3 NORWEGIAN NGOS AND THEIR EUROPEAN CONNECTIONS
4.2 The case of Norway compared
Este bloco em questão dedicou-se a investigar como a escola lida com a participação ou a interferência das famílias e de pessoas do bairro e como essas pessoas analisam suas respectivas inserções no universo escolar. Todas as entrevistadas também citaram órgãos como colegiados, associação de pais e mestres (APM) e qualquer outra organização que tivesse relação com a escola ou interferisse nela.
Com relação à participação da família e à “abertura” da escola, obteve-se a seguinte resposta:
A escola está sempre de portas abertas, igual eu falei com você, entendeu. Indiferente da gente fazer qualquer coisa, qualquer evento, a gente está sempre convidando os pais para ficar aqui. No momento a escola está meio parada devido a obras e você pode ver que está limitado. Então no momento a escola tá passando por uma reforma justamente pra isso, pra poder acolher a comunidade melhor, para que eles se sintam melhor (Diretora J).
Contudo, uma mãe menciona que: “Não dá (abertura) por que assim... quando a gente vai nas reuniões só eles que falam então eles não aceitam que ninguém fale. É assim (Mãe J). A presidente do salão comunitário corrobora com a fala da mãe: “Eu acredito que é porque é uma escola municipal. Onde geralmente os governantes que determinam o que deve ser feito e pronto, não pede muita opinião das pessoas não.” (Membro do bairro J).
A referência a agentes ou órgãos externos como Salões comunitários, Associação de bairro, conselhos ou APM (Associação de Pais e Mestres) mostrou uma inconstância na fala dos entrevistados. Embora a presidente do salão comunitário afirmasse que não há interferência direta do salão na escola, a menção ao salão comunitário enquanto agente externo que utiliza do espaço escolar para suas atividades foi citada apenas pela pedagoga:
O que mais tem interferência é o salão comunitário, porque como a maioria das pessoas envolvidas na comunidade trabalham na escola, então esse link, ele é mais fácil do que igual a Associação de bairro que eu to te falando, que a gente nem, eu pra te falar a verdade nem sei quem é o presidente. Tem também essa questão que aqui tem muitos evangélicos, a gente não faz um link com esses evangélicos, com os pastores, no caso, pra está ajudando a gente a trabalhar, alguma coisa, que é mais assim direto mesmo é o salão paroquial aqui. Então a gente sempre ta divulgando alguma coisa, fazendo alguns trabalhos em conjunto, então assim, o mais forte é isso. (Pedagoga C).
Alguns dizem que existe a APM, outros dizem que existe conselho ou colegiado, outros ainda dizem que a associação existe, mas não é ativa. Com relação ao conselho, por exemplo, a pedagoga responde: “Existe o Conselho, mas ele não atua. Ele está lá no papel, foi feito tudo conforme as recomendações, mas hoje, se você me perguntar, ele não atua.” (Pedagoga C). E o discurso da professora caminha na mesma direção:
Agora, o colegiado,ele existe.Teve eleição ano passado e tudo mais.Só que como tudo,parou ali.O colegiado não tomou posse,o colegiado não
atuou em nada relacionado com a escola.As pessoas não levam nada a sério (Professora O).
Nos antigos arquivos da escola foi possível verificar que a instituição contava com um conselho e que nele havia a participação de membros externos da escola, como a família. Na atualidade, a resposta mais precisa que obtivemos foi que a APM não existe na escola e que ela conta com um conselho que foi eleito no último ano (2012). Contudo, ainda que registrado, devido às mudanças na gestão, o conselho não foi convocado desde então, e suas atividades no momento inexistem.
Nem mesmo nas atas da escola foram encontradas referências às APMs. No bairro, segundo os depoimentos, não há uma associação de moradores, mas há um salão comunitário. Contudo, nesse espaço acontecem apenas atividades religiosas referentes à igreja católica e segundo os entrevistados, o salão “pode” contar com a escola, mas não há uma ação direta de interlocução entre o salão e a escola.
