B CASE-STUDIE I FORBINDELSE MED HOVEDOPPGAVE I INFORMATIKK
B.5 Case studien
A Ergonomia possui duas vertentes. A primeira ergonomia surge na Grã-Bretanha, em 1947, como resultado de pesquisa desenvolvida a serviço da Defesa Nacional Britânica, por uma equipe interdisciplinar, com o intuito de atenuar os esforços humanos em situações extremadas. A segunda aparece na França, conformada ao quadro da Psicologia do Trabalho. Essa ergonomia de orientação francesa, também conhecida como Ergonomia situada ou Ergonomia da atividade, desenvolveu-se visando à adaptação do trabalho ao homem.
A Ergonomia situada recebeu importantes contribuições do pesquisador Alain Wisner, precursor da Ergonomia da atividade de orientação francesa, que investigou como o ruído provocava a surdez dos condutores de trem e propôs em seu trabalho uma nova forma de examinar a audição desses trabalhadores qualificados que lhes permitisse continuarem exercendo a profissão de condutores. É importante destacar também o trabalho de Louis Le Guillant (1956), que estudava a nevrose (neurose) das telefonistas.
A pesquisadora Suzanne Pacaud, que se interessava pela análise do trabalho, publicou várias pesquisas sobre a análise do trabalho e sobre a observação participante, analisando e categorizando as dificuldades das telefonistas da época. Segundo Wisner (2002), Pacaud, juntamente com Ombredane, Favege e Leplat, é fundadora do movimento francófono da análise ergonômica do trabalho.
Em 1936, Henri Laugier cria no CNAM o INETOP – Institut National d’orientation Professionnelle e a revista Le Travail Humain. O INETOP, desde sua criação, é um lugar onde se estuda o homem no trabalho e a criança na escola.
Além da França, outros países mantinham movimentos de intuição ergonômica. Para falar exemplicar, mencionamos A. T. Welford (psicólogo), W. F. Floyd (fisiologista) e Hywell Murriel (engenheiro), pesquisadores do laboratório Ergonomics Research Society – ERS, que, desde sua criação, em 1950, adotava abordagens pluridisciplinares, interessando-se por problemas sociais, como a fadiga industrial e, sobretudo, por fatores humanos na
concepção dos equipamentos. Dois livros foram publicados sobre esse tema: inicialmente, o Human Factors Society (HFS), que foi transformado depois em Human Factors and Ergonomics Society (HFES). Seus estudos estavam direcionados para uma ciência que possuía como objetivo investigar o homem nos esforços de guerra, como foi dito acima. No início, a idéia de trabalhar em equipe nasceu de pressões militares e não de maneira espontânea. Os especialistas universitários, provenientes de disciplinas variadas, aceitaram trabalhar em conjunto. Nos Estados Unidos, contudo, a multidisciplinariedade foi tardia e desenvolvida em laboratório.
Na França, as pesquisas sobre o homem em situação de trabalho ganharam força. Em um programa sobre a Ergonomia, três colóquios foram apresentados, abordando os temas: o calor no trabalho (1960), os transportes (1961) e os prédios industriais (1963). Segundo Wisner, esse programa de pesquisas, sob o domínio da ergonomia, foi circunscrito a um programa experimental em fisiologia, em biomecânica e em psicologia. Com a publicação dessas pesquisas, Wisner introduziu uma modificação significativa: “trata-se de experimentações situadas” (Wisner, 2002: 147). O autor se interessou pelas reflexões sobre o estado funcional das pessoas, que é complexo e variável. Estudou o trabalho da mulher (1967), o envelhecimento (1973), os deficientes (1976), o trabalho do carteiro (1976) e a importância de se acrescentarem aos estudos da patologia a fadiga (1971) e o sofrimento (1981).
Wisner acrescentou que a parte mais nova desse programa era o estudo da cognição na atividade de trabalho, que o conduziu a participar das diversas etapas de reflexão sobre a Psicologia do Trabalho em situação e a confirmar a diferença entre trabalho prescrito e trabalho real, já assinalada por Ombredane. Suas pesquisas demonstram uma grande preocupação com os aspectos sociais da Ergonomia e um interesse essencial nas transformações concretas da situação de trabalho, que não devem ser concebidas como soluções.
Segundo França (2002), a abordagem ergonômica do trabalho constitui-se como método essencial de transformação das questões referentes ao trabalho. Os pesquisadores buscam
reunir diferentes elementos que permitirão descrever a alternância de fases de constituição e de resolução de problemas.
O pesquisador de situação de trabalho segue as seguintes fases: analisam a demanda; fazem um estudo preliminar; escolhem as situações-chave; realizam uma análise global das atividades; procuram pré-diagnosticar as situações estudadas; constroem um diagnóstico ergonômico e finalizam com a restituição e validação dos diagnósticos encontrados. A partir desse diagnóstico, elaboram um caderno de encargos.
As fases descritas anteriormente, que constituem um método de análise ergonômica do trabalho, podem se diferenciar a cada situação, uma vez que essas diferenças possuem natureza própria em cada fase, ligando-se a razões que envolvem um grau de complexidade e a dimensão do trabalho sob estudo.
A abordagem ergonômica considera que a ação é, simultaneamente, uma resposta às prescrições e uma questão a elas endereçada. Portanto, a ação do trabalhador consiste não apenas em operacionalizar as prescrições, mas também em colocá-las à prova e delas reapropriar-se para sua experiência pessoal.
Entretanto, podemos observar na prática processual, que existe uma crença de que o prescrito (a lei) é rígido e todos devem segui-lo. Dura lex sed lex. A lei é dura, mas é a lei. Essa máxima do Direito materializa uma concepção do senso comum em relação ao prescrito. A lei deve ser seguida sem questionamentos. Apesar da circulação desse sentido de rigidez em relação ao prescrito, percebemos que na prática, muitas vezes, essa “verdade” se demonstra relativa. O profissional do Direito está sempre lidando com a dicotomia prescrito / realizado e com o real da atividade.
Nessa pesquisa, iremos abordar como se processa a atividade do Defensor Público frente à rigidez do prescrito e como esse profissional lida com essa crença.
A seguir, apresentaremos as contribuições da Ergologia, disciplina que surge a partir dos estudos da Ergonomia.