PART IV. CONCLUSIONS AND RECOMMENDATIONS
4.4 C ONCLUDING REMARKS
Nascimento juventude
Segundo Dussel
de 1957 a 1966 1966 ao final da década 80Terceiro Dussel
Final da década de 80Quarto Dussel
Vida – ponto
de destaque Etapa de formação 1ª Experiência na Europa Experiência na Palestina Volta p/ a América Latina Exílio no México Diálogo com filósofos Experiência Global
Ênfases Militância por meio dos Jovens da Ação Católica
O que é a América Latina O “Outro” como categoria epistêmica Trans-modernidade como projeto mundial de libertação Superação da exclusividade da América
Latina como locus privilegiado do Outro???
Quem é
Dussel? Dussel jovem Primeira conversão ao pobre Dussel ontológico
Dussel analético (acorda do sono ontológico
– segunda conversão ao pobre)116 Dussel da História Dussel da AL Do Dussel do exílio ao Dussel trans- moderno, global, mundial Dados históricos
Enrique Domingo Dussel Ambrosini nasce em 24 de dezembro de 1934 em La Paz, um pequeno povoado da província argentina de Mendoza.
Jovem ativista católico, militante da Ação Católica
Fazia reuniões nas cidades e vilarejos, andando de bicicleta, seu único transporte
Aos 15 anos chegava a organizar acampamentos com crianças e jovens
Ganha uma bolsa de estudos e viaja em 1957 para Madrid para fazer o
doutorado em Filosofia na Universidade Complutense de Madrid
“Encontra” a América Latina na viagem, fora do seu pequeno mundo argentino:
- Encontra a América Latina negra quando passa pelo Brasil (portos de Santos e Rio de Janeiro)
- Em Dakar o rosto negro da população contrastava com o rosto branco do jovem estudante - Na Espanha descobre com espanto
Em 1966 regressa a Argentina, residindo em Mendoza até 1975, assumindo em 1968 a cátedra de Ética na Universidade Nacional de Cuyo (Mendoza).
Em 1967 obtém o Doutorado em História, defendendo a tese, dirigida por Robert Richard: Les Evêques
hispano-americains, defenseurs et évangelisateurs de l' indien (1504-
1620), que foi publicada em 1970. Consegue uma bolsa de estudos
para estudar no México com Leopoldo Zea. Porém finalmente
Em 1993 deixa a presidência de CEHILA, depois de 20 anos na função.
Os países subdesenvolvidos estão sob a influência do Positivismo a civilização tecno-científica como modelo de desenvolvimento da humanidade Karl-Otto Apel é convidado para
realizar um diálogo entre a Ética do Discurso e a Filosofia da Libertação Latino-Americana Léxico de Apel: inteligibilidade,
veracidade, retidão dos atos
Chegou a reunir cerca de 400 crianças
Leu a respeito de Santa Tereza e São Francisco de Assis cultivando vida mística
Entrou na Ordem Franciscana Seu sonho era conhecer mais São
Francisco e ser pobre como ele fora pobre
Entre 1953-1957 estuda filosofia na Universidade de Cuyo (Mendoza). Se licencia em 1957 com o trabalho final de curso intitulado :La
problemática del bien común en el pensar griego hasta Aristóteles.
Sua predileção era ler os clássicos da Filosofia
Percebeu que nada conseguiria se não fosse para a Europa estudar Consegue uma bolsa de estudos
para ir à Espanha
que era não apenas argentino, mas latino-americano
- Aí ele compreendeu que a América Latina estava fora da História De 1957 a 1959 faz o seu doutorado em
Filosofia em Madri na Facultade de Filosofia e Letras da Universidade Central (Complutense). Defende a sua tese doutoral em junho de 1959, sob o título: El bien común. Su inconsistencia
teórica, dirigida por A. Millán Puelles. É
um aprofundamento de seu trabalho de conclusão do curso filosófico.
