Ao mesmo tempo que o uso das TIC na educação é vantajoso e que possuem características próprias que as tornam recursos relevantes na educação atual, é necessário evitar que as relações existentes dentro da sala de aula física sejam apenas reproduzidas no ambiente virtual e que as inúmeras possibilidades sejam ignoradas para que este não perca sua potencialidade e vantagens perante o ensino.
Nos cursos de educação a distância e presenciais, independente da área de conhecimento eles estão inseridos, os processos de ensino-aprendizagem ocorrem dentro de locais virtuais destinados ao desenvolvimento de atividades formativas e à
interação dos participantes, chamados ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), que também são utilizados cada vez mais como recurso tecnológico para dar conta da demanda por educação (MESSA, 2010).
Valentini e Soares (2010, p. 15) explicam muito bem o que constitui o AVA:
[...] um espaço social, constituindo-se de interações cognitivo-sociais sobre, ou em torno, de um objeto de conhecimento: um lugar na Web, “cenários onde as pessoas interagem”, medidas pela linguagem da hipermídia, cujos fluxos de comunicação entre os interagentes são possibilitados pela interface gráfica. O fundamental não é a interface em si mesma, mas o que os interagentes fazem com essa interface. Nesse sentido, o plano pedagógico que sustenta a configuração do ambiente é fundamental para que o ambiente possa ser um espaço onde os interagentes se construam como elementos ativos, coautores do processo de aprendizagem.
Lima e Sauer (2010) trazem que os AVA servem tanto para o apoio ao ensino e aprendizagem de cursos a distância ou semipresenciais, quanto extensão da sala de aula em cursos da modalidade presenciais, servindo como apoio para a execução de atividades e convívio entre os alunos.
Messa (2010, p. 8) aponta o AVA como uma mídia que utiliza o espaço virtual para “veicular conteúdos e permitir interações entre os atores do processo educativo”. Sendo assim, o processo de ensino e aprendizagem depende do envolvimento de todos os agentes participantes e inclusos no contexto, como professores, alunos, tutores, proposta pedagógica, equipe de formação, estrutura e desenvolvimento do AVA e recursos utilizados.
Para que o envolvimento e interação, requeridos pela educação a distância, sejam possibilitados dentro do AVA, ferramentas que envolvem esses fatores estão disponíveis e são suportados pelo ambiente, como vídeos, imagens, textos, jogos, chats, webconferências, testes, animações e outras inúmeras possibilidades que potencializam o uso da internet e das TIC no envolvimento e interação entre alunos e professores. É a reunião de estratégias didáticas em um espaço virtual mediado pela internet que favorece a construção de conhecimento pelos atores (VALENTINI; SOARES, 2010).
Messa (2010) ainda cita algumas ferramentas do AVA que podem ser utilizadas para potencializar os processos de ensino, como as wikis, que permitem a construção colaborativa de textos, possibilitando o compartilhamento do conhecimento; os blogs, que servem como um diário em que os autores podem falar
livremente sobre quaisquer assuntos e receber comentários sobre o tópico que estão falando; o podcast, que é um arquivo de áudio produzido para o ensino e que pode ser baixado para qualquer reprodutor digital de áudio, permitindo que seja escutado em qualquer situação e, além disso, também pode ser criado pelos próprios alunos como parte de uma atividades.
Também apresenta os fóruns, que são centros de discussões entre os participantes, permitindo que cada participante poste sua opinião sobre determinado assunto e interaja com outros, entre outras ferramentas e recursos existentes dentro dos AVA.
Lima e Sauer (2010) destacam o correio interno como um recurso importante para a comunicação dentro do ambiente virtual e que possibilita trocas de informações mais particulares como recados, sugestões, dúvidas, etc.
Messa (2010) indica que o uso de diferentes formatos de informação nos processos de ensino e aprendizagem, ação possibilitada pelo AVA, pode trazer vantagens educacionais aos alunos como o desenvolvimento da capacidade de formar conceitos; ampliar as maneiras pelas quais se aprende; diversificar os meios comunicativos e aumentar a interatividade; desenvolver a administração do tempo pelo aluno, melhorando sua responsabilidade; melhorar a compreensão do aluno, já que a informação e os aprendizados são passados por meios além do texto, entre outras.
Limniou e Smith (2010) apontam que, quando adotado em um contexto de ensino, o AVA permite aos professores desempenharem uma série de ações que auxiliam a sua prática educativa no contexto virtual, como o desenvolvimento de materiais que incluem vídeos, áudios, animações e simulações; possibilita a interação por meio da colaboração (seja ela síncrona ou assíncrona) com seus alunos e providencia análises estatísticas da participação de seus alunos no curso online, gerando relatórios, entre outras vantagens e possibilidades.
O AVA e os agentes de sua organização, como tutores, professores e equipe pedagógica, podem providenciar “habilidades de aprendizagem autônoma, embora preferencialmente coletiva, desenvolver habilidade de construção de conhecimento, motivas a aprendizagem sem fim” (MESSA, 2010, p. 10).
O conteúdo da disciplina é disponibilizado no AVA por meio de materiais multimídia desenvolvidos pelos professores e pela equipe de apoio nos formatos suportados pelo AVA e já mencionados. As atividades referentes a cada conteúdo são
desenvolvidas nas ferramentas disponíveis no AVA, tornando as possibilidades muito variadas.
Sendo assim, Lima e Sauer (2010) discutem a importância da participação e interação dos alunos para sua própria formação e para a formação dos colegas. As autoras apontam que a participação através da exposição de dúvidas é uma das chaves para o bom desenvolvimento do grupo, já que uma pergunta feita por um único elemento pode beneficiar a todos. Ainda trazem que
Ao incentivar a realização de atividades que têm uma repercussão social, estamos, de certa forma, promovendo o desenvolvimento de condutas relevantes, tais como a compreensão da informação e a compreensão humana [...] que são condições de garantia da solidariedade intelectual e moral da humanidade. (p. 73)
Porém, as autoras destacam que a dificuldade em se expressar, tanto em ambientes virtuais quanto presenciais, é uma das maiores causas do silêncio nas salas de aulas e nos fóruns de discussão, que são os centros da comunição e troca de ideias entre os participantes.
O processo de interação exige ações de comunicação que, quando ocorrem no ambiente virtual, necessitam de outras habilidades, como interpretar e escrever. Para solucionar esse problema, é essencial que o professor esteja preparado para tirar dúvidas e incentivar a leitura e a escrita, além da interação no grupo, já que a interação é a chave para a construção coletiva do conhecimento (LIMA; SAUER, 2010).
Em contrapartida, Orth et al (2013) destacam que o uso das TIC e de AVA como mediadores de processos de formação não garante a eficácia do aprendizado. Diversos fatores, como organização, planejamento, formação dos formadores (professores e tutores) para o ensino pelas tecnologias, material, conteúdo, avaliações, diversidade de atividades e dedicação do aluno são necessários para que o ensino pelo AVA seja possível. É importante que as atividades e o planejamento do curso sejam voltados para a interação entre os agentes participantes e os recursos midiáticos disponíveis.
3.4. Portal dos Professores da UFSCar: iniciativa de formação continuada e apoio