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Calibration of the OTS-1500 CTD

Este capítulo será uma desconstrução do conceito de self. Uusarei a palavra self para significar o ser humano, a pessoa, o indivíduo, o agente. Outros termos que encontramos na literatura filosófica e que pretendem designar aproximadamente a mesma coisa são: ego, eu, sujeito e si mesmo. Não vem ao caso agora e nem parece muito útil definir e distinguir todos os diferentes termos. O que importa é destacarmos que optamos pela palavra self porque ela parece dar certo tom reflexivo ao conceito da forma que necessitamos aqui. O termo inglês self parece

ser intraduzível para nosso idioma. Ele, numa tradução literal, corresponderia ao “me” da língua

portuguesa. Mas com isso se perderia o significado técnico que o termo em inglês possui. Aqui queremos destacar o termo self em dois sentidos: (1) identidade, características ou qualidades essências de qualquer pessoa (portanto um elemento comum que distingue o modo de ser dos tipos humano) e (2) a identidade, personalidade, características e individualidade de uma dada pessoa (isto é, o que torna uma dada pessoa própria e distinta de todas as outras). Então estamos falando de algo que nos une e ao mesmo tempo nos distingue. Podemos entender isso fazendo a pergunta: para que serve falar de uma desconstrução do self? Antes de mais nada, quando falamos de self, estamos falando daquilo que permite que uma pessoa em particular seja uma pessoa e seja a mesma pessoa ao longo do tempo e no meio de outras pessoas e coisas. Então, com o termo self, não estamos falando de uma identidade formal, do tipo lógico-matemático, de uma espécie de identidade que é uma relação do tipo A=A. Mas, antes de mais nada, com esse termo queremos designar um processo de autocompreensão dos agentes humanos em que ocorre um processo de autoidentificação do mesmo com o mesmo ao longo do tempo e estando num mundo.

Com o termo self pretendemos designar algo da identidade humana que nos une e nos diferencia. Mas que mesmidade é essa que é constantemente reidentificada pelos seres humanos enquanto eles compreendem a si mesmos e as coisas do mundo? Certamente que não vamos encontrar aqui uma entidade no mundo ou dentro do cérebro humano que possamos chamar de self. Essa é uma das razões de estarmos falando de uma desconstrução metafísica do self. Mas o que pretendemos com isso? Temos que começar vendo como as noções de self e de metafísica estão implicadas – para então passar para a desconstrução do sentido do self. Gadamer disse o seguinte sobre metafísica e seu possível fim no século passado:

Nós vivemos na era da ciência. Com isso o fim da metafísica parece ter chegado. Também o fim da religião? Também o fim da arte? Enquanto perguntarmos assim, enquanto continuarmos efetivamente formulando questões, tudo permanece em aberto. Mesmo a possibilidade da metafísica. A metafísica talvez não seja apenas – e mesmo em Aristóteles ela não é apenas – aquela ontologia que busca constituir junto ao ente supremo o que o ser é. Ela significa muito mais a abertura para uma dimensão que, sem fim como o próprio tempo e presente fluente como o próprio tempo, envolve todo o nosso questionar, todo o nosso dizer e todas as nossas esperanças (GADAMER, 2008, p.121)

Muitos daqueles que se movem entre os canteiros da desconstrução pensam que o que quer que metafísica tenha sido, hoje ela acabou. Agora podemos todos viver, aliviados e tranquilos, numa época de inocência pós-metafísica. No entanto, se metafísica significa uma reflexão radical e razoavelmente sistemática sobre os conceitos fundamentais que nos orientam no mundo – como é o conceito de self – e se ela é aquela abertura que envolve todo o questionar humano, como disse Gadamer, então permanece tão indispensável quanto sempre foi. Apesar disso, estamos vivendo agora as consequências de uma série de derrotas que a metafísica sofreu no século passado, estamos numa época que se alimentou dos insights brilhantes de pensadores como Derrida, Carnap, Wittgenstein e Heidegger contra o pensamento metafísico. Heidegger tentou repensar a metafísica a partir de seu adentramento nela, mas a porta pela qual ele entrou foi a mesma pela qual saíram Derrida e Tugendhat para nunca mais voltarem. Mas já faz um bom tempo que Derrida e Heidegger sentaram-se diante de suas máquinas de escrever com a finalidade de desconstruir a objetividade do pensamento metafísico ocidental. Uma nova geração chegou sem ter um repertório de ideias próprias que pudesse fazer frente aos antigos críticos da metafísica. Claro que aquela geração é realmente difícil de ser superada ou igualada, no entanto devemos ser capazes de fazer uma espécie de balanço para vermos até que ponto as ideias que derrubaram a metafísica no século passado ainda se mantêm.