Em 1958 realiza rápida viagem para Itália, Líbano, Síria, Jordânia e Israel Na viagem em 1958 descobre a
América Latina mais além da Espanha, penetrando no mundo grego e semita como originário de nossa civilização Entre 1959 e 1961 vive em Nazaré,
Palestina, com o sacerdote francês Paul Gauthier. Experimenta a mesma experiência de Jesus Cristo, trabalhando como carpinteiro na construção civil. Vive no kibbutz Ginnosar ao sul do lago de Tiberíades. Em diálogo com Gauthier descobre que o índio também é o pobre e a partir disto o pobre será o principal eixo
hermenêutico de suas reflexões – Filosofia, História e Teologia. Nesta época ele adquire conhecimentos do hebraico e árabe.
Em 1961 regressa à Europa passando pela Turquia, Macedônia e Grécia Em 1961 vai para a França para estudar
em Sorbone Teologia e História, trabalhando bibliotecário, para poder se manter nos estudos.
De 1961-66 realiza a Licenciatura em Teologia no Instituto Católico de Paris Em 1963 viaja para a Almenha e, em
retorna à Argentina aceitando o convite da Universidade Nacional Resistência (Chaco) para ser profe- ssor adjunto de antropologia e ética. Desde 1968 é professor de ética na Universidade Nacional de Cuyo. A AL está passando por diversas
dificuldades sócio-políticas que afetam a consciência do jovem Dussel
Na Argentina triunfava o peronismo Com a ditadura em diversos países latino-americanos há o surgimento da violência contra os resistentes Em 1968 em Medelin, Colômbia,
surgem denúncias contra a violência institucionalizada na AL pela II Conf. Geral do CELAM
Teoria da Dependência da AL A partir de 1970 Dussel começa a
ser conhecido melhor em toda América Latina
Em janeiro de 1973 organiza a CEHILA (Comisión para Estudios de la Historia de la Iglesia en América Latina), inicialmente sob os auspícios do CELAM (Consejo Episcopal LatinoAmericano) Na noite de 02/10/73 Dussel e sua
família sofrem em sua casa um atentado a bomba, provocado pelo “Comando Ruci”, composto por membros do sindicato metalúrgico, de tendência extrema direita. O atentado destruiu metade de sua casa. Ele passa a ser ameaçado de morte.
Em março de 1975 é expulso da Universidade Nacional de Cuyo acusado de marxista e corruptor de jovens. Junto com ele outros professores são expulsos, uma aluna
comunicativos; ética discrusiva, deôntica e universal
Léxico de Dussel: proximidade, totalidade, mediações, exterioridade, alienação, libertação, superação analética Crítica dusseliana a Apel, como
a Lévinas – a Ética do Discurso de Apel não leva a ‘serio o Outro, de modo a não incorporá-lo imediatamente à comunidade ideal de comunicação Participações de Dussel em
eventos oficiais de CEHILA:, neste período
18-21/07/1990 – 17º Simpósio – Santiago do Chile, Chile 24-26/08/1991 – 18º Simpósio – Santa Fé de Bogotá, Colômbia 07-07/10/1992 – 19º Simpósio – Havana, Cuba 06-08/10/1993 – 20º Simpósio – Assunção, Paraguai 22-27/08/1994 – 21º Simpósio – Lima, Peru 25-28/07/1995 – II Conferência Geral de História
da Igreja da América Latina e no Caribe – São Paulo, Brasil
Munique, conhece a alemã Johanna Peters com quem se casou e teve dois filhos: Enrique (nasceu em 1965) e Susanne (1966)
Na Alemanha faz o curso de História da Igreja com Joseph Lortz.
Entre 1964 e 1966, viaja no período do verão a cada ano para pesquisar no Arquivo de Índias de Sevila, Espanha, para obter dados para a elaboração de sua tese doutoral.
