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C ATEGORIZING REASONS FOR REMAINING K AMAIYA WHEN THE ALTERNATIVES WERE BETTER

4. EVIDENCE FROM EX-KAMAIYAS IN WESTERN TERAI

4.3 C ATEGORIZING REASONS FOR REMAINING K AMAIYA WHEN THE ALTERNATIVES WERE BETTER

como você vê seu blog? Como o caracteriza?

Nassif: Eu tento – ainda não consegui ainda porque... Como você tem hoje um público não atendido pela mídia - tem que haver, (por exemplo), uma concentração muito grande de pessoas do PT ou... O que eu tento colocar no blog é a diversidade. Eu acho a diversidade um elemento essencial. E essa diversidade significa o seguinte: se eu coloco uma opinião... eu não sou dono da verdade. Então, se eu coloco uma... Isso ficou bem interessante no começo, quando você estava criando a cultura do blog – porque blog é uma cultura. Você cria a cultura inicial, você fica preso a ela. Outro dia eu estava conversando com o Favre (Luis Favre, blogueiro - http://blogdofavre.ig.com.br/), encontrei ele num evento. Ele disse: “Olha, a pior besteira que eu fiz foi, quando eu abri o blog, não ter moderado os comentários”. Então se criou uma agressividade lá... Você tinha no começo muitos blogueiros que queriam audiência, e deixavam passar tudo

(comentários). E estimulavam a catarse. Eu procurei fugir disso aí. É uma armadilha isso aí. Você fica prisioneiro. Não tem debate: você tem catarse. Eduardo: Quando você fala

de diversidade, na verdade é o contraditório. É o contraditório. A diversidade tem dois

aspectos aí. Um é essa questão do contraditório. Outro é a diversidade de temas também. Então nós conseguimos, por exemplo, dentro do blog lá, especialistas em Direito, especialistas em políticas estratégicas, especialistas em energia. Cada craque! Eduardo:

Outro dia você estava falando dos gravadores, dos grampos, do equipamento (suposto grampo telefônico de uma conversa entre o Ministro Gilmar Mendes e o Senador Demóstenes Torres, do DEM-GO), sujeito já veio com o perfil, característica técnica. Dois minutos já estava lá (no blog). Você viu? Você pega essas três semanas em

que desarmaram esses factóides contra a Satiagraha (Operação da Polícia Federal que envolveu o banqueiro Daniel Dantas) . É uma moleza. E você vê, eu tenho 500 coisas, não é que eu estou focado nisso aí. Mas chega lá o leitor vem e fala: “O Jobim (Ministro da Defesa, Nelson Jobim) falou tal coisa disso aqui. Isso aí é errado por conta disso.”

Eduardo: É como se você tivesse uma redação ampliada. É isso. Então, mas vamos

pegar um ponto central dessa história. Por que ocorreu isso aí? Porque eu abri mão de ser dono da informação. Se você tem uma postura autoritária, você não cria iguais lá. Ali, desde o começo, eu fiz questão de enfatizar que temos uma comunidade, temos vários comentaristas, um dos quais é o blogueiro. Eduardo: A relação é horizontal. É. E esse é o ponto. E outro ponto também é essa questão... Qualquer forma de intolerância lá, você coibir também. Você tem uma intolerância, que às vezes não dá para segurar muito, que é essa questão política aí que... Mas você tem, às vezes... você tem umas guerras aí em relação a cor, cota racial, ou guerra Israel X Palestina. Isso aí são problemas complicados que você tem que, talvez, definir regras lá. Eduardo: Mas até por essa coisa de ter um

chega... Você quer saber o dia em que o blog se consolidou? Foi o dia em que o Noblat entrou (no blog dele, Noblat), colocou lá um comentário, eu comentei o comentário dele e ele veio com aquele pessoal mais belicoso dele lá (comentaristas do blog do Noblat). E deu um quebra-pau. E o pessoal mais antigo do meu blog quis que eu tomasse uma decisão de vetar os “estrangeiros” que estavam chegando lá. E eu deixei claro para eles lá que não. Não tinha cabimento o blogueiro... Eduardo: O espírito da blogosfera é

democrático. Se você não abrir comentários, ou pelo menos, não abrir para o diálogo... não é blog, é uma coluna. Você vê.... Eduardo: Eu entrevistei uma pesquisadora na Espanha (Tíscar Lara, da Universidad Carlos III, de Madrid) que disse o seguinte: tem blogs que se apresentam como blogs que não são blogs. São colunas com uns penduricalhos. “Ah, tem um pouquinho de interatividade, tem não sei o quê”. Claro. Claro. Eduardo: Mas, por exemplo, esses que estão vinculados às empresas. Esse é o ponto. Eu tive uma liberdade nesse aí... Agora, esse caso específico aí

