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Para Burle Marx as questões de harmonia e contraste das cores, de estrutura e forma, são questões tão importantes como pintor bidimensional, como se referia a si mesmo, como o são num jardim de três ou quatro dimensões. “Minhas duas profissões se complementam.”28

A diferença entre o pintor bidimensional e o paisagista tridimensional, segundo Burle Marx, é que a planta – sua matéria-prima – não é estática. Ela possui seu próprio ciclo: uma simples mudança dos efeitos da natureza, seja na variação do tempo, do clima, já pode afetar a sua cor e até mesmo sua estrutura.

Conforme Vera Beatriz Siqueira, o interesse do paisagista era transferir para o projeto de jardim, a diversidade, a instabilidade e os complexos processos de associações naturais das plantas tropicais, para isso um árduo trabalho de observação, compreensão e interpretação da paisagem, foi necessário.

Burle Marx trabalha com contrastes cromáticos intensos. No lugar de plantar em excesso, Burle Marx utilizava poucas espécies, sendo elas capazes de destacar as qualidades uma das outras.

Nos projetos eram essenciais o uso da água, sendo ela aplicada através de espelhos d‟água, lagos etc. O valor plástico de seus jardins foi conseguido através da observação das diversas espécies vegetais. Burle Marx descobria novas texturas, cores, ritmos e luminosidade através da paciência do olhar dessas plantas. Durante uma etapa de seu trabalho, que compreende o período de 1930 à 1950, Guilherme Mazza Dourado nos diz que essa sintaxe plástica podem ser vistas de duas maneiras:

28 FLEMING, Laurence. Op. cit., p. 63-64.

Ilustração 27 – Paisagem de Santa Teresa, Rio de Janeiro RJ, Roberto Burle Marx

1º – Questões plásticas da cor. A cor tornou-se um dado estrutural e protagonista de sua obra, a harmonia e os contrastes cromáticos, pela herança e influência dos mestres ingleses (Gertrude Jekyll e Willian Robinson) na arte do paisagismo, em relação à policromia das florações.

2º – Questão da forma no paisagismo.29

A estratégia do contraste – princípio central do paisagismo de Burle Marx. De certa forma essa estratégia derivava de suas atividades como pintor.

Na verdade, Burle Marx descobriu que tudo o que o rodeava poderia ser motivo de inspiração para a sua arte e o fato de morar no Rio como já dissemos, teve papel muito importante para a sua carreira artística.

Sua obra é um todo indissociável: sua arte e seus jardins são uma forte correspondência. 1.5. Roberto Burle Marx – projetos em São Paulo

Burle Marx realizou diversos projetos paisagísticos no Estado de São Paulo com certa regularidade. Dentre as relações profissionais, se destacam as parcerias com os arquitetos Rino Levi, Marcello Fragelli, Ruy Ohtake, Hans Broos e Miguel Juliano.

Aproveitando de sua convivência com pessoas influentes na sociedade paulistana, Burle Marx foi apresentado a políticos que exerciam cargos no governo do Estado de São Paulo que coincidentemente já o conhecia pelo seu trabalho realizado ao longo dos anos. Estes o convidaram para realizar projetos paisagísticos

29 Cf. DOURADO, Guilherme Mazza. Modernidade verde jardins de Burle Marx, p. 105-108.

Ilustração 29 – Begônias. Roberto Burle Marx

Ilustração 29 – Abstrato. Roberto Burle Marx

Ilustração 30 – Proposta de Burle Marx para Parque Ecológico do Tietê, São Paulo SP

em obras públicas no Estado de São Paulo; como parques, edifícios institucionais, obras de arte que seriam expostas em recintos públicos. Estes trabalhos vieram acrescentar maior visibilidade a sua obra em curso.