Outra constante menção evidenciada foram as mudanças na gestão política da cidade. Pelo que se pôde observar,a cidade é muito motivada pelo movimento político, e as repercussões no campo da educação são quase que evidentes. Com as constantes mudanças de prefeito, por exemplo, muda o responsável pela secretaria de educação e os diretores das escolas municipais. Com isso, de acordo com alguns dos entrevistados, nenhum projeto tem continuidade.
Hoje não tem mais (uso da escola pelo salão) pela mudança da Secretaria de Educação, então hoje não tem mais. Porque antes a gente podia utilizar o espaço da escola, por exemplo, para um almoço beneficente, alguma coisa assim, mas hoje não pode mais. Hoje eles não permitem isso mais (Membro do bairro J).
A gente tava com uma... A gente tava com a direção assim,bem, bem preocupada no início do ano aí de repente ela já não pode ficar,aí trocou.Então essas trocas... E aí, quando troca a direção, até que vai começar tudo de novo,aí não dá tempo de começar porque a moça já saiu também, porque ela não adaptou.Não adaptou... Transferiu para outra escola.Então essas coisas, tudo atrapalha demais a nossa escola (Professora O).
Como foi possível perceber, as constantes mudanças na secretaria de educação da cidade e, consequentemente, da direção da escola, são apontadas como um problema no sentido de impedir a continuidade de projetos na escola. Embora a mudança na gestão não seja apontada como um problema para as famílias durante as entrevistas, notou-se que nem mesmo elas sabiam das mudanças, na maior parte das vezes.
Contudo, as famílias “reconhecem” o apoio do município devido ao suporte social oferecido pela prefeitura, como o fornecimento de uniformes, merenda, material escolar, mochilas e calçados.
4.3.4. Bloco temático 4: Mudanças na legislação e influência na escola
As constantes mudanças na gestão da escola foram citadas em muitos depoimentos dos entrevistados como um fator problemático para o desenvolvimento da escola e das atividades nela desenvolvidas. Como a cidade tem sofrido com uma intensa e constante modificação das lideranças políticas, e como os cargos da direção e da vicedireção escolar não são eletivos, quando um prefeito na cidade é eleito, mudam também os responsáveis pela secretaria de educação e, respectivamente, os diretores e vicediretores das escolas municipais. Todos, sem exceção, apontaram este fato como um problema de grande importância, que afeta não apenas os projetos que acontecem na escola, como também a continuidade dos mesmos.
Os depoimentos corroboram, assim, com a pesquisa de Victor Paro (1992) ao tratar da importância da gestão para o desenvolvimento escolar. Nesse sentido, é possível afirmar que mesmo com baixo capital cultural, as famílias reconhecem o quanto isso tem sido negativo para a escola. Todos, em suas falas, ainda que as questões do roteiro não fossem sobre o tema, mencionavam que as propostas na escola não tem continuidade, uma vez que não se sabe ao certo quanto tempo aquele diretor permanecerá na escola. Para se ter uma ideia, até o atual momento da pesquisa (20122013), o diretor que se encontrava na escola já era o 4º desde que esta pesquisa se iniciou (outubro/novembro de 2012). Logo, isso representa uma influência negativa, claramente perceptível pelos entrevistados.
Com relação à legislação, as mães entrevistadas desconhecem qualquer incentivo do poder municipal, estadual ou federal que determine a interação entre família e escola.
Algumas, de forma geral, acreditam que a prefeitura auxilia, mas pareceram não entrar muito no assunto por falta de maiores conhecimentos a respeito. Contudo, elogiaram a prefeitura quanto ao fornecimento de merenda, de uniformes e de material escolar.
Quando questionamos se elas conheciam a LDB de 1996, o ECA de 1990, ou alguma política pública que tratasse da relação família-escola, a maior parte desconhece.