Em 1965 é licenciado em Estudos da Religião no Institut Catholique de París. Em julho de 1966 termina de escrever a
sua tese do doutorado em História, que será defendida em 1967.
Participa de cursos com Paul Ricoeur.
e um professor são assassinados. O governo militar da Argentina
prende a Revista de Filosofía
Latinoamericana, fundada por
Dussel e outros professores. Seus livros são censurados e
destruídos dentro das próprias editoras.
Em 15 de agosto de 1975 parte para o México para viver no exílio, onde está até hoje.
Em 1975 torna-se professor titular no Departamento de Filosofia da Universidade Autônoma Metropolita- na – Iztapalapa (México).
Em1976 torna-se professor na Universidade Nacional Autônoma de México (UNAM), no curso de Pós- graduação em Estudos Latino- Americanos e Ética no Colégio de Filosofia.
Em 1976 inicia aproximação realizando uma cuidadosa e meticulosa leitura latino-americana à obra teórica de Marx. Faz leitura ética de Marx, mais do que teórica sobre seus escritos.
Em 1981 recebe o título de Doctor
Honoris Causa en Teologia, pela
Universidade de Friburgo, da Suíça. Participações de Dussel em
eventos oficiais de CEHILA, neste período: 03-07/01/1973 – 1º Simpósio – Quito, Equador 09-12/07/1974 – 2º Simpósio – Chiapas, México 26-31/10/1975 – 3º Simpósio – São Domingo, Rep. Dominicana 13-17/12/1976 – 4º Simpósio –
Panamá, Panamá
Salvador, Brasil
28/7-02/8/1978 – 6º Simpósio – Melgar, Colômbia
23/7-01/08/1979 – 7º Simpósio – San Juan, Porto Rico 19-26/07/1980 – 8º Simpósio – Lima, Peru 25-27/07/1981 – 9º Simpósio – Manaus, Brasil 25-28/08/1982 – 10º Simpósio – Tunapuna, Trindade 12-15/10/1983 – 11º Simpósio –
San Antonio, Texas, USA 10-13/10/1984 – I Conferência
Geral de História da Igreja na América Latina, México, México (O 12º Simpósio foi substituído pela I Conferência)
15-17/07/1986 – 13º Simpósio – São Paulo, Brasil
29-31/07/1987 – 14º Simpósio – La Paz, Bolívia
14-16/07/1988 – 15º Simpósio – Buenos Aires, Argentina 11-13/10/1989 – 16º Simpósio –
Santo Domingo, Rep. Dominicana
Destaques de descobertas
de Dussel
Trabalho no projeto triunfalista dos Jovens da Ação Católica
Toma conhecimento dos clássicos gregos, modernos e
contemporâneos
Para descobrir o mundo e buscar respostas às indagações sente necessidade de ir para a Europa
Filosofia
Busca por meio da Filosofia Experiência fundante no kibbutz
Ginnosar com Paul Gauthier Descoberta do índio como Outro Primeira perspectiva da AL Descoberta da fenomenologia de
Husserl
Descoberta da ontologia de Heidegger Ontologismo
Sistema-Mundo
Produz a trilogia indicando as raízes mediterrâneas da AL – semita, helênica e cristã.
Filosofia – Teologia – História Primeira Ética da libertação Dussel é criticado por sociólogos,
economistas e filósofos, por entender a necessidade de haver uma independente Filosofia na América Latina
A América Latina como centro Busca por uma Filosofia Latino-
americana da Libertação
Para fortalecer seu aparato dialético estuda Hegel, Kierkegaard, Feuerbach e Marx
Reforço da experiência fundante com a descoberta da alteridade em Lévinas. Rompe com a ontologia heideggeriana
Diálogo na eticidade A alteridade vem da
destotalização do ente e parte de uma lógica comunitária,
rompendo com a civilização técnico-cientítica
A ética do discurso (Apel) é forma, enquanto que a Ética da Libertação (Dussel) é uma ética de conteúdo que se materializa na libertação do pobre Em 1993 lança o livro 1492 ...