E quem tem autoridade para decretar o fim da metafísica? Isso pode ser apenas uma intenção disfarçada de fato, como alguém que insiste que parou de chover apenas porque quer sair de casa e fazer um passeio pela Redenção. A metafísica teria chegado ao seu fim porque resolvemos todos os seus problemas, ou porque eles agora não passam (a quem?) de pseudoproblemas, ou porque nos cansamos e desistimos dessa empreitada? Toda a metafísica acabou ou somente algumas partes dela? E se os fundamentos absolutos acabaram, como tem tanta gente fundamentalista por aí?E a possibilidade mais bizarra de todas: e se essa derrota nunca tivesse acontecido?

E o que se daria se, de uma hora para outra, a metafísica se visse não mais combatida e abafada, mas inútil, dona de um discurso completamente desarmônico com os tempos atuais, como uma linguagem que não se leva mais a sério, como os textos místicos e as declarações de

amor romântico, que ninguém nem ao menos se dá ao trabalho de investigar sua verdade ou falsidade? Como se espera que o pensamento metafísico reaja a uma derrota desse tipo? Muitos, sem cerimônias, desaguariam para a epistemologia, vendo nos antigos sonhos metafísicos um idealismo infantil. Outros poderiam manter a fé na metafísica, mas por nostalgia de um tempo que se perdeu, presos a uma identidade ilusória. Existem ainda aqueles metafísicos devotos, como o Puntel, que parece que nada no mundo desvirtua sua fé na metafísica, mas estes são cada vez em menor número.

Não precisamos pensar muito para concluir que no mundo da desconstrução as ações da metafísica estão em baixa. Ela, com seu perguntar pelo mesmo, não é mais tão popular como já foi na história da filosofia. Hoje a lista de assuntos que despertam o interesse de pós-graduandos das áreas das humanas passa longe de ter qualquer reflexão metafísica sobre aquela dimensão assinalada por Gadamer. Entre os estudantes da cultura e das teorias da diferença e da desconstrução o assunto da moda é o Outro. É sempre a diferença que importa mais. Enquanto isso estudantes bem vestidos e de fala mansa amontoam-se nas bibliotecas e nas salas de aula de cursos de extensão em Filosofia do IDC para discutir assuntos como Filosofia e fotografia, Filosofia e moda, Filosofia e o Rock, Filosofia e filmes pornôs. É como se esses entusiastas dos tópicos chiques levassem a sério o conselho que diz que estudar precisa ser divertido. É mais divertido dar um curso sobre a relação entre o rock e a filosofia trágica de Nietzsche do que sobre o conceito de linguagem de Heidegger em Ser e Tempo. Isso cria uma ligação entre a vida intelectual e a vida ordinária. Antes o rock, o cinema e fotografia eram distrações que você tinha quando queria se afastar dos estudos filosóficos: agora, na desconstrução, eles podem justamente ser o tema que você está estudando filosoficamente. Isso tem sua vantagem. A vantagem é que as questões intelectuais não são mais as vacas sagradas, assuntos confinados nas torres de marfim da academia, mas fazem parte do mundo da mídia, dos shoppings e das festas frequentadas pelos pesquisadores. Outra virtude desse tipo de pesquisa é mostrar que a cultura popular também merece ser considerada filosoficamente. Com poucas exceções o pensamento filosófico ignorou completamente a vida diária das pessoas comuns. Ainda hoje é muito difícil que encontremos num PPG em Filosofia alguém pesquisando sobre um autor que ainda está vivo. Então você terá sérios problemas se sua maior referência teórica for Puntel e ele insistir em não morrer – ou, pelo menos, isso pode servir de incentivo para enfiar uma faca nas costas do professor, numa noite de neblina, depois de uma palestra na Unisinos.

