R – Porque há necessidade de existir um local de específico para o apoio aos imigrantes?
E1 – Ahh, bem vejamos, para atender às especificidades dos imigrantes, não é?! Tudo aquilo que nós aprendemos no curso de TAV, mais especificado com o TAV relativamente aos imigrantes, por exemplo, lá está, todas as especifidades, a língua, sei lá. o facto de estarem num, num país que provavelmente há menos, se calhar de um mês ou de uma semana e não o conhecerem, o facto de virem de um andamento jurídico até completamente diferente do nosso por vezes, isso agora, pronto, acho que basicamente é isso.
R – Qual é o perfil do utente da UAVIDRE?
E1 - Para além de ser imigrante claro, normalmente são mulheres, normalmente vítimas de violência doméstica, os casos pelo menos que eu me lembro de homens é quase sempre relacionado com, com a discriminação no trabalho, mais no trabalho.
R – Qual é o papel do utente no processo de atendimento? E1 – Não estou a perceber, como assim?
R – hum..se são passivos, se tem um papel activo durante o processo… E1 – ah, normalmente?!
R – Sim…
E1 – Isso depende muito da pessoa em si, mas geralmente quando as mulheres, principalmente as mulheres vítimas de violência doméstica têm um papel bastante activo, algumas..aquelas que vêm mais revoltadas vá, falam muito e normalmente até têm tendência para começar a falar antes de nós, começam logo a falar, começam logo a explicar o que é que estão a fazer e porque é que estão ali, o que é que querem, etc.…depois há outras que são exactamente o oposto, que é..não dizem nada e é muito difícil chegar ao problema real delas, é isso..
R – Quais as características de um bom voluntário ou colaborador da UAVIDRE? E1 – Deve ser um bom ouvinte, que eu às vezes não sou muito, tenho que estar sempre a falar, mas deve ser um bom ouvinte e tentar perceber sempre o problema essencial da pessoa, o que ela quer de nós, acho que é isso e depois claro, ser uma pessoa informada, não
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é, termos conhecimento suficientes para poder orientar a pessoa, basicamente (sorriu), não sei, acho que é isso.
R – Qual é a sua formação académica? Há quanto tempo trabalha na área da imigração e há quanto tempo colabora com a UAVIDRE?
E1 – Já estou na UAVIDRE desde Julho de 2009, estou a tirar o curso de Direito, vou acabar este ano e deixa-me ver…ah, com imigrantes trabalho desde que trabalho na UAVIDRE, acho que é só…para além de sempre ter tido muito relacionado com outras, outras etnias e outras raças durante toda a minha vida, mas sem ser a nível profissional.
R – Como é que começou a colaborar com a UAVIDRE, como surgiu?
E1 – Foi através do estágio do PEJENE, inscrevi-me e depois seleccionaram-me para a APAV, fui à entrevista e foi a partir daí.
R – Qual é a importância que atribui ao trabalho que desenvolve na UAVIDRE, o que o motivou a trabalhar no sector do apoio à vítima, nomeadamente na área da imigração?
E1 – Pois essa pergunta é um bocado complicada… R – Surgiu por acaso?
E1 – Não, não surgiu por acaso, para já, surgiu primeiro com a ideia do voluntariado (risos), com a ideia do voluntariado, depois com o facto de ser a APAV, a APAV que é uma associação bastante conhecida, não é, tem muito, muito peso, vá, pelo menos, daquilo que nos parece, que nos dá a transmitir, mas os imigrantes, eu sinceramente não sabia, quando vim primeiro cá á APAV não sabia que existia cá uma UAVIDRE, depois quando soube, quando me disseram na entrevista que era para trabalhar na Unidade de Apoio à Vítima Imigrante por acaso fiquei muito contente, porque lá está, tenho muito interesse por outras raças por outras etnias que não a minha e o facto de saber que podia ajudar pessoas neste grupo incentivou-me muito mesmo muito. E qual é a importância que eu atribuo ao meu trabalho? Especialmente é o facto de poder aprender com aquilo que faço e poder aplicar os meus conhecimentos e aumentá-los também, não é, aprendo muito e também é o facto de poder, poder ver a realidade das coisas, não no papel, mas ver as pessoas, as pessoas como elas reagem aos problemas que têm, porque as mulheres a chorar, ou então o sofrimento que nós vemos nos olhos, essas coisas, a parte emotiva e a parte humana, a parte humana.. Principalmente.
R – Tem outra actividade paralela?
E1 – Não, quer dizer..tenho outras actividades, mas não relacionadas. R – Quais as principais dificuldades que um TAV encontra?
E1 – Às vezes a língua, porque nós não estamos propriamente..não somos nenhuns poliglota e às vezes é muita complicado, já tive um caso desses, portanto..depois claro, são
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por vezes a APAV não poder dar a resposta que as pessoas querem porque a APAV não é o paraíso como algumas pessoas pensam, é o facto de nós termos que dizer não às vezes, não conseguimos, não podemos ajudar, quer dizer nós não dizemos isto, não é, mas ao fim ao cabo é o que acontece.
R – Conheces os parceiros da da UAVIDRE? E1 – Os parceiros?!
R – O ACIDI, outras instituições de imigrantes.. E1 – ah! Ok..
R – Que tipo de vínculos..como é que se articulam?
E1 – O ACIDI normalmente, não tenho grande conhecimento, mas para além de ser o Alto Comissariado, não é, para as imigrações, que é para onde vão a queixas, é a entidade competente para decidir das queixas de discriminação e normalmente também que são, eu sei que o ACIDI quando recebe queixas mal feitas normalmente manda as pessoas para a UAVIDRE para poderem ser encaminhadas ou pronto..outra coisa é as queixas que nós ajudamos os utentes a fazer a irem para lá para o ACIDI, para o ACIDI.como é que se diz, para o ACIDI resolver, vá..para além do ACIDI, eu não sei bem como é que se diz, não é, CIDR…OU CICDR…comissão…
R – Para a igualdade…
E1 – Exacto, sim, também há essa…não sei bem como se diz a sigla, mas é isso comissão para a igualdade, exacto e comunidades não sei quê, a APAV, ah e também, não, esquece, não, acho que é só isso, não me lembro de mais nenhuma.
R – Obrigada E1 – É só isso?!