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2. METODOLOGIA

2.2. C ONTEXTO : D ESCRIPCIÓN DE LOS CENTROS EDUCATIVOS ESTUDIADOS

A expressão CTS representa tanto um objeto de estudo quanto um campo interdisciplinar. O que isso quer dizer? Vamos nos apropriar do texto de um pensador espanhol do campo CTS, José A. López Cerezo (2003), para explicar.

Quando nos referimos ao objeto de estudo, estamos levando em conta os fatores sociais que infl uenciam a mudança científi co-tecnológica e também as consequências sociais e am- bientais dessa mudança. Há muitos exemplos. Pense sobre o impacto de uma guerra que se

utiliza de armas biotecnológicas e nucleares. Qual o objetivo das tecnologias produzidas em guerras? E os resultados do Projeto Manhattan, você conhece?

Também encontramos muitos exemplos de sérios impactos ambientais relacionados à ciência e tecnologia, desde derramamentos de petróleo, acidentes com usinas nucleares, poluição industrial, intoxicação de fauna, fl ora e seres humanos por pesticidas e outras subs- tâncias tóxicas.

Veja este quadro! Ele faz uma cronologia que nos interessa conhecer.

1957

A União Soviética lança o Sputnik, o primeiro satélite artifi cial ao redor da Terra. Causou uma espécie de convulsão social, política e educacional nos Estados Unidos da América do Norte e outros países ocidentais.

O reator nuclear de Windscale, Inglaterra, sofre um grave acidente, criando uma nuvem radioativa que se espalha pela Europa Ocidental.

Explode nos Urais o depósito nuclear Kyshtym, contaminando uma grande extensão circundante à União Soviética.

1958 A NASA é criada como uma das consequências do Sputnik.

1959 Conferência de C.P. Snow, em que se denuncia o abismo entre as culturas humanística e

científi co-tecnológica.

Anos 60 Desenvolvimento do movimento de contracultura, em que a luta política contra o sistema vincula o seu protesto em relação à tecnologia. 1961 A talidomida é proibida nos Estados Unidos, após causar mais de 2.500 defeitos de nascimento.

1962 Publicação de Silent Spring, de Rachel Carson. Essa autora denuncia, entre outras coisas, o impacto ambiental de pesticidas sintéticos como o DDT. É o que defl agra o movimento ecológico.

1963 Tratado de limitação de provas nucleares.

Afunda o submarino nuclear USS Thresher, seguido pelo USS Scorpion (1968).

1966 Um B 52 com quatro bombas de hidrogênio explode perto de Palomares, Almeria, contaminando com radioatividade uma grande área.

Com base em motivos éticos e políticos, profi ssionais de informática constituem um movimento de oposição à proposta de criar um banco de dados nacionais nos EUA.

1967 O petroleiro Torry Canyon sofre um acidente e verte uma grande quantidade de petróleo nas praias do Sul da Inglaterra. A contaminação por petróleo começa a ser algo comum em todo o mundo desde então.

1968 O papa Pablo VI torna público um rechaço à contracepção artifi cial.

Graves revoltas nos EUA contra a Guerra do Vietnã (a participação norte-americana incluiu sofi sticados métodos bélicos, como o napalm).

Maio de 68 na Europa e EUA: protestos generalizados contra o sistema.

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Repare na cronologia e você verá que os eventos registrados em nosso quadro se situam, principalmente, nas décadas de 60 e 70 do século XX. É um período de intensa movimentação social, de reivindicações e contestações contra regimes ditatoriais, preconceitos contra mu- lheres, negros, grupos étnicos, homossexuais – um tempo que mudou a história.

Esse é o contexto em que se origina o campo interdisciplinar CTS. Ele reuniu as refl exões das Ciências Sociais e das Humanidades para pensar esse momento de crise em relação à credibilidade da ciência e da tecnologia e seu apoio público; voltou seu olhar a um uso irracional dos recursos naturais e à falsa crença da neutralidade científi ca e sua autonomia em relação à sociedade. Cientistas e engenheiros também são pessoas com valores, crenças, interesses e tudo isso se enreda nas pesquisas em que eles investem. O problema é que o entendimento ainda corrente do que é ciência “neutraliza” as relações sociais que uma determinada pessoa tem e até mesmo sua história. Isso continua sendo ensinado aos cientistas, aos engenheiros que, por sua vez, continuam pensando que as suas pesquisas e projetos são neutros, ou seja, não têm impacto social, ambiental, político. Essa seria uma postura ética?

No contexto em que o campo CTS surgiu também circulava certo ceticismo em relação à ciência e à tecnologia, divinizadas após a Segunda Guerra. Um conceito que se tornou muito conhecido foi o de Síndrome de Frankenstein.

Esse conceito remete diretamente ao texto publicado em 1818 por Mary Shelley – Frankenstein, ou o moderno Prometeu. Remete-se à relação homem e natureza, referencia um temor de que as mesmas forças que são utilizadas para controlar a natureza podem se voltar contra nós, homens e mulheres, destruindo-nos. O trecho do livro em que o “monstro” diz a Victor Frankenstein “tu és o meu criador, mas eu sou o teu senhor” expressa essa pos- sibilidade (CEREZO, 2003, p. 117). Frankenstein faz uma citação ao mito de Prometeu. Você conhece esse mito?

Pesquise em sites da internet sobre o mito de Prometeu e escreva um resumo entre 10 e 20 linhas.

Não temos os 100 mil genes com que sonhávamos... Mas, em compensação... Temos carrões... DVD... fornos mico-ondas!!!

Adaptado de: João Garcia – Os cientistas. Disponível em: <http://jaogarcia.blog.uol.com.br/>. Acesso em: 18 jan. 2011.

Frankenstein é um exemplo de literatura que entremeia em seu discurso a

TECNOFOBIA, ou seja, um medo

exagerado da tecnologia moderna. Em um outro extremo, ao aceitarmos os desenvolvimentos da ciência e da tecnologia e suas inovações de forma acrítica, nos vinculamos à TECNOFILIA.

Vamos pensar a respeito? Você tem ou já teve atitudes tecnofóbicas e tec- nofílicas? Compartilhe essas experiências com seus colegas.

Leia a tirinha a seguir.

Posso viver sem televisão, celular e internet? Eu não consigo, e você? Ninguém precisa deixar a tecnologia de lado. Ser crítico em relação a ela não é desconsiderá-la, mas procurar enxergá-la sob vários prismas e não permanecer passivo. Langdon Winner (1987) chamou esse comportamento apassivado de “sonambulismo tecnológico”.

Esse sonambulismo se origina da ideia de que não podemos criticar, interferir ou mesmo participar das decisões que dizem respeito aos desenvolvimentos científi cos e tecnológicos. Você já pensou por quê?

Um outro conceito do campo CTS que vale a pena conhecer é o de alfabetização científi ca e tecnológica. Para entendê-lo, vamos comentar alguns aspectos relacionados aos entendi- mentos que temos do que é ciência e do que é tecnologia.