade, de adaptabilidade e dinamismo e de auto-organização. Ele defende o abandono da lógica linear da noção de aprendizagem e a utilização de uma abordagem complexa de investigação do ambiente em que ocorre essa aprendizagem para que as partes não sejam consideradas de maneira independente.

Com o foco em comunidades de aprendizagem e grupos, Braga (2007) buscou evidências empíricas de propriedades dos sistemas complexos na experiência colaborativa on- line e demonstrou, através da analise dos dados, que padrões de dimensões sociais, cognitivas, instrucionais e gerenciais (reciprocidade, a construção compartilhada de significado, a liderança distribuída) emergem das interações entre os pares em comunidades autônomas de aprendizagem on-line. Ela postula que a melhor compreensão das características, funcionamento e padrões emergentes dessas comunidades contribui para as discussões relacionadas às práticas colaborativas em ambiente virtual.

Martins (2008) discutiu a emergência de eventos complexos em aulas online e face-a- face em uma investigação etnográfica. Ao evidenciar os processos de interação, participação e colaboração na disciplina usada para a coleta de dados, bem como o processo de revisão colaborativa de textos em um fórum online e em seminários face-a-face, ele concluiu que os desenhos instrucionais mistos devem ser valorizados para que o potencial de cada modalidade seja explorado.

Silva (2008) discutiu o processo colaborativo de aprendizagem em uma disciplina virtual como um “evento dinâmico que emerge no interstício entre o previsível e o imprevisível do sistema e também como um evento que o impulsiona em sua trajetória futura”

(SILVA, 2008, p. 16). Analisando as mensagens na lista de discussão analisada e tendo como escopo teórico a abordagem sociocultural e o paradigma da complexidade, ele apresentou o conceito de dinamizador como uma alternativa para a metáfora do andaime instrucional e ressaltou que cada mensagem funcionava como um dinamizador do sistema, qualquer que fosse a sua intenção.

Augusto (2009a; 2009b) evidenciou a natureza dinâmica do desenvolvimento da competência linguística de um aprendiz de Inglês e observou a complexidade e a imprevisibilidade no processo de aquisição/aprendizagem de uma língua estrangeira. Em seu trabalho, a autora enfocou características fundamentais dos sistemas dinâmicos adaptativos tais como a não-linearidade, a auto-organização, a variabilidade e a emergência. Foi percebido que a inter-relação de vários fatores, em diferentes níveis e escalas de tempo faz com que o processo de aprendizagem ocorra de forma não linear.

Rezende (2009a; 2009b) relacionou a (re)construção identitária e a aprendizagem de Inglês em um trabalho de cunho qualitativo/interpretativo e orientado pelo paradigma da Complexidade, concluindo que “os processos de reconstrução/emergência identitária e de aprendizagem de línguas guardam entre si não apenas uma relação de interação, mas de inteiração” (REZENDE, 2009b, p. 38). Segundo a autora, é importante entender a relação identidade/aprendizagem pela ótica da complexidade para que possamos perceber um processo de aprendizagem que foge à estrutura determinística de conhecimento.

Partindo do pressuposto de que um Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA – é um sistema adaptativo complexo, Souza (2011) investigou dois AVAs reconfigurados a partir das plataformas TELEDUC e Moodle, definindo-os como sistemas compostos por gêneros digitais. Com foco nas dinâmicas emergentes e práticas discursivas que levassem a uma percepção das possibilidades e das limitações dos ambientes, a autora concluiu que a produção textual das comunidades discursivas emergentes nos AVAs foi influenciada pelo acoplamento aninhado de camadas distintas do suporte digital, dos gêneros textuais e dos propósitos comunicativos e, ainda, pelas affordances percebidas e efetivadas por professoras e aprendizes.

