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2.5.1 Problemática

A procura de água em Portugal para o sector urbano está actualmente estimada em cerca de 570 milhões de metros cúbicos por ano, a que corresponde um custo para a sociedade de 875 milhões de euros, representando 0,77% do Produto Interno Bruto Português. Acontece que nem toda esta água é efectivamente bem aproveitada, havendo uma parte significativa associada a ineficiência de uso, sob a forma de água não facturada.

As perdas de água constituem uma das principais fontes de ineficiência das EG de abastecimento de água, verificando-se muitos poucos sectores produtivos onde seja permitido perder desta maneira a matéria-prima, durante o processo de transporte e distribuição ao consumidor final. A água é um factor essencial para o desenvolvimento socioeconómico de Portugal, e de qualquer país, e é um recurso estratégico e estruturante, sendo premente a necessidade de garantir uma elevada eficiência no seu uso, como contributo para a sustentabilidade dos recursos naturais.

Tona-se necessário identificar o que poderá ser considerado água não facturada. O esquema seguinte (Figura 12) representa o que poderá ser considerado água facturada e água não facturada.

A Água não facturada (ANF) traduzir-se-á em:

ANF = Água entrada no sistema - Consumo autorizado facturado

Inclui não só as perdas reais e perdas aparentes, mas também o consumo autorizado não facturado.

O tempo decorrente da utilização, face à erosão química e mecânica das tubagens provocada pela água, conduz ao aparecimento de fissuras e perda de capacidade de conexão mecânica entre os vários acessórios que constituem a rede, conduzindo a um mau estado (Figura 13). A baixa periodicidade de manutenção é outro dos factores apontados como influenciador no aumento das causas que podem originar ao aparecimento de fugas de água. As fugas são um dos tipos de perdas de água, e consequentemente conduzem ao aparecimento de água não facturada.

No que é respeitantes às perdas de água, os altos níveis de ineficiência não beneficiam nem os consumidores nem as EG, pois reduz a qualidade do serviço e implica um aumento do custo da água que na realidade é facturada aos consumidores. Promover a redução das perdas deverá ser um ponto de ordem na agenda de qualquer EG, assim como das entidades reguladoras. Neste tipo de infra-estruturas, além da perda de água relacionada com as más condições de conservação do sistema de distribuição, verificam-se perdas através de consumos não autorizados (roubo), erros administrativos, erros de manipulação de dados, e imprecisões de medição ou falhas. A água trata-se de um produto que é produzido por um operador de um sistema de fornecimento de água, portanto, água perdida ou não contabilizada pode ser equiparado a perder ou não contabilizar uma receita. Um programa de controlo e gestão de perdas de água auxiliará a localizar e reduzir essas mesmas perdas de água e assim manter ou aumentar a receita das entidades operantes.

Os programas de controlo de perdas podem potencialmente adiar, reduzir ou eliminar a necessidade de gastar recursos em reparações dispendiosas, melhorias ou expansões. Um programa de controlo de perdas também irá proteger a saúde pública através da redução em potenciais pontos de entrada de agentes patogénicos causadores de doenças.

As perdas de água dividem-se assim em Perdas Reais e Perdas Aparentes.

2.5.2 As perdas reais

As perdas reais correspondem às perdas físicas de água até ao contador do cliente, quando o sistema está sob pressão. Trata-se do volume anual de perdas através de todos os tipos de fissuras, roturas e extravasamentos. Depende da frequência, do caudal e da duração média de cada fuga. Podem ser caracterizadas como:

 Perdas de base (Ocorrem através de fugas pequenas e indetectáveis com os equipamentos de detecção correntes; Caracterizadas por caudais baixos, longa duração e grande volumes);

 Perdas por fugas e roturas registadas (tipicamente caracterizadas por caudais elevados, curta duração e volumes moderados);

 Perdas por fugas e roturas não registadas, mas identificadas através da detecção

activa de fugas (tipicamente caracterizadas por caudais médios, duração e volumes

 Fugas e volumes de extravasamento em reservatórios.

O aparecimento de perdas reais está relacionado com diversos factores. Pode-se enumerar os seguintes:

 Comprimento total de condutas;

 O seu estado físico e das componentes;  Materiais constituintes;

 A frequência do aparecimento de fugas e de roturas;  Densidade e comprimento médio de ramais;

 Pressão de serviço média;

 Localização do medidor domiciliário no ramal;  Tipo de solo e as condições do terreno.

2.5.3 As perdas aparentes

As perdas aparentes incluem todos os tipos de imprecisões associadas às medições da água produzida e da água consumida e o consumo não autorizado (por furto ou uso ilícito). Relevantes sobretudo no modo como se torna aparente ou não a ocorrência de roturas e fugas. Os factores que influenciam as perdas aparentes são em geral:

 As ligações ilícitas;

 O uso fraudulento de bocas-de-incêndio;  Erros associados à medição.

Das várias formas de actuação, de forma a reduzir os resultados das perdas aparentes poderemos actuar através de:

 Inspecção e controlo de todas as ligações ilegais à rede;  Aplicação de sanções severas nos casos de ligações;  Substituição do parque de contadores e medidores;  Utilização de equipamentos de medição mais precisos;  Dimensionamento e instalação adequados dos medidores;

 Melhoria dos procedimentos de recolha e processamento de dados;  Instalação de contadores em zonas verdes.