é interessante, porque criou um paradigma. O paradigma é o seguinte: o que eu mais temia lá era a “chacrinha”, você virar... Tudo bem, as pessoas ficam amigas lá, você tem os comentaristas de sempre. Mas se vira “chacrinha”, você está perdido. Então eu coloquei lá o “Trivial” (seção do blog) para quem quiser até se relacionar. E depois com a Renata (esposa de Luis Nassif), ela criou a comunidade “Verso e Prosa”. Daí uma parte foi para lá. E eu criei a comunidade do blog. Então as pessoas que querem conversar, trocar impressões, se relacionam lá. Eu acho que um certo clima de afinidade é bom. É bom.

Eduardo: Eu acho interessante que você responde comentários. O Noblat, por exemplo, raramente responde. O comentarista é estúpido, você vai lá e dá uma cortada. Ou tenta provocar a inteligência das pessoas. Isso é interessante, do ponto- de-vista de manter a credibilidade do blog. Sabe uma coisa interessante? Quando

argumentos. Argumentos contrários. Eu pegava e publicava junto. Dava um nó na cabeça. Ainda não havia familiaridade com esse contraditório. Dava um nó na cabeça do leitor: “Mas vem cá, quem está com a razão?” Era uma discussão de argumentos e, no final do processo, os dois vão estar pensando diferente e vão... Eduardo: Ficava argumento

contra argumento e o leitor ficava com as duas visões... É. E um ponto interessante é

essa desconstrução que estamos fazendo... Eu sempre investi contra esse “efeito manada” da mídia. Eu lancei um livro em 2002, “O jornalismo dos anos 90”, em que analisava lá uns 20 casos de linchamento (da mídia), em que eu fiquei contra. Inclusive o caso da Escola Base, em que eu fiquei sozinho numa ponta lá, até inverter. Depois que o leitor começa a entender esse jogo, ele vem e traz. Você tem, por exemplo, os comentaristas de mídia lá de... Vamos pegar um caso fantástico: quando o Jobim (Ministro Nelson Jobim, da Defesa) soltou aquela lista de equipamentos da ABIN (Agência Brasileira de Informação; lista de equipamentos que teriam sido usados no suposto grampo acima mencionado), um professor de Filosofia entrou na internet e falou: “Gente, o que ele pegou foi copiar uma lista do site do fabricante”. Cinco dias depois, o Jobim foi lá na CPI (dos grampos eletrônicos), perguntaram para ele, não teve como negar. Ou seja, quando o leitor começa a entender a lógica... Eduardo: Não assumiu, porque ele iria levar um

laudo ou parecer que o General Félix disse que ele ia levar, ele disse: “Ah, não, não trouxe nada”. Sim, mas agora o Globo (jornal) deu lá escondidinho que o laudo dizia

que era impossível grampear (com os equipamentos que a ABIN possuía no momento).

Eduardo: Os dois, a Polícia Federal e o Exército também está dizendo. O Exército

também. Eduardo: Um general pediu a demissão por conta desse negócio. O Ministro

está desmoralizado. Está desmoralizado. Mas a parte mais interessante é a seguinte -

você está acompanhando o blog você vê: os leitores pegaram todas essas manhas. Todas essas manhas jornalísticas. Eles aprenderam a diferenciar, no dia-a-dia, o que é

manipulação, o que não é. Então, os jornais não se deram conta disso ainda. Quer dizer, hoje o que se tem... Você tem aquele pessoal que é ideologicamente a favor do governo e contra qualquer crítica que venha de onde vier. E você tem um pessoal que é aquele meio campo mais crítico, que passou a entender o que é essa lógica de manipulação dos jornais, todo esse ferramental. Isso não é de agora. Esse ferramental é histórico, de quem era dono da informação, e que agora não comporta mais. Eduardo: Aquela expressão lá do Paulo

Henrique Amorim, PIG (Partido da Imprensa Golpista), pegou... Ah, totalmente.

