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Frente à necessária busca de equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e o meio ambiente encontra-se a proposta do desenvolvimento sustentável. Entretanto, para se alcançar um ponto de equilíbrio, necessário se faz a construção uma mobilização social onde prevaleça um consenso mínimo sobre a relação entre homem e o meio ambiente.

Para TAVARES (2005, p. 121), a sociedade sustentável é aquela em que o desenvolvimento está integrado à natureza, com respeito à diversidade biológica e sócio- cultural, exercício responsável e conseqüente da cidadania, distribuição eqüitativa das riquezas e condições dignas de desenvolvimento.

A preocupação com o combate à pobreza, crescimento populacional, impacto das atividades humanas sobre o meio ambiente e os novos desafios da economia ganharam destaque de forma progressiva a partir da década de 60.

De maneira geral, a bibliografia que trata dessa temática, aponta alguns marcos históricos do movimento da sustentabilidade, iniciando com o lançamento do livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, em 1962, considerado por muitos pesquisadores como um marco para o entendimento das inter-relações entre a economia, o meio ambiente e as questões sociais.

Já no ano de 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu, em Estocolmo, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, o que levou à criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Ainda no ano de 1972, uma equipe de especialistas de vários países publica o relatório "Os Limites do Crescimento", com estudos sobre como o crescimento populacional associado ao incremento do uso dos recursos naturais impunha limites para o crescimento industrial.

Nos anos seguintes, surgiram inúmeros estudos e criações de organizações atentas à evolução das questões sócio-ambientais, bem como a necessidade de se estabelecer um novo modelo de desenvolvimento.

Em 1983, a ONU cria a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), presidida pela então primeira ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. Essa Comissão lança, no ano de 1987, um documento chamado "Nosso Futuro Comum", conhecido também como Relatório Brundtland.

O Relatório populariza o termo desenvolvimento sustentável, trazendo sua definição aceita mundialmente até hoje: "Desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades".

O relatório apresentou o conceito de desenvolvimento sustentável buscando um consenso mínimo entre a posição dos ambientalistas e dos desenvolvimentistas. A partir deste conceito ganha vulto a idéia de que desenvolvimento (no sentido de crescimento econômico) e meio ambiente (no sentido de estoque de recursos naturais) não são contraditórios.

Já no ano de 1992, a ONU organizou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida tanto como Eco-92, quanto como Rio-92. Nessa ocasião, foram elaborados importantes documentos, a exemplo da Declaração do Rio, com 27 princípios que norteiam a interação das pessoas com o planeta; a Convenção Quadro sobre Mudanças Climáticas, que culminou no Protocolo de Kyoto; e a Agenda 21, que traz os princípios básicos para alcançar a sustentabilidade do planeta em meados do século 21.

No ano de 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto, negociado pela Comissão das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas. Este documento estabelece para os países desenvolvidos signatários metas de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Em 1999, surgiu o primeiro índice global que acompanha o desempenho financeiro das companhias líderes em sustentabilidade em todo o mundo com papéis negociados na Bolsa de Nova York, conhecido como Índice Dow Jones de Sustentabilidade.

No ano de 2000, ocorreu, em Nova York (EUA), o encontro da Cúpula do Milênio da ONU o qual deu origem à Declaração do Milênio. Este documento define os 8 objetivos de desenvolvimento do milênio, divulgados no Brasil como “8 Jeitos de Mudar o Mundo”.

Os objetivos contam com metas concretas a serem atingidas pelos 191 Estados membros da ONU até 2015. Houve consenso entre os líderes mundiais que a prioridade número 1 da ONU deveria ser a erradicação da pobreza absoluta.

No ano de 2002, ocorreu em Johannesburgo, na África do Sul, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Cúpula do Milênio ou Rio+10, apresentando como foco a implementação da Agenda 21 mundial, avaliação dos obstáculos encontrados para atingir as metas propostas no Eco-92 e dos resultados alcançados em dez anos.

Em 2003, o Banco Mundial e a International Finance Corporation (IFC) estabeleceram, o Princípio do Equador, em conjunto com uma série de bancos privados, critérios de análise de risco sócio-ambiental no financiamento de projetos acima de US$ 50 milhões (reduzido em 2006 para U$ 10 milhões).

Sob o ponto de vista de muitos estudiosos, a perspectiva do desenvolvimento rural sustentável incide em uma transição para um novo modo de organização da economia e da sociedade, assim como das suas relações com a natureza.

Essa transição exige mudanças nos padrões de produção e de consumo, transformações essas que podem ser induzidas e potencializadas por meio de políticas públicas, e devem ocorrer em um ambiente de sintonia com os movimentos endógenos dos atores institucionais, sociais e políticos.

Entretanto, não se pode falar em desenvolvimento rural sustentável sem relacioná-lo a multifuncionalidade da agricultura familiar, sobretudo em relação aos desafios da construção do desenvolvimento sustentável no Brasil.

Vale lembrar que a multifuncionalidade da agricultura familiar engloba, além da produção de alimentos e matérias-primas, a geração de mais de 80% da ocupação no setor rural, favorecendo o emprego de práticas produtivas ecologicamente mais equilibradas como, a diversificação de cultivos, o menor uso de insumos industriais e a preservação do patrimônio genético.

Assim, quando se fala de agricultura familiar no Brasil, fala-se na integração do policultivos - manejando, além de diversas espécies agrícolas, muitas variedades de cada uma delas - com a criação de diversas espécies animais e com o uso múltiplo das plantas nativas.

Alguns fatores determinam esta opção pela diversificação. A unidade agrícola familiar é um sistema econômico de produção e de consumo. A preservação e a valorização de subsistemas voltados para o mercado e para o autoconsumo da família e a manutenção do equilíbrio de suas interrelações é uma condição fundamental para a reprodução socioeconômica do sistema em seu conjunto.

Para SOARES (2000/2001), a importância da multifuncionalidade da agricultura familiar, viria ampliar a abordagem do conceito de agricultura e desenvolvimento rural sustentável e suas relações com outros setores da economia, por meio das seguintes maneiras:

• ampliando o alcance para incluir os serviços prestados pela agricultura para a sociedade em geral;

• estabelecendo um marco para a valorização das compensações mútuas e sinergias entre as diferentes funções da agricultura e o correspondente uso da terra;

• examinando as relações dinâmicas entre as zonas urbanas e rurais em diferentes escalas;

• incorporando toda a gama mundial de situações, desde as sociedades predominantes rurais, onde a produção primária de alimentos e outras mercadorias é prioridade, até as nações altamente industrializadas, com uma pequena população rural e importância da produção primária igualmente modesta (SOARES, 2000/2001, p. 42).

Assim sendo, a agricultura familiar exerce múltiplas funções estratégicas para a sociedade e sua importância deve ser reconhecida; e traduzida em políticas públicas adequadas.

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