para defender que 1492 foi o nascimento da Modernidade Superação do Sistema-Mundo,
da Modernidade pela trans- modernidade um novo
Des-totalização do ente e exterioridade do Outro Alcança o mistério do Outro Vai da totalidade ontológica à
alteridade trans-ontológica / meta- física
Tarefa da Filosofia latino-americana: superar a modernidade o sujeito dominador norte-atlântico
Analética: é preciso superar o sistema
Praxeologia analética Filosofia e ética se conectam O compromisso do Outro em busca
de sua libertação
Política, erótica e pedagógica Leitura latino-americana de Marx que
lhe amplia a visão da extensão da opressão do Outro, se estendendo da Europa para o capitalismo, agora questionado pela sua meta-física (analética)
Com ‘Ética Comunitária”, Dussel confronta a moral vigente – que despreza os pobres – com os valores de uma ética comunitária Princípio da ética comunitária:
libertar o pobre, superando a ética kantiana e em direção à sociedade futura não capitalista
Sistema-Mundo
A trans-modernidade: projeto mundial de libertação A trans-modernidade promove
um diálogo intercultural de mútua fecundade criadora, uma co- realização solidária Centro- Periferia
A trans-modernidade promove uma superação do projeto da Modernidade que nega a alteridade
A libertação mundial supera o projeto o caráter emancipador racional da Modernidade, mas também o projeto pós moderno irracional
O Outro no mundo globalizado, além da América Latina Produção de uma ética da vida Segunda Ética da libertação:
- Texto saído em 1998: Ética de La Liberación en la Edad de la Globalización y de Exclusión
- Ética que aprofunda a Primeira Ética
- Ética desde a perspectiva mundial e não mais da América Latina - Ética mais além do euro-
centrismo
- Mais além do helênico- centrismo
- Ética produzida diante da mudança ocorrida no mundo diferente dos 25 anos que separam da Primeira Ética: desintegração da Rússia, queda do muro de Berlim,
derrota eleitoral do Sandinismo (Nicarágua), bloqueio de Cuba pelo imperialismo norte-americano, queda da “Guerra-Fria” com fortalecimento unipolar e hegemônico estadunidense, globalização da economia neoliberalismo
- O dilema não é mais o pobre latino-americano, mas a humanidade que está sendo oprimida
- Ética da vida produzir, reproduzir e desenvolver a vida hmana de cada sujeito ético em comunidade História Mundial das Eticidades
sistemas mundiais: - 1º: Egípcio Africano Bantú /
Semitas do Oriente Médio desde 4º milênio aC - 2º: Indo-europeu desde 2º
milênio aC
- 3º: Continente Asiático Afro- Mediterrâneo / Mundo Bizantino, Persa, Norte da África desde o Século IV ao Século XV dC
- Primeiro “Sistema-Mundo” desde finais do Século XV com a mundialização, des- cubrimento, conquista e colonização da América Modernidade
Encontro de Paulo Freire, tido como possuidor de uma original pedagogia crítica
Ao final do livro 50HIAL, publicado em 1986, Dussel menciona que ao término de mais um período da História da
Igreja na América Latina em 1984 havia chegado a hora de uma responsabiliade missionária mundial, não mais com o envio de missionários, mas para compartilhar o “modelo”de Igreja como serviço cristão no Terceiro Mundo. Veja 50HIAL, p. 99. Vê-se aqui o lado global e
mundial do 4º Dussel. Obras principais Obs.: por considerarmos o desenvolvimento temporal do pensamento dusseliano, em geral as datas das obras seguem as datas indicadas nos prefácios ou palavras preliminares da obra.
