oferece novas possibilidades de utilização da rede, que refletem novas opções e recursos de desenvolvimento, expandindo fenômenos sobre diversos enfoques. Dentre eles, o poder de multiplicação de opiniões e a rápida expansão e uso de novas tecnologias.
A Web 2.0 é considerada por alguns, apenas como uma jogada de
marketing e não como uma verdadeira mudança no modo de se fazer tecnologia para Internet. A justificativa adotada por autores como Berners-Lee (2006), que defendem esta ideologia, é a de que muitas das
tecnologias utilizadas pela Web 2.0, já eram utilizadas pela web tradicional ou até mesmo antes do surgimento da própria web.
Para O’Reilly (2005), considerado o responsável pela criação do termo em uma conferência em 2004, a qual foi promovida pelas empresas Media Live e O’Reilly Media, em São Francisco nos Estados Unidos:
Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva. Deste modo, a Web 2.0 pode ser considerada um sistema sócio- tecnológico4, onde a filosofia facilitadora de comunicação e colaboração é estimulada através de práticas, tecnologias, aplicativos, espaços colaborativos e plataformas como Twitter, Flickr, YouTube, Del.icio.us,
blogs, AJAX, RSS feeds, templates CSS, sistemas Wiki, gadgets, podcasts, tecnologia mobile, folksonomia, Second Life, Facebook, Orkut, Twitter, MySpace, dentre outros.
A Web 2.0 é um conceito para agrupar, nomear e incentivar projetos que expandam o potencial principal dos ambientes em rede – um novo meio, fortemente relacionado à interação, com a capacidade de implementação de novos formatos de produção do conhecimento: a inteligência coletiva em rede (CAVALCANTI, NEPOMUCENO, 2007, p. 4).
Algumas diferenças são apontadas por O’Reilly (2005) entre a
Web anterior e a Web 2.0 no quadro 1:
Quadro 1 – Comparativo entre a Web tradicional e a 2ª geração Web: a 2.0
Web 1.0 Web 2.0
Publicação Participação
Sistemas para gestão de conteúdos Wikis
Diretórios (taxonomias) Tagging (Folksonomia)
Websites pessoais Blogs
4 Sistema sócio-tecnológico é utilizado neste estudo com base em Eccles e
Groth (2006; 2007). Para quem os sistemas sócio-tecnológicos são aqueles compostos por agentes humanos e tecnológicos em caráter colaborativo.
Enciclopédia Britânica Wikipédia
Fonte: Adaptado de O’Reilly (2005)
São outros exemplos de práticas utilizadas e possibilitadas pela visão da Web 2.0: a agregação de conteúdos, a atribuição e compartilhamento de metadados aos objetos pelos usuários destes
(social tagging), o social bookmark (compartilhamento de favoritos), as mídias sociais, o uso de mashups - que podem ser consideradas combinações de serviços on-line, e, principalmente, o aproveitamento da inteligência coletiva e a IHC (Interação Homem-Computador).
Diante dessas inovações, tanto tecnológicas quanto culturais, é fato que o governo precisa considerá-las para desenvolver o governo eletrônico. Não é cabível que a Web encontre-se em um patamar muito superior àquele teorizado pelo e-gov.
Ao analisar as características da Web 2.0, tais como a disseminação de espaços de comunicação e compartilhamento de conteúdos, de ideias e de insumos de conhecimento percebe-se que a mesma pode auxiliar no contexto do desenvolvimento do governo eletrônico.
A Web 2.0 pode fomentar o desenvolvimento de um governo interativo, baseado nas trocas simbólicas, no compartilhamento do conhecimento, na valorização de escolhas coletivas, através da utilização das mídias sociais.
O exercício social que os usuários da Web 2.0 passam a realizar, voltados para a criação colaborativa de conteúdos em rede, bem como para a valorização da liberdade de expressão e compartilhamento de conhecimentos, favorece o desenvolvimento de um cenário social culturalmente disposto a colaborar.
Para Wigand (c2010, p. 162) a Web 2.0: “É mais do que um mero conjunto de tecnologias. A Web 2.0 inclui uma dimensão social, com conteúdo gerado pelo usuário, maior simplicidade em design e recursos, bem como com modelos e processos mais participativos e descentralizados.”
De modo que os modelos e-gov precisam compreender este novo formato de comunicação e disponibilidade do cidadão em contribuir; diagnosticando onde esta comunicação ocorre, bem como de que maneira despertar nos cidadãos e disposição a uma crescente colaboração, inclusive no desenvolvimento e aprimoramento das plataformas e-gov.
Apesar de haver diversos modelos e-gov, como os discutidos neste trabalho, tais modelos ainda carecem de uma visão contemporânea que valorize os novos formatos de comunicação em rede pelos cidadãos, conforme já mencionado.
Muitos dos modelos e-gov defendem que o foco deve ser o cidadão, porém, de acordo com a pesquisa bibliográfica realizada constata-se que estes modelos não levam em conta que este cidadão, em grande parte, se comunica, troca, compartilha informação e conhecimento via tecnologias Web 2.0 e suas mídias sociais.
Logo, percebe-se que estes modelos não oferecem diretrizes para o desenvolvimento de projetos e-gov aplicados que considerem os métodos de comunicação em rede, como é o caso das mídias sociais, como potencial a ser desenvolvido no e pelo governo eletrônico e que, acompanhe o desenvolvimento da sociedade do conhecimento.
A pluralidade de possibilidades tecnológicas e sua gama de formatos de comunicação on-line não podem ser consideradas como ameaça ou entendidas como uma onda social passageira por parte do governo. É necessário o envolvimento deste com tais possibilidades tecnológicas, principalmente porque seus cidadãos estão nestes espaços discutindo, inclusive, sobre o governo e possibilidades de melhorias em plataformas e-gov, como foi demonstrado nesta pesquisa.
Neste contexto surge o governo 2.0, considerado o governo interativo baseado na filosofia da Web 2.0 fundamentado nos pilares da transparência, participação e inovação (CAMINHA, 2010).
Considera-se um governo interativo, inclusivo e, consequentemente, um governo 2.0 aquele que, através das possibilidades tecnológicas e integradoras, consegue abrigar, sustentar, estimular e valorizar a participação social, através de espaços colaborativos em ambiente Web 2.0.
O governo 2.0 deve ser fundamentado na transparência, participação e inovação. Para tanto, os governos necessitam se estruturar para se tornarem plataformas provedoras de dados de modo a deixá-los acessíveis e disponíveis a todos através das mídias sociais que se formam e onde o governo deve ser parte atuante (CAMINHA, 2010).
A seguir discutem-se dois modelos e-gov e as fases que compõem os mesmos, considerando as tendências de governo 2.0 adotadas pela sociedade do conhecimento, do desenvolvimento de plataformas e-gov no âmbito internacional.