Hoje... Agora, você vê que interessante a (revista) Época. Aquela entrevista lá com o juiz. Você chegou a ver os comentários? Eduardo: Vi. Eu li quase todos os comentários (no

site da revista Época, comentários sobre entrevista com o Juiz Fausto De Sanctis, que está julgando o inquérito resultante da operação Satiagraha). 99% a favor do Juiz,

contra o... Eduardo: Ministro Gilmar Mendes, do STF. É.

3) Você se considera livre para produzir e editar seus textos no blog? O blog lhe dá essa

liberdade, ou no jornalismo convencional você já é ou se sente livre?

Nassif: Liberdade completa ninguém tem. Você tem limites aí dados pela lei, limites

dados pelos leitores, e limites dados pelo local onde você está. Na Folha, no período que eu fiquei até... até o afastamento do “seu” Frias, eu nunca tive nenhuma limitação para escrever. Às vezes, eu recebia algum telefonema do Otávio Frias, Filho, (ou do pai), com ponderações procedentes. “Olha, você está exagerando um pouco nisso”. Mas isso foram duas vezes, três vezes que eu recebi ao longo de... Eduardo: Dez anos. Mais tempo. Eu retomei a Folha em 1991. Mas nos últimos tempos acabou. Essa diversidade acabou totalmente. Em meados de 2005 acabou. Foi estimulado pelas eleições... Isso aí foi estimulado por outras razões, que eu não seria agora leviano de afirmar. Mas é evidente

que no período final que eu fiquei lá não tinha... não tinha... Eu continuei com a minha linha, mas criava um conflito cada vez maior. Quando você falava de alguns bancos de investimento, você tinha conflito. Quando você tocava... Ali era questão de lançamento de ações e tudo mais. E daí entra um ponto complicado também, que é quando entra a transição (de comando no jornal, empresa familiar)... O Otávio (Frias Filho) é muito instável. O pai, ele tinha uma lógica. Era um sujeito duro, frio, mais você entendia. Era um cara... Você entendia a lógica do pai. E a lógica do filho é muito ligada a idiossincrasias, muito sujeito a... Então isso aí provocava uma insegurança em todo mundo. Tanto que hoje você vê o time... Eduardo: Pelo temperamento dele. É um temperamento muito... Muito fechado, muito instável. O ponto central era que o “seu” Frias estimulava a diversidade. E a diversidade era um elemento central. Que a Folha... Você vê todas... A Folha sempre foi conhecida pelos exageros que ela cometia, de um lado ou de outro. Mas nunca pela parcialidade ou por “rabo preso”. Aquela história de não “rabo preso” realmente foi...(mote da propaganda em certo momento, que dizia que a “Folha era um jornal de rabo preso com o leitor”). Ela, dentro dos interesses que cercam uma empresa jornalística, ela foi a que soube se comportar melhor lá. Eduardo: A Folha

era uma referência. O pessoal do PT lia, a esquerda, o pessoal do... Do PSDB, tudo.

Agora, a loucura da Folha, quando o “seu” Frias sai, é que entra numa fase complexa, em que você tem que ter um conjunto de definições, mudança de padrão tecnológico, dificuldades financeiras que estavam passando e tudo mais. Eduardo: Você pegou a fase

do Cláudio Abramo? Não. Quando eu entrei, o Cláudio já tinha... Era o Bóris. Ele

(Cláudio) tinha a coluna (São Paulo, página 2). Mas, então, essa perda de parâmetro aí... Os meus conflitos, a minha saída, era apenas um capítulo. Você tem o caso do Beraba (Marcelo), o caso do outro Ombudsman. Isso tirou o referencial. Alguns colunistas mais independentes eles mantêm... mantêm uma linha meio intimidada, eu diria assim. E

outros, você pega aí, que seguem aquilo que eles acham que o Otávio (Frias Filho) quer ouvir. Então, com isso, você prejudicou muito a diversidade do jornal. Eduardo: Fica...

