3.3 Calculation of Thermodynamic Properties
3.3.2 Calculation of the composition of the gas
A RDSA foi criada em 1998, abarcando uma área de aproximadamente 2.313.000 hectares, com o objetivo de conectar a RDS de Mamirauá ao PNJ. É gerida pela esfera de poder estadual, permitindo a cogestão pelas comunidades locais organizadas. Parte significativa da RDS está inclusa nos limites da Bacia do Rio Negro.
93 Portanto, Amanã tem papel importante na preservação dos recursos hídricos da região e, consequentemente, na manutenção dos serviços ecológicos (FVA, 2011).
A categoria RDS surgiu em 1996, tendo sido incorporada pelo SNUC em 2000. A RDS Mamirauá foi a primeira a ser criada. Na década de 1990, a então Estação Ecológica Mamirauá implementou um sistema de cogestão, por meio da celebração de um acordo entre a ONG Sociedade Civil Mamirauá e o governo do Amazonas. Posteriormente, a ONG propôs ao governo estadual a recategorização da ESEC como uma nova categoria de UC, a RDS. A criação da ESEC Mamirauá foi proposta ao governo do Amazonas pelo fotógrafo Luís Cláudio Marigo e pelo biólogo José Márcio Ayres, em 1985. Esses profissionais atuavam na área da ESEC. O objetivo principal que norteou a criação da ESEC Mamirauá foi a proteção do Uacari Branco (Cacajao calvus
calvus). Na época, a espécie constava na lista vermelha de espécies ameaçadas de
extinção do Brasil e da IUCN. Em 1986, a demanda de Marigo e de José Márcio Ayres foi atendida e por meio do Decreto do Governo do Amazonas nº 12.836, de 09 de março de 1990, foi criada a ESEC Mamirauá. A UC abarcou uma área de aproximadamente 1.124.000 hectares (PERALTA & QUEIROZ, 2006).
A ESEC é uma UC de proteção integral e, portanto, não permite moradores dentro de sua área. No entanto, dentro dos limites da ESEC Mamirauá, anteriormente a sua criação, já havia comunidades residentes. O próprio Ayres assumiu o compromisso com os moradores da ESEC de, em um futuro próximo, buscar enquadrar o Mamirauá em uma categoria de UC compatível com a permanência de seus moradores. A solução foi a criação de uma nova categoria, a RDS. O objetivo da recategorização foi assegurar a conservação ambiental a longo prazo, engajar a população local nas ações de conservação, garantir a sua participação nos processos de planejamento e gestão da UC, bem como promover a prática do manejo sustentável dos recursos naturais presentes (PERALTA & QUEIROZ, 2006).
A nova categoria criada visava combinar conhecimento científico e tradicional na conservação e manejo da biodiversidade. Para tanto, a RDS requer um programa forte de pesquisa científica. Numa RDS, o conhecimento gerado pela pesquisa tem o papel de subsidiar a elaboração de seu Plano de Manejo. A RDS Mamirauá conta com uma unidade de pesquisa, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá - IDSM, criado em 1999. O IDSM é um centro de pesquisa fomentado e supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI, havendo interesse do governo em
94 transformar a RDS em um laboratório de pesquisa aplicada. Em síntese, a RDS corresponde a um modelo de UC que tem como meta o manejo participativo aliado à pesquisa científica que o subsidia (PERALTA & QUEIROZ, 2006; IDSM, 2014).
O IDSM atua nas RDSs Mamirauá e Amanã, por meio dos Programas de Agroecossistemas, Gestão Comunitária, Manejo de Pesca, Manejo Florestal Comunitário, Qualidade de Vida e Turismo de Base Comunitária. A RDS do Amanã ocupa uma vasta área localizada entre os rios Negro e Japurá, situada na região central do Estado do Amazonas, cobrindo áreas dos municípios de Barcelos, Coari, Codajós e Maraã. Na área da RDSA, ocorrem ecossistemas de várzea e de terra firme, o que resulta na diversificação sociocultural das comunidades que residem em Amanã. A RDSA corresponde a uma das maiores áreas protegidas de floresta tropical da América do Sul, que associada aos seus vizinhos PNJ e RDS Mamirauá forma um bloco contíguo de área destinada à conservação de aproximadamente 5.746.000 hectares (IDSM, 2014). Na RDSA, a biodiversidade presente é rica, com ocorrência de uma ampla variedade de espécies de pássaros, mamíferos e roedores, servindo também de habitat para diversas espécies em extinção, como o peixe-boi (Trichechus inunguis) (ISA, 2014).
Conforme o Instituto Socioambiental, dentre as atividades desenvolvidas pelos moradores da RDSA estão a agricultura itinerante, a pesca, a caça, a exploração madeireira e a pecuária. A agricultura itinerante é caracterizada pelo sistema de derrubada e queimada. Na RDSA, ocupa áreas de mata virgem e de capoeiras. Nas áreas de terra firme da RDSA, os roçados normalmente permanecem no local por até dois anos, fazendo seu percurso itinerante após este período, quando ocorre o desgaste do solo. O solo destinado à produção agrícola é deixado em sistema de pousio por um período de dois a cinco anos, com a finalidade de regeneração. De acordo com este sistema itinerante, a agricultura vai ocupando novas áreas na RDSA de forma constante.
Para Araújo, Gama e Lima (2006), a pecuária está presente na RDSA há algumas gerações. Os principais produtores são ribeirinhos que pretendem somar a atividade pecuária aos seus regimes econômicos familiares constituídos da pesca, da caça, da agricultura e do extrativismo. Praticada em pequena escala na RDSA, a pecuária na Amazônia está intimamente relacionada com o desmatamento, sendo responsável em grande parte pela degradação ambiental da floresta tropical, pois para estabelecer pastos é preciso desmatar. Aprática da pecuária na RDSA tem sido um dos
95 principais obstáculos para a concretização dos objetivos de conservação da unidade. Isto ocorre porque há o risco da pecuária tomar maiores proporções na RDSA, uma vez que existe a possibilidade da chegada de novos criadores, com maior potencial econômico, aptos a adquirirem maiores proporções de terras por meio da compra de áreas dos moradores da RDSA, o que é ilegal. Este processo é conflitivo com o desenvolvimento de atividades sustentáveis na RDSA, capazes de gerar renda e promover a conservação ambiental de forma concomitante.