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De acordo com Mendonça (2002, p.24):

Indicadores são normalmente constituídos por duas unidades de medida correlacionadas. Servem para medir o desempenho de uma determinada atividade ou rotina, para saber se o que está sendo feito está dentro dos parâmetros exigidos, ou seja, se está de acordo com o que foi planejado.

Eles são compostos por variáveis representativas de um processo, que permitem quantificá-lo. “Precisam ser bem definidos e acompanhados sistematicamente” (MENDONÇA, 2002 p.25). Os indicadores servem principalmente para os gestores na tomada de decisão. Para se analisar e melhorar um processo é necessário conhecer o histórico dos indicadores de desempenho.

Com a análise do comportamento dos indicadores no passar do tempo, pode-se identificar os problemas do processo e propor melhorias. De acordo com Kiyan (2001, p.38) “uma das formas de se classificar os indicadores de desempenho é considerar a natureza da informação a ser produzida, podendo ser objetiva ou subjetiva”.

As informações objetivas envolvem métodos numéricos (quantitativos), enquanto as subjetivas resultam de métodos descritivos (qualitativos). A subjetividade insere nos resultados um grau de imprecisão e incerteza, pois ela se apóia em valores pessoais, percepção da realidade, costumes, gostos e interesses. Apesar disso, medidas subjetivas são de grande valia para se avaliar aspectos intangíveis do negócio (KIYAN, 2001).

Podemos perceber, então, certa resistência em se medir os processos de desenvolvimento de software através de indicadores de desempenho. Um dos motivos dessa resistência é a dificuldade de se identificar indicadores que realmente ajudem na produção de informações importantes.

Será descrito a seguir alguns conceitos referentes à medição, métrica, medidas e indicador segundo algumas referências.

• medição: é o conjunto de operações com o objetivo de determinar um valor a uma medida (ISO/IEC 15939).

• métrica: é um atributo de uma entidade que pode ser avaliado. Por exemplo, o esforço do projeto é uma avaliação (ou seja, métrica) do tamanho do projeto (RUP, 2007).

• medidas: podem ser definidas em termos de um atributo e um método para quantificá-lo e são independentes de outras medidas. (ISO/IEC 15939).

• indicador: é uma medida ou uma combinação de medidas, normalmente apresentado na forma de gráfico ou tabela, que provê entendimento a respeito de uma questão ou conceito de software (ISO/IEC 15939).

A métrica de software proposto pela norma ISO/IEC 15939 esta orientado às necessidades da informação de uma empresa. Para cada necessidade o processo gera um produto de informação, a fim de satisfazer a informação identificada.

Para isso, o processo de medição considera um modelo de informação de medição que estabelece a ligação entre medidas definidas e as necessidades da informação identificadas. A figura 9 apresenta este modelo definido na ISO/IEC 15939.

Figura 9 - Modelo de Medição da ISO/IEC 15939 Fonte: ISO/IEC 15939

De acordo com o modelo de informação de medição da ISO 15939, as necessidades da informação são atendidas por conceitos mensuráveis definidos em relação às entidades que podem ser medidas.

Essas entidades possuem atributos aos quais são aplicados métodos de medição para obter medidas base que são associadas através de funções de medição para compor medidas derivadas, ou seja, medidas que tem a função de duas ou mais medidas.

As medidas são analisadas por modelos de análise e fornecem indicadores cuja interpretação representa produtos de informação que atendem as necessidades da informação inicialmente identificada.

Ressalta-se outras abordagens de métricas de software estão disponíveis como:

• GQM: (Goal Question Metric) foi proposto na primeira metade da década de 90 e tem sido utilizado para proporcionar métricas de acordo com as necessidades de informação a respeito de produtos, processos e recursos utilizados, estabelecendo bases para comparações com trabalhos futuros (Basili, 1993).

• PSM: (Practical Software Measurement) parte do princípio de que é necessário que a organização identifique suas necessidades de informações mensuráveis para, a partir dos conceitos mensuráveis, estabelecer e manter um conjunto de medições alinhadas às suas necessidades (McGarry, 2001).

Estas definições quanto às métricas de software e indicadores nos ajudam a responder outra questão problema definida nesta dissertação quanto ao monitoramento e controle nos processos de software, onde os indicadores deveria ser considerados na tomada de decisão na gestão de projetos.

Apesar de termos a possibilidade de utilizar estes indicadores de forma favorável em ações para melhorar os processos de desenvolvimento de software, a gestão de projetos continua no “achismo” e no seu “feeling8”, e esse não é o caso, pois, existem métricas e informações que não estão sendo consideradas.

No desenvolvimento de software podemos aplicar três tipos de indicadores que segundo Mendonça (2002) “são os mais utilizados para medir o desempenho dos processos organizacionais”:

• indicador de qualidade: relação entre o que é produzido (certo ou errado) pelo total produzido;

• indicador de produtividade: relação entre o total produzido sobre os recursos consumidos;

• indicador de capacidade: mede a produção em um espaço de tempo (capacidade da produção).

A utilização desses indicadores no monitoramento e controle, considerando a sua documentação como os artefatos requeridos, deve atentar para:

• indicador de qualidade: total de artefatos que voltaram para o retrabalho dividido pelo total de artefatos entregues;

• indicador de produtividade: total de artefatos entregues dividido pelo total de funcionários trabalhando no projeto;

• indicador de capacidade: total de artefatos entregues dividido pelo tempo total do projeto.

No estudo de caso desta dissertação iremos apresentar os indicadores de produtividade que são utilizados e como essas informações são úteis para a gestão de projetos de software quando são monitoradas e controladas nos processos de desenvolvimento de software.

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