Com a popularidade da desconstrução, sexualidade também ganhou direitos nas reflexões filosóficas. Se antes os filósofos se comportavam como se as pessoas não tivessem órgãos sexuais, agora eles sabem que a existência humana tem tanto a ver com desejo sexual

do que tem com a racionalidade abstrata. O problema é que esses filósofos, muitas vezes, se comportam como um professor de teologia celibatário de meia-idade que numa bela e abençoada noite descobre por acaso o sexo e depois passa a ficar freneticamente obcecado por isto, tentando compensar o tempo perdido. Um bom exemplo disso é o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé.

Isso tudo não aconteceu da noite para o dia. O século da desconstrução foi tanto trágico como vibrante filosoficamente. O Walter Benjamin maduro acusou o mundo de ter se tornado empacotado pelos poderes da propaganda e da mercadoria. Essas questões estavam mais ligadas à cultura, à experiência vivida, e não eram questões sobre as quais a metafísica tradicionalmente tivesse muito a dizer. Esse mesmo mundo claustrofóbico, codificado e administrado, que foi denunciado por Benjamin, ajudou a gerar o tipo de filosofia que vemos hoje ter destaque na academia. E assim o que nem Benjamin foi capaz de prever é que a prática teórica filosófica correria o risco de ela própria virar mais uma cintilante mercadoria, propagandeando e valorizando constantemente seu valor simbólico.

De qualquer forma, parece que antes se media o valor do que era estudado na Filosofia pelo quão fútil, tedioso e chato fosse o tema, enquanto hoje deve se tratar de algo que tenha alguma relação com aquilo que você e seus amigos fazem numa sexta-feira à noite na Cidade Baixa. Todas essas pesquisas que tratam de todas essas coisinhas que hoje estão na ordem do dia olham com desconfiança os velhos e ultrapassados acadêmicos que ainda ousam falar de conceitos metafísicos como o de ser, o mundo e a identidade. O nosso problema é que os conceitos com os quais trabalhamos em metafísica não são bonitos, claros e transparentes, mas são muitas vezes emblemáticos, obscuros e confusos, como a noção de ser, de mundo e de diferir. E como qualquer pesquisa acadêmica séria, uma pesquisa em metafísica requer calma, autodisciplina e uma grande disposição para se ficar entediado.

Mas ainda não respondemos como é possível uma relação entre metafísica e a desconstrução do self. Sabemos que ser um self é em grande parte ser composto de experiências singulares, únicas, delicadas, espontâneas e não de doutrinas abstratas. Será que nossa abstração metafísica não vai acabar matando tudo isso de vez? Não corremos, com isto, o risco de perdemos o que temos de melhor enquanto humanos? Não temos como propor uma metafísica do individual. Mesmo que a vida humana seja específica, a metafísica é geral. Quando pensamos nas pessoas no seu mundo da vida e queremos pensar como elas são capazes de significar a sua experiência vivida e sua finitude, quando pensamos nessas coisas parece muito difícil ver como haveria uma metafísica disso tudo.

