Durante este período a literatura na área de Inteligência Competitiva continuou evoluindo, apresentando crescimento significativo em publicações acadêmicas ao redor do mundo. Essa constatação também pode ser observada em levantamentos já realizados apenas em língua inglesa, como no caso dos de Craig Fleisher, Sheila Wright e Robb Tindale (2007). Até este período poucos foram os registros de teses e dissertações encontrados.
Neste período, também se destaca a evolução dessa atividade na Europa. Na Suécia, a Inteligência Competitiva era ensinada em mais de oito universidades, com a realização de pesquisa, em âmbito de doutorado em Inteligência. Em função das diversas crises mundiais, houve redução dos investimentos realizados pelas organizações suecas; entretanto o setor público, que havia desenvolvido habilidades em Inteligência Competitiva, passou a apoiar as empresas nacionais. Há uma evolução do foco, antes centrado na análise da indústria, para elaboração de tendências e cenários (HEDIN, 2004).
Na Lituânia, em 2000, após visita à Universidade de Lund, na Suécia, e manutenção de contato com Stevan Dedijer, o Instituto de Estratégia de Negócio introduziu a disciplina de “Business and Management Intelligence” nos seus programas de MBA e MBA Executivo, marcando o início da introdução oficial da Inteligência Competitiva na comunidade acadêmica lituana.
Na França, surgem duas novas expressões: "Inteligência econômica territorial" e "Inteligência territorial". Esta mudança ocorre no início de 2000, e foi considerada por Stéphane Goria (2006) o indício do fim da terceira fase do desenvolvimento da Inteligência Econômica, sendo que a discussão desses conceitos iniciou-se no Congresso de Saint'Amand-Montrond, ocorrido em 2001.
No relatório Martre, a Inteligência Econômica, em nível territorial, foi estabelecida e durante este período desenvolve suas próprias concepções. Identifica-se o surgimento de sistemas que oferecem à Inteligência Econômica uma versão moderna do antigo sistema de veille definido por Luhn, em 1958, (SALLES et al, 2000; NEGASH; GRAY, 2003; AFOLABI; THIERY, 2005; DHAOUI; DAVID, 2005).
Também neste período, a Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, lança o primeiro mestrado português em “Competitive Intelligence”. Na Espanha, foi lançada a revista Puzzle, em 2002, especializada em Inteligência Competitiva.
No Brasil, principalmente após a fundação da Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva (ABRAIC), em 2000, houve crescimento significativo tanto de investimentos em IC por parte das organizações quanto da oferta de cursos e realização de pesquisa na área. Em 2006, foi realizado levantamento sobre a oferta espontânea de curso sobre Inteligência Competitiva no Brasil e foram identificados 199 cursos regulares com variedade de tipologia e em todas as regiões do Brasil (ALVARES, 2010).
A primeira tese defendida em território brasileiro sobre o tema ocorreu no ano 2000, defendida na Universidade Federal de Santa Catarina46. Levantamento preliminar realizado na base de teses e dissertações do Instituto Brasileiro de Informação Científica e Tecnológica (IBICT) aponta o registro de 114 teses e dissertações defendidas nesse período.
Em 2001, foram publicados os primeiros livros brasileiros sobre o tema: (1) Inteligência Competitiva, de Elizabeth Gomes e Fabiane Braga, que apresenta uma introdução ao tema; (2) Inteligência Competitiva de Mercado, de Rogério Gaber, focado na análise quantitativa de dados de mercado; e (3)
Inteligência Empresarial, de Hélio Vaistiman, que apresenta o método de
produção de Inteligência e destaca a importância da proteção do conhecimento sensível.
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Dr. Hélio Gomes de Carvalho completou seu doutorado em Engenharia de Produção, pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 2000. O título de sua tese é Inteligência Competitiva Tecnológica para PMEs através da Cooperação Escola-Empresa: proposta de um modelo (MENDES, MARCIAL, FERNANDES, 2010).
Neste período, amplificam-se as pesquisas no campo epistemológico para o estabelecimento de uma terminologia para IC e de seu paradigma. Há crescimento das pesquisas que buscam responder às questões filosóficas relacionadas a sua origem e evolução; questões ética e culturais; bem como a compreensão do que é Inteligência Competitiva. Esse nível de investigação era pouco pesquisado até então. Nesse contexto, destacam-se os trabalhos de John Prescott (1999), Luiz Serpa (2000), Brígida Cervantes (2004), Arriff Juhari e Derek Stephens (2006), Stéphane Goria (2006), Ethel Capuano et al. (2009), Alessandro Comai (2004), Jennifer Jordan e Sydney Finkelstein (2005).
