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Capturing data definitions in a Canonical Data Model

Robertson e Thompson (1984) relatam que as alterações de fala foram reconhecidas como sendo responsáveis pela vergonha e isolamento social dos pacientes parkinsonianos. Segundo eles, a terapia fonoaudiológica pode ser usada para a melhora desse quadro, com sucesso.

Estudo realizado por Pitcairn et al. (1990) com quatro pacientes portadores de DP e quatro controles mostrou que os pacientes com DP aparentam mais ansiedade, hostilidade, insegurança, infelicidade, introversão, passividade, pouca disponibilidade para a conversação e tensão que o segundo grupo. Os controles eram mais comunicativos, diferente dos sujeitos com DP. Os autores concluíram, baseados nos dados encontrados na avaliação vocal, que a alteração na prosódia notada nos sujeitos com DP produziu um efeito negativo maior do que a inteligibilidade de fala. Com isso percebeu-se que a estrutura de pausas dos pacientes DP foi o fator que mais contribuiu para a avaliação negativa.

Fitzsimmons e Bunting (1993), em pesquisa de revisão de literatura, relatam que a DP leva às manifestações físicas e psicosociais, que geram um impacto na qualidade de vida. Os aspectos psicosociais podem aparecer sutilmente, de acordo com a progressão da doença. Quanto aos aspectos fonoaudiológicos, a disartria é um problema comum na DP e pode gerar um efeito devastador na comunicação interpessoal do paciente e na relação com sua família. Segundo os mesmos autores, o que se espera para a terceira idade é que o idoso possa se ver livre de preocupações e responsabilidades e com isso viver com mais prazer. Porém, face a uma doença degenerativa como a DP, os pacientes são confrontados com a situação de não serem capazes de viajar e aproveitar a

vida e terem que mudar seus planos para longos anos de cuidados, aspecto que gera depressão.

De acordo com Lima (1994), ao estudar a linguagem e isolamento social na DP, dos 17 pacientes estudados, 70,5% apresentaram dificuldade de fala e de escrita e manifestavam-se com sinais de isolamento social, caracterizado principalmente pela falta de interesse em se comunicar.

Carrara-de-Angelis (1995), em seu estudo com 20 pacientes com DP, preocupou-se em aplicar uma auto-avaliação da comunicação oral pré e pós- intervenção fonoaudiológica. Os resultados indicaram diminuição marcante das queixas de voz fraca, fala monótona, fala ininteligível e de voz presa no pós- terapia. Segundo a autora, as queixas de voz fina e voz grossa não se mostraram consideráveis, talvez por não compremeter a funcionalidade da comunicação.

Segundo Limongi (1997), aproximadamente 40% dos pacientes com DP apresentam depressão. Geralmente esta ocorre na forma de apatia, perda de apetite, fadiga, alteração do sono e perda da auto-estima. A ocorrência da depressão nem sempre se relaciona à gravidade dos sintomas motores, fato que evidencia que nem sempre existe associação direta entre sintomas motores e aspectos psico-sociais.

Karlsen et al. (1999) ao investigarem os fatores que poderiam estar associados a piora da qualidade de vida de 233 pacientes com DP, concluíram que os sintomas de depressão, insônia e dependência foram os que levaram à piora do quadro de forma significativa.

Carrara-de-Angelis (2000), ao estudar a deglutição, configuração laríngea e análise clínica e acústica computadorizada da voz de pacientes com DP, relata que os esses sujeitos apresentam mais sintomas e mais consciência das alterações de comunicação oral do que das alterações de deglutição. A autora apresenta, como resultado de sua pesquisa, que existe relação entre voz e deglutição. Ela reforça a importância das avaliações objetivas vocais e de deglutição em pacientes com doença de Parkinson, no intuito de possibilitar uma melhora de qualidade de vida.

Breitenstein et al. (2000) estudaram 20 pacientes com DP e 16 controles sem história de problema neurológico ou psiquiátrico, pareados em sexo e idade. O objetivo foi compreender as possíveis causas da diminuição da percepção das emoções (felicidade, tristeza e irritação) nos sujeitos com DP pelos interlocutores. Os resultados mostraram que a monofrequência associada ao tempo de duração da fala nos DP em estágios mais avançados da doença podem levar o ouvinte a não perceber, ou perceber de modo distorcido as emoções passadas na fala dos DP. Assim, para os itens alegria ou irritação, os controles apresentaram aumento na variabilidade da freqüência fundamental (f0) e velocidade de fala acelerada, diferente dos DP que se mostraram com variação restrita da f0 e velocidade de fala lentificada.

De acordo com Prado (2001), ao estudar a depressão em 60 pacientes com DP por meio da avaliação para transtornos psíquicos da escala UPDRS, 40% dos pacientes apresentaram depressão, 25% ansiedade, 11,66% irritabilidade, 8,33% pânico e 5% fobias. Nessa pesquisa foi observada associação estatisticamente significante entre depressão, ansiedade e irritabilidade.

Vitorino e Homem (2001) em pesquisa de revisão bibliográfica, também concluíram que alterações que prejudicam a comunicação oral provocam sérias

e negativas conseqüências na satisfação pessoal. A limitação e diminuição da qualidade de vida, como acontece com o portador da DP, é gerada pela dificuldade para executar os movimentos necessários para uma boa e inteligível emissão oral. Também concluíram que a dificuldade de interação parte de quem fala e também de quem ouve, ao impedir e desmotivar o paciente em manter conversa de forma agradável e prazerosa.

Dias (2003) estudou a efetividade do tratamento com o método Lee Silverman3 em 28 pacientes com doença de Parkinson. Como resultado, embora o padrão articulatório tenha se mantido impreciso, houve melhora estatisticamente significante no TMF, na freqüência fundamental e aumento da intensidade. O grau de rouquidão, soprosidade e inteligibilidade também melhoraram significativamente no pós-tratamento. Segundo a autora, esse resultado afetou a comunicação oral de modo favorável, gerou melhora no estado de humor e adequou a qualidade vocal às necessidades pessoais e sociais dos sujeitos.

Miller et al. (2006) estudaram o impacto das mudanças na comunicação do sujeito com DP em diferentes estágios proveniente das alterações fonoarticulatórias encontradas nessa população. Fizeram parte da pesquisa 23 homens e 14 mulheres com DP, que, em entrevista aberta relataram sobre a interação com outras pessoas, problemas com conversação, inteligibilidade e voz. Os estudiosos concluíram que as alterações vocais levaram os sujeitos a diminuírem a interação dentro e fora da família, bem antes dos problemas de inteligibilidade se agravarem. Diante disso, os autores ressaltam que alterações fonoaudiológicas leves já podem levar a mudanças na comunicação.