E assim, à primeira vista, metafísica e self não aparecem fazer uma dupla tão entrosada quanto Paulo Nunes e Jardel ou Quentin Tarantino e Samuel L. Jackson. Na verdade, tradicionalmente a metafísica via na vida finita humana mais como um obstáculo às suas pretensões totalizadoras, e não como um aliado seu. Metafísica tinha a ver com o universal ao invés do particular, com a totalidade ao invés dos limites. De suas alturas, ela olhava com desprezo para as pessoas levando a vida lá em baixo, nas terras áridas da finitude. Com isso eu quero dizer que inicialmente a metafísica parecia ser pensada como um campo desligado do ser humano. Ela tratava do ente, do ser supremo, de suas características e de seus princípios. No entanto, se entendermos por metafísica aquilo que Heidegger entendia quando disse que “a metafísica é o acontecimento essencial no âmbito de ser-aí. Ela é o próprio ser-aí” (HEIDEGGER, p.44, 1979) vemos que ela está diretamente ligada à noção de self, uma vez que está essencialmente ligada ao próprio ser humano enquanto ser humano. Mas o que Heidegger queria dizer com essa frase? Eu entendo que com esse enunciado ele pretendia definir a metafísica como um tipo de autoreflexão crítica das condições de possibilidade do sentido da vida humana.

No entanto, com a desconstrução, a vida humana começou a significar mais do que a metafísica tradicional objetificadora era capaz de dizer. Ela começou a significar filme, moda, imagem, propaganda, mídia. Esses significados passaram a ser o ar que respiravam muitos movimentos literários de vanguarda, como o Dadaísmo e o Surrealismo. A metafísica, se aceitarmos a consideração feita anteriormente, não pode simplesmente fingir que a vida humana não está hoje imaculada por essas coisas e que essas coisas não tocam naquilo que é próprio da identidade humana. Agora é vital que se faça uma desconstrução do sentido da identidade humana dentro desse cenário.

Podemos pensar que a teorização metafísica acontece quando somos obrigados a ganhar uma nova autoconsciência sobre a nossa forma de ser no mundo. Propor uma uma desconstrução metafísica do self é, dessa forma, assumir que não podemos tomar o self como algo garantido, o que nos obriga, assim, a constantemente tornarmos a nós mesmo objetos de nossa investigação. Vemos, com isso, que, ao contrário do que se poderia pensar à primeira vista, sempre, necessariamente, existe algo muito narcisista na metafísica, certa forma de nos centrarmos em nosso próprio umbigo, no self – pelo menos quando se trata do que entendemos aqui por metafísica. E isso é muito complicado. É complicado porque parece que na filosofia da desconstrução o narcisismo é um crime de pensamento apenas um pouco menos grave do que o fascismo. Para onde quer que olhemos na desconstrução, vemos os teóricos

compromissados em popularizar as suas teses apoiadas no conceito de alteridade. Então agora passa a predominar, ao invés de a identidade, a diferença.

Claro que não estamos falando aqui de um narcisismo cego, que levaria os metafísicos a escreverem obcecadamente livros e livros sobre a questão do ser enquanto tal e em seu todo ignorando que boa parte da população da terra passa fome e não vive em condições sanitárias adequadas. O que queremos destacar é que a metafísica não é uma filosofia de vida ou um guia prático, e, então, ela não é obrigada a se pronunciar sobre qualquer coisa entre se sair bem em uma entrevista de emprego e dizer os males do capitalismo tardio. Grosso modo, ela é uma descrição de como o nosso modo de ser no mundo se dá e se transforma com a história. Não é uma deficiência da metafísica não saber dizer qual sistema político deveria ser preferível ou sobre qual a melhor forma de se começar a conversa como uma garota numa festa. É muito curioso que muitos daqueles que acusam a metafísica de não dizer o suficiente são os mesmos que desprezam as grandes narrativas que tentam dizer demais.

Se pensarmos nas críticas ao pensamento metafísico que aconteceram no século passado, podemos ver que mesmo com todo o trabalho de desconstrução e superação, ela continuou como o horizonte supremo do filosofar. Pensadores como Heidegger e Derrida, cada um ao seu modo, estavam preocupados em ir além da metafísica, mas era esse justamente o horizonte que eles dispunham para ultrapassar, não algum outro. Ninguém estava discutindo com a mitologia romana ou com as religiões do antigo Egito. Dessa forma, mesmo que negativamente, a metafísica manteve a sua centralidade. Ela era, pelo menos, alguma coisa contra a qual se podia jogar.

