3. Metodologi og metodebruk
3.2 Casestudien av selskapisering
Segundo Chaffin e Andersson (1991), a posição de sentado pode ser definida como sendo aquela em que o peso do corpo é transferido para uma superfície de suporte, sobretudo através das tuberosidades isquiáticas e tecidos moles adjacentes. Em função do tipo de assento e da postura adoptada, parte do peso pode ainda ser transferido para o chão e para o encosto e braços do assento.
De entre as vantagens da posição de sentado podem salientar-se as seguintes: proporciona a estabilidade requerida para a execução de tarefas com elevadas exigências visuais e de controlo motor, envolve menor dispêndio de energia do que a posição de pé, submete as articulações dos membros inferiores a menores níveis de
stress e reduz a pressão sanguínea a este nível (Chaffin & Andersson, 1991; Pope et al.,
2002).
Todavia, esta posição também apresenta algumas desvantagens, na medida em que representa uma sobrecarga para a coluna vertebral, um risco acrescido para
descalcificação óssea e induz uma diminuição da circulação sanguínea (Magnusson & Pope, 1998). Por outro lado, a inactividade associada a esta posição provoca uma acumulação de metabolitos, acelerando a degenerescência dos discos intervertebrais que, por sua vez, conduz ao aparecimento de hérnias discais (Magnusson & Pope, 1998; Pope et al., 2002).
Quando um indivíduo se encontra de pé, a coluna vertebral apresenta três curvaturas principais: uma lordose a nível cervical, uma cifose a nível torácico e uma lordose a nível lombar. Esta última é devida, sobretudo, à diferença de espessura apresentada pelos discos intervertebrais na direcção antero-posterior, necessária para compensar o facto de a superfície superior da zona sagrada apresentar uma inclinação anterior. A passagem para a posição de sentado faz com que se altere a conformação, dita normal, da coluna, e a lordose lombar tenda a desaparecer. Em média, regista-se uma redução de cerca de 38º na lordose lombar, sendo 28º devidos à rotação da pélvis, 6º provêem das duas primeiras articulações da zona lombar (L1-L2 e L2-L3) e 4º da
alteração do ângulo da articulação sacro-ilíaca (Chaffin & Andersson, 1991). A ocorrência destas alterações conformacionais está ilustrada na figura 2.1 e é suportada por registos radiológicos. Estas alterações estão relacionadas com os ângulos de flexão da anca e do joelho, na medida em que os músculos envolvidos condicionam igualmente a curvatura da coluna vertebral.
Figura 2.1 - Posição relativa da pélvis e da zona lombar da coluna vertebral: a) de pé; b) postura mediana, sentada, sem suporte e relaxada; c) postura mediana, sentada, sem suporte e erecta; d) postura anterior, sentada; e) postura posterior, sentada (adaptado de Chaffin & Andersson, 1991).
Chaffin e Adersson (1991) referem também que medições da pressão inter-discal
in vivo revelaram uma redução de cerca de 35% nos valores, entre a posição de pé e a de
sentado, sem recurso a encosto. Os valores mais baixos foram registados quando da adopção de uma postura erecta. Noutras posturas, a aplanação da zona lombar da coluna vertebral induz uma deformação dos próprios discos intervertebrais. A presença de encosto no assento influencia a pressão intra-discal, registando-se uma diminuição desta quando se aumenta a inclinação posterior do encosto, bem como o volume do apoio lombar. Por outro lado, a localização deste último parece ser mais favorável junto das 4ª e 5ª vértebras lombares do que junto das primeiras duas. Estes resultados podem ser atribuídos a quatro factores diferentes: (1) a inclinação posterior do encosto aumenta a transferência de carga mecânica para este, diminuindo a pressão intra-discal; (2) uma fracção do peso da parte superior do corpo é transferida para o suporte lombar, reduzindo a carga sobre a coluna vertebral; (3) o apoio lombar contribui para a reposição da lordose lombar, reduzindo a deformação da coluna e a pressão intra-discal; (4) a possibilidade de utilizar os braços do assento, suportando o respectivo peso, também contribui para a diminuição da pressão.
O recurso à electromiografia no estudo da posição de sentado revelou uma diminuição da actividade muscular entre a posição de pé e aquela. Este mesmo efeito é verificado quando na posição de sentado se adopta uma postura com flexão anterior, se apoiam os braços e se utiliza o encosto do assento (Chaffin & Andersson, 1991). Por seu turno, um incremento na inclinação posterior do encosto proporciona uma redução da actividade muscular, não só a nível lombar, mas também nas zonas torácica e cervical. Este fenómeno também se verifica quando se desloca o apoio da zona torácica para a zona lombar.