Mesmo não fazendo parte do recorte desta dissertação, vale a pena mencionar três contribuições significativas de Roberto Burle Marx para a cidade de São Paulo. A primeira delas é o Parque Ecológico do Tietê, projetado em duas etapas, com arquitetura e urbanismo de Ruy Ohtake. A segunda seria o Parque Burle Marx, na região sul de São Paulo. A terceira seriam os jardins verticais, hoje parte da história do paisagismo paulista. Dentre eles se destacam os jardins verticais do entorno da Casa das Rosas (atual Museu, localizado na Avenida Paulista), do Edifício Parque Cultural Paulista (arquitetura de Julio Neves) e do Banco Safra, 1988 (agência Bela Cintra, que se localiza na Avenida Paulista).

Em seus jardins verticais, Burle Marx cria esta composição com formas geométricas irregulares. Faz uso de cores variadas de pedra portuguesa para criar contrastes e para sobressair os volumes do desenho ele cria formas e jardineiras em auto-relevo, com o concreto armado.

Burle Marx, que atuava em São Paulo desde a década de 1950, realizou projetos excepcionais para clientes particulares, com destaque para os jardins da Residência Olivo Gomes em São José dos Campos, SP, 1950-1965; Residência Clemente Gomes, São Paulo, SP, 1968; Abadia de Santa Maria, São Paulo, SP, 1975; Residência José Egreja, Penápolis, SP, 1975, entre outros projetos.

Analisando os seus projetos, notamos que Burle Marx estudava em primeiro lugar vários aspectos geográficos daquela micro-região inserida na macro-região. Um fator relevante nesta análise é a observação das Ilustração 31 – Parque Ecológico do Tietê,

diferenças entre paisagens topográficas, climáticas e paisagísticas das diversas regiões paulistas. Compreendendo as áreas que vão do litoral, do planalto paulista a Serra do Mar.

Compondo o seu paisagismo utilizando-se dos aspectos topográficos do terreno e da capacidade em receber determinadas espécies vegetais para que a composição ali projetada tivesse sucesso de germinação, harmonia da vegetação em si, etc. O seu aguçado senso de observação empírica em relação ao meio ambiente e a arte em si, lhe dava condições para criar algo diferente, inovador, que vinha de encontro com aquilo que as pessoas desejavam que fossem os seus jardins.

Ilustração 32 – Casa das Rosas, São Paulo SP

Parque Burle Marx, 1995

Parque do Flamengo, 1960 / Residência Edmundo Cavanellas, 1950

O Ilustrações 33, 34 e 35 – Parque Burle Marx, São Paulo SP

Ilustrações 36-37 – Parque do Flamengo, Rio de Janeiro RJ Ilustração 38 – Residência Edmundo Cavanellas, Rio de Janeiro RJ

Os jardins verticais também fizeram parte de sua produção na história do paisagismo paulista. Dentre eles se destacam os jardins verticais do entorno da Casa das Rosas (atual Museu, localizado na Avenida Paulista), do Edifício Parque Cultural Paulista (arquitetura Julio Neves) e do Banco Safra, 1988 (agência Bela Cintra, que se localiza na Avenida Paulista).

Em seus jardins verticais, Burle Marx cria esta composição com formas geométricas irregulares. Faz uso de cores variadas de pedra portuguesa para criar contrastes e para sobressair os volumes do desenho ele cria formas e jardineiras em auto-relevo, com o concreto armado.

Ilustração 39 – Casa das Rosas e Edifício Parque Cultural Paulista, São Paulo SP

Casa das Rosas e Edifício Parque Cultural Paulista, 1990

Banco Safra (agência Bela Cintra), 1988 Ilustração 41 – Jardins verticais de Burle Marx, Casa

das Rosas, São Paulo SP Ilustração 42 – Jardins verticais de Burle Marx, Casa das Rosas, São Paulo SP

Ilustração 43 – Jardins verticais de Burle Marx, Banco

Safra, São Paulo SP Ilustração 44 – Jardins verticais de Burle Marx, Banco Safra, São Paulo SP

Ilustração 45 – Jardins verticais de Burle Marx, Banco Safra, São Paulo SP

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