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C OMPARATIVA ENTRE LOS DIFERENTES SISTEMAS DE GENERACIÓN DE REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

2. MARCO TEÓRICO Y FINALIDAD DEL TRABAJO

2.5. C OMPARATIVA ENTRE LOS DIFERENTES SISTEMAS DE GENERACIÓN DE REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Sabe-se que desde a antiguidade, os homens costumavam criar palavras para denominar tudo que observavam ao seu redor. Essa criatividade linguística de acordo com Barros (2004):

é tão antiga quanto a linguagem humana. Desde os tempos mais remotos, o homem dá nome às coisas, aos animais, às plantas, às fontes naturais de alimentação e sobrevivência, aos instrumentos de trabalho, aos artefatos para defesa pessoal, às peças do vestuário, em suma, a tudo que lhe está à volta [...] (BARROS, 2004, p. 28).

Conforme a autora, tal produção linguística de caráter terminológico é decorrente, sobretudo, da necessidade de entender o universo das coisas denominadas pelo próprio homem. Em virtude disso, os homens começaram “a compilar palavras, relacionar conteúdos, identificar equivalentes. Nascem os dicionários bilíngues e obras símiles, nos quais os termos – palavras que designam conceitos específicos de domínios especializados [...] ocupam lugar de destaque” (BARROS, 2004, p. 28).

Cabe ressaltar, de acordo com Barros (2004), que o surgimento de dicionários temáticos monolíngues destinados ao registro de definições de coisas referentes a um único domínio acerca da realidade do povo se deve aos Sumérios que viveram por volta de 2.600 a.C. Tal dicionário era produzido a partir da argila transformada em tijolo. Nessa obra histórica eram registrados os termos “relacionados a profissões, gado, objetos comuns e divindades [...]” Van Hoff (1998, p. 241 apud BARROS 2004, p. 29). Os registros desses termos nos tijolos contribuíram para o conhecimento da história da cultura, do costume e da religião desse povo.

Outra contribuição para a consolidação da Terminologia veio dos naturalistas no século XVII, principalmente dos Biólogos e Zoólogos, com destaque para Karl von Lineu que propôs

um sistema universal de nomenclatura com regras precisas para denominar espécies da fauna e flora do mundo inteiro. Foi neste período que a Terminologia teve seu reconhecimento formal por meio da elaboração de dicionários com vocabulários específicos que eram denominados conforme a natureza do léxico especializado (BARROS, 2004, p. 31).

A partir do século XVIII, por meio dos trabalhos desenvolvidos pelos enciclopedistas, muitas discussões foram motivadas em torno das propriedades e dos problemas em relação às línguas de especialidade, que foram posteriormente denominadas de terminologias. Tais questionamentos adentram o século XIX, o qual se destaca pela internacionalização das ciências e dos saberes que corroboraram para a preocupação dos cientistas em busca de novas estratégias para assegurar a univocidade da comunicação científica em âmbito internacional. Para este fim, estabelecem padrões terminológicos e incluem denominações para diferenciar o léxico das ciências em relação ao léxico comum, configurando, desta forma, os termos das ciências (KRIEGER; FINATTO, 2004, p. 25).

Apesar da prática terminológica na antiguidade ter tido grande relevância para os estudos terminológicos, foi no século XX que a Terminologia surgiu como uma “disciplina científica que estuda as línguas (ou linguagens) de especialidades e o conjunto vocabular de campos específicos” (BARROS, 2004, p. 28). Essa consolidação científica decorreu da necessidade de buscar uma fundamentação metodológica precisa para dar conta da comunicação social, pela qual são aplicados termos especializados, tanto na área técnica quanto na científica entre os profissionais que atuam em diferentes ramos de trabalho. Tal firmação foi necessária em decorrência de intensas transformações no cenário político, social e econômico, que ocasionaram o crescimento das unidades terminológicas.

Na concepção de Krieger e Finatto (2004, p. 26), “o crescimento exponencial das unidades terminológicas é um fenômeno diretamente resultante do acelerado avanço da ciência e da tecnologia que requer novas denominações para as novas descobertas e invenções que se avolumam”. Esta ampliação, vem, portanto influenciar a formação de novas terminologias relacionando novos campos e saberes.

Para este propósito e com a finalidade de garantir o uso unívoco dos termos em plano internacional foram estabelecidas diretrizes pragmáticas para normatizar as terminologias a fim de contribuir para o seu caráter científico. Nesse panorama de desenvolvimento das bases teóricas e metodológicas da Terminologia, surgem alguns grupos de estudiosos cujos objetivos consistiam em formar as chamadas Escolas Terminológicas Clássicas, entre as quais podemos citar as três pioneiras responsáveis pelas bases da Terminologia, são elas: a Escola de Viena, a Escola Russa e a de Praga, das quais os trabalhos terminológicos apontam perspectivas

centradas na normatização das terminologias, tendo em vista a padronização dos termos técnicos e científicos.

De acordo com Barros (2004) e Krieger e Finatto (2004), estas escolas podem ser observadas por meio das seguintes características:

A escola de Viena destacou-se com os trabalhos realizados pelo engenheiro austríaco Eugen Wüster (1898-1977), considerado o fundador dessa escola e o precursor da Terminologia. É importante destacar que a principal função da Terminologia para esta escola consiste em assegurar o controle dos usos terminológicos, a fim de evitar a ambiguidade dos termos técnicos e científicos utilizados na linguagem especializada da comunicação profissional por meio de sua padronização em âmbito internacional.

No que tange a escola de Praga, esta ficou conhecida por meio da contribuição dos estudos Terminológicos desenvolvidos pela Checoslováquia. Entre os principais representantes podemos destacar os trabalhos de L. Drozd “que se ocupa de modo intenso da descrição estrutural e funcional das línguas de especialidade” (BARROS, 2004, p. 52). De acordo com a autora, o princípio fundamental dessa escola “era considerar a língua em seu aspecto funcional, ou seja, como instrumento de comunicação no seio da vida social” (BARROS, 2004, p. 52). Assim, compreendia as línguas de especialidade pertencentes à língua geral, sendo por isso dinâmicas e passíveis de mudanças.

Por outro lado, a escola Russa de acordo com Krieger e Finatto (2004, p. 31) teve como um dos principais fundadores D.S. Lotte (1889-1950). Os pensamentos de Lotte não convergiam com os de Wüster apresentados na escola de Viena, pois ao considerar os termos pertencentes às unidades de língua geral, bem como das línguas de especialidade, admitia a sua realização em contextos socioculturais, sujeitos a influências extralinguísticas. Para ele “é no contexto e no discurso que o termo é investido de valor. Não visa, assim, à monossemia absoluta do termo” (BARROS, 2004, p. 50).

Apesar de estas escolas apresentarem diferentes posições a respeito da funcionalidade dos termos nas línguas de especialidades, foram influenciadas pela concepção de Wüster cujo objetivo primava pela normatização e padronização das terminologias, fato que suscitou reflexões e mudanças por estudiosos da área. Vale ressaltar, que os estudos realizados por essas três escolas, consideradas clássicas, contribuíram para a consolidação da área da Terminologia, firmando-a como um campo do conhecimento com fundamentos teóricos e metodológicos. Tal fato pode ser evidenciado pela escola de Viena, cujos princípios deram origem às bases teóricas da Teoria Geral da Terminologia, as quais veremos na próxima seção.