Toda essa desconstrução da metafísica tradicional teve seus resultados. Ela derrubou um bom número de certezas ilusórias, desmantelou totalidades paranoicas, contaminou purezas antes intocáveis e abalou as bases do pensamento ocidental. Isso não é pouca coisa. Mas a conseqüência disso foi que ela desorientou fortemente aqueles que pareciam ter certeza do que eram: os metafísicos, que perderam sua soberania no pensamento do homem ocidental. Isso criou um ceticismo ao mesmo tempo animador e paralisante. Todo esse movimento de revisão dos supostos do pensamento metafísico serviu para desnaturalizar certas noções que teimosamente governavam o pensamento filosófico. Ao arrancar as bases da metafísica, alguns críticos da metafísica conseguiram evitar o estorvo de se ocupar diretamente como questões ontológicas. Afinal, não precisamos propor uma crítica detalhada a certos conceitos metafísicos se argumentarmos que eles são ambíguos, indeterminados e que não podemos chegar a uma conclusão sobre eles.

E se alguns pensadores do século passado eram profundamente críticos da metafísica, outros ainda partilhavam de algumas de suas questões. É difícil, olhando as coisas do presente, dizer se filósofos como Heidegger e Derrida estavam repudiando a metafísica ou se a estavam renovando. Para isso, em primeiro lugar, precisamos pelo menos ter uma visão clara do que é metafísica no sentido que tratamos aqui. Mas isso sempre foi parte do problema. Não seria por essa sua ambiguidade fundamental, por ser quase indefinível, que a metafísica angariou para si mesma uma fama tão ruim?

Se pararmos um pouco para pensar nas passagens de Heidegger e Gadamer citadas anteriormente, vemos que os dois autores colocaram a questão de que à medida que o homem existe, existe de alguma forma o pensamento metafísico. O que isso significa? Isso significa, primeiramente, que o próprio ser humano é determinado através de uma dimensão que é a compreensão que elabora o nível da pré-compreensão que o homem sempre traz consigo. A metafísica seria o campo privilegiado capaz de articular conceitualmente essa dimensão. Essa compreensão de metafísica não está mais presa à relação sujeito/objeto, como as metafísicas modernas ainda estavam por causa da noção de “representação”, pois ela é marcada fortemente

por algo que podemos chamar de “metafísica da finitude”. Dessa forma, ela passa a ser uma

metafísica da historicidade. E isso implicou que as grandes questões metafísicas, as questões sobre o ser, Deus, a identidade, passaram a ser pensadas sempre num movimento junto com a condição humana finita. É assim que um novo paradigma metafísico foi colocado por esses autores ao mesmo tempo em que a concepção de metafísica moderna foi sendo rejeitada junto com sua noção de subjetividade. Com Heidegger, o Dasein, com a noção de ser-aí, coloca-se um elemento teórico novo, um outro nível em que as ideias modernas de subjetividade, consciência e representação não davam mais conta. Esse novo campo de descrição fenomenológica Heidegger chamou de pré-compreensão. E ele fez isso porque o espaço da analítica existencial é uma dimensão que analisa os existenciais como características humanas como seres humanos finitos e limitados. Portanto, a pré-compreensão e os existenciais são características que nós carregamos conosco porque nós não somos capazes de operar com plena compreensão de nós mesmos. É por isso que Heidegger vai colocar, em Ser e tempo, a pergunta pelo sentido do ser no horizonte do tempo: o ser sempre se manifesta finitamente no campo aberto do sentido. Essas ideias heideggerianas são indispensáveis para a noção de self que pretendemos propor neste capítulo.

Essas considerações sobre Heidegger também foram importantes para mostrar que o filósofo opera filosoficamente numa dimensão que permitiu que ele, por assim dizer, salvasse a metafísica tratando a questão do ser não da forma do ser objetificado, da subjetividade

moderna, mas sim do ser enquanto manifestação que se esconde lá onde ele aparece. Isso é