À data da entrevista, as duas monitoras trabalhavam no Pavilhão há cerca de cinco anos e não exerciam nenhuma outra actividade profissional para além dessa. A monitora 1 frequentou a licenciatura em física mas não a concluiu, tendo por isso a expectativa de o vir a fazer. A monitora 2, por seu turno, é recém-licenciada em ensino de física e química.
Ambas revelam satisfação na actividade que desempenham no PC, sublinhando como positiva a sua participação em vários projectos que lá são desenvolvidos. A monitora 2, por exemplo, participou desde o início na actividade Um Crime no Museu. Já a entrevistada 1 é uma das monitoras que estão afectas à exposição A Física no Dia-a-Dia. Ela foi uma das profissionais que colaboraram na montagem da exposição e que ajudaram a testar as suas experiências. Ambas dinamizam também outras actividades, como ATL’s organizados pelo Pavilhão. Para além desses projectos e actividades, as monitoras desempenham as suas funções normais de apoio aos visitantes na área expositiva, alternando entre várias exposições.
Importa pois especificar o papel destes profissionais no âmbito expositivo. Segundo António Gomes da Costa (Costa, 2005), actual director do PC, o que se pensa acerca do papel do monitor num centro de ciência é determinado pelo objectivo que se atribui a esse próprio centro de ciência. Se estamos a falar de exposições interactivas, elas são concebidas para promover um comportamento activo no visitante ou mesmo para induzir nele algum tipo de “comportamento científico”, que passa pela observação, questionamento, manipulação, experimentação, avaliação crítica das respostas.
É neste sentido que para Gomes da Costa a adopção de uma atitude explicativa por parte dos monitores não se coaduna com o tipo de exposições em causa. Ela aniquila a interacção do visitante com a exposição. Os monitores devem assim percepcionar-se não como professores mas como promotores/auxiliares da aprendizagem: “Science centers are definitely places for learning, not places for teaching. Explainers should not face themselves as teachers, or educators, but as someone that helps someone else to learn. (...)
An explainer should motivate, rather than explain, should question rather than answer, should challenge rather than present solutions (…).” (Costa, 2005).
Os monitores do PC são instruídos de que o seu papel não é de explicador: “o monitor está lá para ajudar a explorar, mas temos de ver como essa exploração é feita, não é chegar e explicar”. Quando solicitado, o monitor deve intervir e prestar as explicações que lhe são solicitadas, mas não deve adoptar uma estratégia de intervenção constante e de explicação exaustiva. Deve deixar que os visitantes explorem por si e descubram por si, que eles próprios encontrem as respostas, impelindo-os quando achar necessário à experimentação ou apoiando-os a retirar conclusões dela, mas não os substituindo.
Uma das funções desempenhadas pelas monitoras, referida ao longo da entrevista, é precisamente estimular os visitantes a experimentar e suscitar neles a curiosidade pelos resultados obtidos:
O Toca na Mola, as pessoas (…) têm medo de meter a mão, e a gente diz aos miúdos que quem apanhar aquela mola que estão ali a ver tem um prémio.
O das luzes às vezes basta fazer uma pergunta para deixar as pessoas mais interessadas, que é “Já reparou que tem aí uma sombra amarela mas não há aí nenhuma luz amarela?”, às vezes se nós não dissermos isso elas nem reparam que as sombras que estão a ver são diferentes das luzes...
Ao reflectir sobre o seu papel enquanto monitora, a entrevistada 2 confessa que nem sempre é fácil gerir a intervenção junto dos visitantes. A motivação é uma vertente importante, mas o monitor não deve comandar a descoberta do visitante. Por outro lado, nem sempre a sua intervenção é encarada de forma positiva pelo visitante, nomeadamente entre os que transparecem mais dificuldades na experimentação. As crianças são consideradas um “alvo” mais receptivo do que os adultos.
Acho piada que eles explorem e para não ser maçadora que sejam eles a descobrir e se precisarem de ajuda virem ter comigo (...). Mas eu “ataco” mais as crianças, gosto mais, acho que são um alvo mais fácil, mais receptivo, com os adultos é preciso um certo jogo de empatia, alguma sedução, que não é só sedução, é outra coisa... porque senão podemos ser mal interpretados, podemos ser maçadores, inconvenientes, porque há pessoas que querem estar em família, não querem ser ajudadas também, não querem que se note as falhas que têm de não terem percebido, de não serem da área...
Contudo, ambas as monitoras referem que têm vindo a observar uma certa mudança ao longo do tempo no que respeita à reacção dos adultos perante os monitores, principalmente quando são abordados. Segundo as entrevistadas, as pessoas actualmente já se mostram um pouco mais receptivas e abertas à ajuda dos monitores e, quando são abordadas, acabam por encarar esse apoio como uma mais-valia: “‘Ah ok eu não estava a
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perceber, ainda bem que aqui veio...’, é o comentário das pessoas”. As monitoras pensam ser esse o resultado de uma certa aculturação/familiarização, que vai acontecendo visita a visita.
Quando são os próprios visitantes a procurar os monitores, as perguntas são em grande parte relacionadas com questões de cariz prático, sobre os procedimentos de realização da actividade experimental, e não tanto com as explicações do seu conteúdo científico.
O papel dos monitores incorpora também outra espécie de funções, com uma componente mais logística, particularmente em exposições como A Física no Dia-a-Dia. Essa funções passam, por exemplo, pela reposição e arrumação de materiais.