A variação da estatura do ser humano após a permanência na posição de sentado é uma realidade e tem sido atribuída a dois factores distintos: diminuição da altura dos discos intervertebrais, resultante da carga de compressão a que está sujeita, e deformação dos tecidos moles localizados abaixo da zona sagrada da coluna vertebral (Kanlayanaphotporn, Trott, Williams, & Fulton, 2001). A diminuição da altura da coluna vertebral é significativamente mais pronunciada nos adolescentes do que nos indivíduo em idade adulta (Kanlayanaphotporn, Lam, Williams, Trott, & Fulton, 2001). No entanto, se o ser humano for submetido a VCI enquanto permanece sentado,
verifica-se um aumento da altura da coluna vertebral (Bonney & Corlett, 2003; Hampel & Chang, 1999; van Deursen, Goossens, J.J.M., van der Helm, & van Deursen, 2000; van Dieën, De Looze, & Hermans, 2001)
Para além dos efeitos sobre a coluna vertebral, a posição de sentado provoca ainda uma diminuição do espaço existente nas cavidades torácica e abdominal, resultando num aumento da pressão exercida em órgãos como os pulmões e em todo o sistema digestivo (Eklund, 1999).
Tabela 2.1 - Fontes de perturbação da segurança, da saúde, do bem-estar e do desempenho humanos na posição de sentado (adaptado de Eklund, 1999).
Elevada ou prolongada carga sobre estruturas passivas (articulações ao nível da coluna, pescoço, braços e pulsos);
Actividade muscular estática ou de elevada intensidade (coluna, pescoço, ombros e braços);
Aumento da pressão sanguínea venosa (pés e perna);
Aumento da pressão nos órgãos internos (pulmões e sistema digestivo); Pressão na superfície do assento (nádegas e zona poplítea);
Propriedades térmicas (condução de calor e permeabilidade).
Estudos realizados com cadáveres revelaram o efeito combinado das VCI e da posição de sentado, envolvendo quatro posturas diferentes: erecta, com inclinação posterior, com e sem apoio lombar, fixo junto da terceira vértebra lombar, de modo a induzir uma hiper-lordose (El-Khatib & Guillon, 2001). A aceleração foi medida no corpo das cinco vértebras lombares, tendo-se registado uma diminuição nos valores à medida que se aumentava a inclinação posterior do encosto. Um estudo anterior, igualmente com cadáveres, mas envolvendo apenas vibrações verticais, revelou a ocorrência do fenómeno de ressonância entre 4 e 9 Hz, conforme a postura adoptada (El-Khatib, Guillon, & Dômont, 1998). No caso de ensaios realizados in vivo, foram identificadas duas gamas de frequência de ressonância, dependentes da postura: a primeira associada ao corpo como um todo, entre 4 e 6 Hz, e a segunda associada à coluna vertebral, entre 8 e 12 Hz (Kitazaki & Griffin, 1998).
Tabela 2.2 – Frequências naturais de diferentes partes do corpo humano, na posição de sentado, segundo diversos autores.
Parte do Corpo Kroemer &
Grandjean (1997) Macedo (1988) Sanders & McCormick (1993) Wasserman (1987) Cabeça Vértebras Cervicais Coluna Vertebral Ombro Olhos Coração Pulmão Abdómen Estômago Bexiga 5-30 3-4 - 5 20-70 4-6 50 4-8 3-6 10-18 25 - - 4-5 30-80 - - - - - 20-30 3–4 - 5 60-90 - - - - - 20-30 - 4-8 - 60-80 - - - - -
O estudo da resposta biodinâmica do corpo humano a vibrações verticais revelou que a transmissibilidade vibracional média às vértebras L3 e L5, na posição de pé, era
superior a 2,0, enquanto que na posição de sentado os valores eram inferiores a 1,5 (Matsumoto & Griffin, 2000). Isto significa que em ambas as situações ocorre ampliação das vibrações até atingirem a zona lombar da coluna, mas com maior intensidade na posição de pé. Os autores atribuem o fenómeno às diferenças que aquelas duas posições apresentam relativamente ao ângulo da pélvis, à curvatura da coluna vertebral, à tensão muscular e à via de propagação das vibrações (de pé, através das pernas; sentado, através das nádegas).