“Humanismo Helênico” (1963, publicado em 1975)
“Humanismo Semita” (1964, publicado em 1969)
“El dualismo en la antropología de la cristiandad – desde el origen del Cristianismo hasta antes de la conquista de América” (1968)
“Hipótesis para una Historia de la Iglesia en América Latina” (março de 1964 data do prefácio da 1ª edição (vide 6ª edição)) – até a 2ª edição que foi preparada em janeiro de 1971 e saiu em 1972 em Madrid. A 3ª edição foi completada em 1973 e publicada em 1974, em Barcelona, com o título “Historia de la Iglesia en la América Latina”, que foi a base para a tradução ao Inglês que saiu em 1981 com o título “A History of The Church in Latin America – Colonialism to Liberation (1492-1979).” Esta edição em Inglês teve a adição de uma seção
abrangendo o período de 1972 a 1979, de Sucre a Puebla. A 6ª edição foi revista especialmente em sua primeira parte e republicada e 1992 com o título “Historia de la Iglesia en la AL – medio milenio de coloniaje y Liberación - 1492- 1992” (1992).
“Hipótesis para el estudio de Latinoamérica en la Historia universal – investigación del “mundo” donde se constituyen y evolucionan las “weltanschauungen”, trabalho publicado no segundo semestre de 1966 em Chaco Argentina
”Para una des-trucciión de la historia de la ética”, 1970
” La dialéctica hegeliana. Supuestos y superación o del inicio originario del filosofar” (1972)
“Caminos de Liberación Latino- americana”, I e II (1972) “Caminos de liberación
Latinoamericana”, I y II (1972) “Para una Ética de la Liberación
Latinoamericana”, I, II (1973) e III (o volume III saiu no exílio mexicano, 1977)
“América Latina Dependencia y Liberación” (1973)
“Método para una Filosofía de la Liberación – Superación Analética de la Dialéctica Hegeliana” (1974) (atualização da “Dialética Hegeliana” como novo nome) “Introducción a una Filosofía de la
Liberación Latinoamericana” (1º livro produzido no exílio mexicano) “Filosofía de la Liberación” (1977),
“Historia de la Iglesia en la AL – medio milenio de coloniaje y Liberación - 1492-1992” (1992) (Atualização de “Hipótesis …”) ”Ethik und Befreiung“ (1990) – do
diálogo com Apel
“Fundamentación de la ética y la filosofía de la liberación” (1992) – Idem
”Diskursethik oder
Befreiungsethik?“ (1992) – Idem. ”Die Diskursethik and ihre lateinamerikanische“ (1993) – idem
“Debate en torno a la Ética del Discurso de Apel: Diálogo Norte- Sur desde América Latina” (1994) – Idem
“História Liberationis – 500 anos de História da Igreja na América Latina” (1992)
“1492: El Encubrimiento del Otro. Hacia el Origen del Mito de la Modernidad” (1993) “Ética de la Liberación em la Edad de La Globalización y de la Exclusión” (1998) “Transmodernidad y interculturalidad – interpretada desde la Filosofía de la Liberación” (2005)
que traz a síntese e maturidade de conteúdo de sua primeira ética – texto escrito de uma só vez, sem bibliografia ou citações, pois havia perdido a sua biblioteca na Argentina “Historia General de la Iglesia en
América Latina. 1/1. Introducción. General a la Historia de la Iglesia en América Latina” (1983)
“Ética comunitária” (1986), após a leitura latino-americana de Marx
20 Tesis de Política (2006)
Embora, no momento Dussel esteja palmilhando muito mais no campo do diálogo filosófico-ético,117 distante de seu intenso envolvimento com a produção histórica, não será possível olvidar tudo o que fez para que a História da Igreja na América Latina começasse a ser escrita de forma não só diferente, mas que considerasse novos problemas, novos objetos e novas abordagens,118 muito mais do que isso, um novo (embora antigo) ator da História no ambiente latino-americano – o pobre, como “Outro” desprezado, oprimido e tornado pobre, não apenas pobre porque nasceu assim. Isso fará imensa diferença nesta “outra” maneira de fazer História, pois será escrita “desde” este novo ator,119 e não mais da instituição, da Igreja – totalitária e opressora – por isso mesmo, que novos problemas e objetos precisaram ser des-cobertos por essa nova abordagem de modo que os historiadores desta “outra” História façam novas perguntas aos mesmos documentos120 e tendo um outro ponto de partida – o Outro – acaba também descobrindo outras fontes além dos documentos oficiais, mesmo porque os documentos oficiais por vezes acabam privilegiando a instituição opressora.121