Com o avanço da atividade de IC no âmbito das corporações crescem nesse período o volume de pesquisas no campo da gestão de recursos humanos da Inteligência Competitiva. Nesse contexto, destacam-se as investigações no âmbito da atuação do profissional de IC e na proposição de modelo de competência e capacitação para esse profissional. Como exemplo, citam-se as pesquisas realizadas por Roniberto Amaral (2006) e Célia Barbalho e Suely Marques (2009).
Também destaca-se o avanço das pesquisas cuja finalidade é analisar, propor e avaliar modelos de processo de IC, bem como a compreensão dos processos de planejamento, coleta, análise e difusão da informação acionável (Inteligência), passando pelo aprimoramento e proposição de métodos, modelos e ferramentas para essas fases que compõem o ciclo de produção de Inteligência, como, por exemplo, as pesquisas realizadas por John McGonale (2007) e José Castro e Paulo Abreu (2007).
Há também ampliação das pesquisas tanto em nível científico, com o aumento significativo das pesquisas que utilizam o levantamento estatístico, quanto em nível de contribuição prática, com a alta incidência de estudos de caso.
Os avanços das pesquisas no âmbito da Inteligência Competitiva, tanto em nível epistemológico quanto científico, nesse período sinalizam a consolidação da área como campo científico e o avanço das pesquisas nas universidades.
Neste período, segundo o levantamento realizado pelos pesquisadores Victor Kinp, Paul Dishman, Craig Fleisher, Sheila Wright e Robb Tindale47, foram identificados 518 documentos para este período. Houve aumento significativo de artigos científicos publicados em relação aos períodos anteriores e surgem os primeiros levantamentos de referências de teses e dissertações sobre o tema, conforme mostra a Tabela 4.45.
Tabela 4.45 – Tipo de referência – de 2000 a 2006
Tipo fi % Capítulos de livros 7 1,4% Livros 140 27,0% Artigos científicos 338 65,3% Teses e dissertações 33 6,4% Total 518 100,0%
Fonte: Produção do autor com base em Knip, Dishman e Fleisher (2003) e Fleisher, Wright e Tindale (2007) – anos 2000 a 2006.
Durante os anos 2000 a produção literária no contexto da Inteligência Competitiva ultrapassou, pela primeira vez, os demais temas, como: estratégia, marketing, sistema de informação etc., conforme Tabela 4.46. Foram retirados da análise 27 documentos que não se referem à atividade de Inteligência Competitiva, sendo que 10 tratam do tema espionagem.
Tabela 4.46 – Contexto das referências – 2000 a 2006
Classificação fi %
Contexto IC 262 50,6%
Complementar a IC 229 44,2%
Outro assunto 27 5,2%
Total 518 100,0%
Fonte: Produção do autor com base em Knip, Dishman e Fleisher (2003) e Fleisher, Wright e Tindale (2007) – anos 2000 a 2006.
A análise dos títulos desses documentos mostrou que o termo Inteligência apareceu em 60% dos artigos, sendo que a maioria relacionada à expressão Competitive Intelligence (63,1%), mostrando avanço ainda maior da utilização desse termo em relação aos períodos anteriores. O uso da expressão Marketing Intelligence continua em declínio (Tabela 4.47).
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Tabela 4.47 – Termo “Inteligência no título” – de 2000 a 2006 Título 2000 a 2006 fi % Intelligence 309 100,0% Competitive Intelligence 195 63,1% Business Intelligence 39 12,6% State-Military Intelligence 5 1,6% Marketing Intelligence 10 3,2% Competitor Intelligence 0 0,0% Strategic Intelligence 6 1,9% Outras denominações 54 17,5%
Fonte: Produção do autor com base em Knip, Dishman e Fleisher (2003) e Fleisher, Wright e Tindale (2007) – anos 2000 a 2006.
Nesse período, não houve grandes alterações nos diversos assuntos abordados, principalmente quando comparado a todo horizonte temporal analisado. Acredita-se que esses temas, antes dispersos na literatura, passam a ser tratados no âmbito da Inteligência Competitiva. Considerando o período de 2000 a 2006, destacam-se os temas: análise competitiva; informação; monitoramento; estratégia; espionagem; análise da concorrência; proteção do conhecimento e tecnologia da Informação. No período verifica-se grande número de referências ligadas a text mining.
Este período apresentou média de 74 publicações por ano sobre o assunto. A descontinuidade da revista “Competitive Intelligence Review” pode explicar em parte essa redução dessa média em comparação ao ano anterior. O ano de 2000 foi o que apresentou a maior quantidade de publicações (100 publicações), seguido pelos anos 2001 e 2003 (FLEISHER; KNIP; DISHMANl, 2003) – Figura 4.5.
Figura 4.5 – Evolução da quantidade de publicações em língua inglesa vinculada a Inteligência Competitiva (de 2000 a 2006)
Fonte: Produção do autor com base em Knip, Dishman e Fleisher (2003) e Fleisher, Wright e Tindale (2007) – anos 2000 a 2006.