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É geralmente aceito que as ciências sociais examinam objetos impregnados de valor e significados, assim, fica entendido que as produções mentais, existencialmente condicionadas, estão inter-relacionadas com fatores do contexto social, econômico, cultural e político e, conseqüentemente, influenciam diretamente as organizações e a formação das equipes de trabalho também nos museus, com resultado direto no desempenho (eficácia/eficiência) dos mesmos.

4.4.5.1 Desempenho e Eficiência (administrativa e outras)

As organizações nos dias atuais contam ou, poderiam contar, com ferramentas da Administração, quais sejam: planejamentos estratégicos, planos diretores, missões e propósitos para atingir metas de médio e longo prazo. Essa atualização, nas gestões das instituições culturais públicas, é cada vez mais utilizada para agilizar o funcionamento de uma maneira geral. Para além dessas ferramentas citadas, igualmente importantes são as teorias museológicas. Buscamos na opinião dos OM colaboradores compreender como eles pensam essas mudanças e atualizações, ou a falta delas, e como se refletem nos seus desempenhos funcionais.

As instituições da Secretaria de Cultura estavam meio voando por si, acho que não havia uma união, que é o que se quer fazer agora; quer dizer, criar uma integração de todas as instituições. Cada um voava por conta própria, e acabava não voando porque perdia força (OM1.1).

Há incongruência da equipe com a direção. Fiz vários cursos feitos e ministrados, para estar atualizada, como restauro em papel; ministrei cursos de memória na instituição – anualmente, em março, oficinas, cursos, durante sete anos. O que falta? Metodologia, missão, plano diretor. A arqueologia ainda tem algum curso. A reforma vai melhorar a aparência e não a política (OM4.4).

A questão da Associação dos Amigos do Museu, uma organização que teve no seu início a intenção de apoio, hoje está institucionalizada, é uma figura jurídica com a missão de solicitar os recursos captados pelo museu. Circulam na imprensa brasileira, do centro do país, escrita e em web jornais, notícias de distorções no sistema, que foi transformado em política de Estado.

A Associação é que mantém administrativamente o Museu em várias coisas, os projetos todos são pela associação, já que o museu não pode ser proponente dos projetos, mas a direção acompanha. A Associação é forte, ela é muito boa, porque dá apoio; e tem a independência que tem para poder ousar como museu um pouco mais financeiramente, não depender somente da SEDAC. Ela é um órgão separado e que atua junto ao diretor (OM1.1).

Óbvio que não é um processo simples... Tem que ter, para outros casos de angariar recursos, a Ass. de Amigos, grande e além de tudo qualificada. Em muitas instituições abrem, pagam uma vez e não pagam mais, fizeram um projeto e não concluíram (os amigos...) e aí, quando precisa a documentação para ir adiante, eles não têm, estão presos, INSS, não está na melhor forma na questão de associados, [...] a Associação tem poucos sócios; quero centenas, milhares de pessoas, é um braço civil de uma organização como o sistema nacional de museus; ajuda a traçar o perfil da instituição, perfil de investimentos, [...] é assim que eu vejo uma associação de amigos hoje, gestora do museu também.(OM2.2).

[...] óbvio, este exemplo são Estados Unidos e Canadá, onde têm grandes associações e fundações. No Canadá, tem uma política de investimento cultural e de associações que é uma das mais modernas do mundo; claro, é um sistema diferente, porque lá, hoje, está faltando um passo muito pequeno para que o museu e as associações culturais tenham seus títulos na Bolsa; é uma associação que funciona voltada para isso, eles têm todo o dinheiro de que precisam – hoje funciona com um grande poder de status; se consegues uma associação com status, tudo bem, se não consegues, aí é o caso do Teatro São Pedro. O M1, é status ser amigo do M1, é uma questão tremendamente política, as pessoas que gravitam em torno têm condições de dar um certo respaldo; não é o caso do Júlio, não é o caso do Hipólito, do Taquara, Piratini, Arroio dos Ratos; tem esta questão, né?(OM2.2).

Eu tenho, como opinião forte, que o M1 e o MY (tem que ter conselho consultivo, tem que ter um conselho para dar o aval da administração; acho que é importante, artistas, empresários, intelectuais terem a sua opinião dentro da sua programação, isto o MAC também e vou fazer conselho de mantenedores, acho que tem que ter um grande padrinho. Acho que tem que ter um apoio, via projetos de Lei Rouanet, para ajudar as instituições a sobreviverem e navegarem independentes de SEDAC; um padrinho que adote o Museu como estrutura e dar um apoio, um suporte bom para a secretaria, que, claro, ela mantém uma parte que é oficial, alivia a pressão. Tu manténs a estrutura do Museu (OM1.1).

A LIC, a gente quer não pressionar ela no momento, ela está em reestruturação e, neste momento de enxugamento de impostos, acho que é bom pensar na federal. No estado, a gente pode ter parceiros, diretamente ligados, que não venham a fazer isenção de impostos. Tem muita gente que pode apoiar, como as empresas apóiam. Vamos manter a LIC, pois ela fica na assessoria da presidência e que fica na diretoria geral da SEDAC. Pegar

toda a verba da LIC, não dá. Tem de abrir, tem mais gente fazendo. A LIC não deixará de ser usada, estamos neste momento freando a LIC para nos dedicarmos mais à Rouanet (OM1.1).

Temos aqui projetos, mas é LIC, significa que temos que captar e temos falta de pessoal. O problema é ter que captar recursos e competir com outros tipos de eventos culturais. Fica uma responsabilidade a mais para os técnicos, que não tem como fazer; mas não se tem uma representação política para “vender” este projeto e isto depende de muitos outros fatores; isto é uma prioridade, por exemplo, ter os jornais conservados; aqui que teria de ter muito mais força (OM3.1).