universo da Arte, especialmente para as crianças mais novas. Muitos professores parecem acreditar que eles devem deixar as crianças se expressarem e dessa forma seu compromisso de ensino já está realizado. O que eles esquecem é que toda expressão tem conteúdo, mesmo que ela pareça referir-se primeiramente à própria Arte. Para se expressar, você precisa expressar alguma coisa (SOUCY, 2005, p. 41).
De acordo com Donald Soucy (2005), dizer que a aprendizagem em Arte está baseada na autoexpressão é uma interpretação equivocada das teorias do ensino de Arte que fazem parte do passado e que podem ser historicamente reconstituídas. Por isso, como afirma Chanda (2005), torna-se necessário compreender a história da Arte, porque ela ainda está muito influenciada e marcada por ideias tradicionais que precisam ser superadas. A escolha dos conteúdos, dos caminhos, das ações e das práticas em Artes Visuais não pode ignorar, como afirma Soucy (2005), que é o conhecimento da história do nosso passado que nos possibilita compreendermos melhor nosso presente e futuro como pertencentes a um determinado lugar.
Nesse sentido, de acordo com Macedo (2010), a Arte e a cultura como dois campos fundamentais da vida humana contribuem para a inserção do indivíduo em um lugar de pertencimento, de maneira que amplie as suas possibilidades de construção e da elaboração de si mesmo no mundo ao qual pertence. Isso fortalece a ideia de que o ensino de Arte na escola contribui para que o sujeito se identifique como pertencente a uma determinada cultura. No entanto, é preciso problematizar o que entendemos por Arte e cultura, refletindo sobre as possíveis relações entre os dois conceitos. A autora ao discutir cultura, cita Morin e Raymond Williams, ao definir a cultura como um
camaleão conceitual, que muda de sentido de acordo com o seu contexto. A complexidade do termo também é discutida por Raymond Williams, que lassifi a ultu a o o u a das duas ou t s pala as ais o pli adas da língua inglesa (...) principalmente porque passou a ser usada para referir-se a conceitos importantes em diversas disciplinas intelectuais distintas e em di e sos siste as de pe sa e to disti tos e i o patí eis WILLIAMS apud MACEDO, 2010, p. 166-7).
So e o o eito de A te uitas ezes associado como sinônimo de cultura, principalmente as dis uss es so e edu aç o MACEDO, , p. , a auto a afi a a e essidade de distinguir os conceitos e abordar a Arte como área de conhecimento. Para ela a Arte contribui para o desenvolvimento de formas de pensar, interpretar, decifrar metáforas, conceber possibilidades e formular hipóteses. Além disso, é necessário relacionar a Arte com a
73
imaginação estética e com diversificadas formas de registros gráficos, espaciais e virtuais. É por isso que a associação entre as Artes Visuais e linguagens precisa ser problematizada. Sobre esse tema, tão espinhoso no campo das Artes Visuais, muitos autores se posicionam de maneira diferente e questionam a associação quase natural e automática feita por pesquisadores e educadores entre esses dois campos. Estudos e pesquisas desenvolvidas atualmente indicam uma mudança de concepção em que a Arte deixa de ser vista como linguagem e passa a ser concebida como imagem. Nessa perspectiva, o processo de aprendizagem das Artes não aconteceria por comunicação, mas por metáforas. O campo da Arte passa a ser concebido como área de conhecimento cada vez mais determinada e autônoma (UFMG/EBA, 2009). Assim, não basta fazer um curso para adquirir a mais nova técnica, mas é necessário assumir uma nova concepção de Arte.
No entanto, para assumir esse novo sentido das Artes Visuais é preciso observar e considerar todas as transformações metodológicas e históricas das Artes, indo além do relacionar a Arte com a linguagem. A correspondência linear entre Arte e linguagem deve ser questionada, pois a Arte está localizada num local distinto, nem acima, nem abaixo, mas ao lado de todas as outras manifestaç es hu a as UFMG/EBA, , p.41). Nessa perspectiva, Macedo (2010) também afi a ue Arte tem conteúdo e o seu ensino/aprendizagem é que vai possibilitar avanços, como o refinamento da imaginação, a ampliação das fontes de significados pessoais e u ap ofu da e to do di logo EFLAND apud MACEDO, , p. . A autora afirma ainda que as discussões em torno de procedimentos e conteúdos específicos das Artes Visuais têm avançado nas escolas e em espaços alternativos superando, de acordo com ela, a visão de Arte apenas como forma de comunicação, expressão e linguagem. No entanto, se a Arte não pode ser concebida como conteúdo fechado e a palavra ensino ainda pressupõe algo que alguém que sabe, transmite a alguém que não sabe, é preciso ressignificar o sentido do ensino de Arte.
E isso vem avançando com a atuação de professores/as de Arte com uma formação que lhes permite tecer procedimentos e conteúdos significativos para o ensino de Arte, seja na escola ou nos espaços alternativos. Outras questões estão relacionadas à visão restritiva que pressupõe a Arte como linguagem, traduzível em palavras, e priorizando o seu viés de comunicação - nem sempre o mais importante e potente. A expressão ensino de Arte traz em sua própria estrutura semântica uma possível dicotomia, que se revela po u apa e te dese ai e e t e as pa tes . Nos te pos contemporâneos, ensino ainda pode pressupor algo fechado que alguém transmite a alguém, que por sua vez incorpora o que recebeu e, assim, se forma pelo outro. Já a Arte não pode ser concebida como algo fechado, que caiba em gavetas, ou passível de ser contido como conteúdo com início,