Esse mesmo grupo também compôs uma publicação brasileira exclusivamente voltada para a complexidade, organizada por Paiva e Nascimento (2009). Além dos resultados das pesquisas relatadas acima, o livro traz as contribuições de Oliveira (2009), que faz uma apresentação histórica da teoria do caos e da teoria da complexidade; de Nascimento (2009),

que analisa a linguagem na ótica da complexidade; de Fleischer (2009), que analisa eventos de interação online tendo o caos e a complexidade como pano de fundo; Castilho (2009), que recorre à complexidade para realizar uma análise multissistêmica da sentença matriz; e Vetromille-Castro (2009), que reflete sobre a sala de aula de formação de professores de LE como um sistema complexo.

Fora do Brasil, o periódico Applied Linguistics (2006) apresentou um número temático específico de trabalhos na perspectiva dos sistemas complexos. A comunidade virtual Escola da Complexidade23 também se apresenta como um bom exemplo de como as pesquisas nessa área tem se organizado. Mais recentemente, Harsbarger (2007), em uma linha semelhante, propôs um modelo dinâmico de aprendizagem de línguas.

A educação, definida por Lemke e Sabelli (2008) como um sistema multifacetado que engloba o conhecimento científico e os objetivos do público de interesse, também tem sido discutida e repensada sob o olhar da complexidade (DAVIS; SUMARA, 2006; MASON, 2008; MORRISON, 2008; DAVIS, 2008, SEMETSKY, 2008; MORAES, 2008). Moraes (2008), que salienta que a complexidade é um princípio articulador do novo pensamento e de novas práticas pedagógicas, sejam elas presenciais ou virtuais, define a educação como um sistema aberto, relacional, que implica a existência de processos transformadores inerentes às interações sujeito/objeto e indivíduo/contexto e que está em conexão constante com outras práticas sociais, e por isso ela requer uma abordagem de estudo e interpretação que considere o aprendiz dentro de um determinado ambiente, que articule saberes e práticas na relação com o outro (aluno ou professor) e faça emergir novas práticas, comportamentos e saberes. Notáveis contribuições para a discussão da natureza da aprendizagem, do ensino, da escolarização e da pesquisa educacional têm sido reconhecidas no campo da educação (DAVIS; SUMARA, 2006), que importa teorias, métodos e discursos nem sempre aproveitáveis de outras disciplinas (DAVIS, 2008).

Uma das disciplinas que se alinhou à pedagogia foi a psicologia. No entanto, a relação entre as duas disciplinas foi assimétrica, revelando posições ideológicas que resultaram em uma marginalização de grande parte da população (LIMA, 1990). Um exemplo disso é a psicologia behaviorista, que, segundo Davis e Sumara (2006), isolou as dinâmicas interpessoais, a atividade coletiva, o contexto social e a constituição biológica na definição do currículo e da pedagogia. Isso, certamente, gerou rótulos que contribuíram negativamente para

o desenvolvimento de muitos aprendizes. Davis (2008) é solidário à ideia de que o construtivismo que tem raízes em Piaget trouxe mais benefícios para a educação do que o behaviorismo, e acredita que a complexidade é que deve ser entendida como uma ciência apropriada para as preocupações educacionais, uma vez que ela lida com a simultaneidade de eventos como teoria e prática, aprendiz e conhecimento, mente e corpo, arte e ciência, criança e currículo, eventos estes que foram considerados como opostos e até antagônicos por teorias anteriores. O pensamento de Vygotsky, segundo Davis e Sumara (2006), já estava alinhado ao pensamento complexo ao evocar a metáfora da evolução para descrever o desenvolvimento dentro de um contexto. O teórico, segundo os autores, percebia que a aprendizagem acontecia não só no indivíduo, mas sim na relação indivíduo-contexto, em uma unidade dinâmica.

A evidente necessidade de consideração do contexto em relação ao agente na perspectiva sistêmica e complexa condiz com uma perspectiva teórica também evocada neste trabalho: a Aprendizagem Situada – AS, que considera o caráter recíproco e interdependente entre aprendiz, atividade e contexto. Sua interseção com o pensamento complexo pode ser entendida no processo de transformação sociocultural pelo qual o aprendiz passa ao se envolver nas Comunidades de Prática, na estrutura de participação na qual o aprendiz se envolve, e no aspecto integral e inseparável da prática social que essa perspectiva apresenta. É sobre esse construto teórico que discorro a seguir.