Por isso mesmo se constituiu a operação histórica dusseliana
como que uma nova maneira de se escrever História da Igreja da América Latina. Pelo menos na intensidade dos resultados dessa “outra” História da Igreja na América Latina podem ser comparados à intensidade de produção e debates provocados pela “Novelle Histoire” francesa na historiografia do Século passado. Neste sentido é possível entender que os embates da “Novelle Histoire” francesa e os da história dussel-cehiliana foram diferentes, mas produziram e tem produzido um repensar histórico nunca visto antes, por isso
117 Veja seu mais recente livro publicado em meados de 2006, pela Editorial Siglo XXI, no
México sob o título 20 tesis de política, que é um resumo de uma obra mais ampla que ele está produzindo e planejada para sair em 3 volumes. Veja sobre isso em <http://www.afyl.org>. Acesso em: 07/06/2007.
118 Fazendo referência à “trilogia” de Jacques Le Goff e Pierre Nora, publicada em 1995 no
Brasil pela Editora Francisco Alves.
119 “Novo” no sentido de des-coberta (de “descobrir”, tirar o que o estava ocultando), mas muito
mais antigo que a própria descoberta (ou “en-cobrimento”, para Dussel) da América.
120 LAMPE, 1995, p. 64.
mesmo é que prefiro chama-la de “outra” História, “outra” por partir de abordagem outra, diferente, da que vinha sendo seguida, sem contar que ela tem como eixo hermenêutico o “Outro” partindo de um sentido de alteridade, por isso é que eu a chamo de Alter-Historia. Lampe também compara o empreendimento de Dussel
ao combate entre March Bloch e Lucien Febvre nos Annales nos anos 30 contra os historiadores positivistas [...] assim como a Nova História rompe com os historiadores positivistas, Enrique Dussel questionou justamente a posição positivista dos historiadores da Igreja na América Latina de corte anti-liberal e clerical, que criam apresentar a verdadeira história da Igreja na América Latina ao limitar-se a expor os fatos da Igreja-instituição e do corpo clerical [...] essa nova História da Igreja na América Latina, na linha da obra de Dussel, fez com fossem feitas novas perguntas ao conjunto documental já conhecido e por isso renovou a História da Igreja na América Latina.122
Assim, tanto a Nova História “annaliste”, como a História
dusseliana é um repensar a produção histórica, cada um deles com os seus enfoques e abordagens, no caso de Dussel acabou sendo uma “outra” História da Igreja na América Latina, uma Alter-História.
Embora volumosa, a obra histórica empreendida por Dussel e seus colaboradores cehilianos terá pela frente muito ainda a palmilhar, pois se no passado recente os paradigmas binários – e.g. “opressor/oprimido” – apontavam para um pobre solitário, passivo e desamparado em seu sofrimento, demandando, portanto de um “paráclito”123 que, não apenas, lhe abrisse os olhos para a sua condição, mas o defendesse diante da opressão, no presente temos esse mesmo pobre, mas agora encantado com o mundo globalizado e neo-liberal que lhe oferece, em troca de sua alma, bens de consumo que acabam efetuando uma total transvaloração ôntica, em que o SER passa a ser considerado não pelo seu próprio valor em si, mas pelo acréscimo do TER. Esse paradigma contemporâneo tem conquistado o campo religioso de modo a trazer-lhe as leis de mercado, transformando os bens simbólicos da salvação