fica uma coisa meio forçada. O sujeito não escreve pela cabeça dele. Tem gente ali que... O Élio Gaspari foi um que mudou da água para o vinho. É. O Gaspari “piscou” quando ele sofreu um ataque do... da Veja. Ele “piscou”. Isso é um ponto complicado, porque quando... isso aí foi uma das razões aí da minha série de Veja (“O Caso Veja”, série de artigos no blog mostrando contradições e ataques da revista a pessoas e instituições): quando a Veja me atacou... você pega uma revista com a tiragem da Veja, em que os colunistas tem autorização para atacar, o que é que você faz? Você “pisca”, se intimida e fala: “Vou ficar quieto para...”. Ué, então aposenta do jornalismo! Agora o blog, quando eu saí da Folha... Eduardo: O Boechat (Ricardo Boechat) também foi atacado

pela Veja. Ah, foi. A Veja... Só que a Veja, ela sempre teve esse padrão das maldades e

dos ataques, que vinha lá dos anos 80. Era com talento, e não tinha essa vinculação pesada que passou a ter com o Daniel Dantas, de 2005 para cá. Muito ligada a essa questão dos sul-africanos (investidores que passaram a ter participação no controle acionário do Grupo Abril, por uma abertura da legislação). Não foi imposição dos sul-africanos, mas foi a presença deles lá, mostrando como que... É 30% desse capital, mas não é aquela imposição do acionista. Ali, eles têm um estilo “barra pesada” e tem uma pessoa dentro da Abril... Parece que o Civita começou a aprender o que era você usar a parte jornalística como estratégia para ter uma influência política. Ele sempre foi alienado politicamente. Eu acho que foi aprendizado... Eu andei tentando entender, porque as pessoas falavam... A imagem dele, com as pessoas com que ele trabalhou, não é ruim. É uma pessoa que não tem a menor noção política, não tem ligação nenhuma com o Brasil. Mas com os sul- africanos, eles trouxeram um novo posicionamento nesse mundo de grandes capitais, e diversidade de poder, em que você usa a imprensa como um instrumento pesado para

tentar influenciar politicamente nos negócios. E a Abril caiu de cabeça nisso. Uma maluquice. Eduardo: Mas no Brasil será que isso ainda está dando certo? Porque a

imprensa está tão desmoralizada. E ficou por causa disso. E foi feito com muita falta de

talento, numa operação de alto risco, que colocou o pessoal em... Eduardo: Não é o

lobby, um grupo que está por trás? Mais que isso. É mais que o lobby porque ali foi

uma tentativa, num certo momento, quando houve esse pacto dos jornais, essa influência do Dantas em três grupos, especificamente, eles acharam que poderiam, em cima disso, conquistar o poder. Vamos abrir aquela entrevista que o Fernando Henrique deu, “isso aí é uma disputa pelo controle do Estado”, era aquilo. Então, no começo, quando eu vi aquele absurdo – isso enquanto eu estava na Folha, eu comecei a escrever contra isso ainda enquanto eu estava na Folha; você via... isso aí não estava dentro do padrão, nem para distorção jornalística. Era muita coisa. Eduardo: Então, dentro da Folha, tinha

algumas limitações. Teve. Eduardo: No blog, retomando aqui a pergunta: liberdade para produzir, editar... Quando eu saí da Folha, parecia que eu tinha entrado numa

piscina olímpica. Eduardo: Piscina olímpica? É. Parecia que eu tinha saído de uma banheira e entrado numa piscina olímpica. Apesar da Folha ter o alcance que tinha e o blog estar começando. Que ali (Folha), no final, foi complicado... Eduardo: Mais

interessante, porque na banheira você não consegue dar meia braçada... Mesmo não

tendo (o blog) pegado nem nada... Em dois sentidos: primeiro você passava a ter liberdade... não ter mais aquela “encheção de saco” de... Por exemplo, o caso da Veja. A Veja, no tempo da Folha, o meu maior medo, na minha briga com a Veja, na Folha, era levar uma “ferrada” por trás, uma puxada de tapete, uma coisa assim. Porque era...

Eduardo: Dentro da própria Folha. Dentro de própria Folha! Eu já estava na fase de

conflito... Então, quando você sai... Você fala: “Pô, mas o blog você não tem risco?” Tenho, uai. Tenho um portal lá (IG), que está por trás do... Mas o blog é a sua

personalidade que você coloca lá. O blog é a... Se você for pensar nas limitações e tudo, você não faz. Então, nunca tive... nunca consultei ninguém sobre o que escrever, o que não escrever.

4) Quais critérios são utilizados para selecionar os temas e matérias (posts) publicados