1. Introduksjon
2.2 Stedsbegrepet
2.2.4 Stedsmyter og stedskonstruksjon
“In 900 years of time and space, I’ve never met anyone who wasn’t important”
— O Doutor, Temporada 6, Especial de natal -Mentor, Punição, Recompensa, Autocontrole, Compreensão, Único.
(Doutor como mentor: 4 vezes), (Punições: 21 vezes), (Recompensas: 37 vezes), (62x Doutor pacifista), (35x Doutor benevolente), (30x Ultimo da sua espécie).
Senhor do tempo é um titulo em Gallifrey (terra natal do Doutor) para aqueles que se tornaram aptos a viajar no tempo e receberam uma TARDIS, tendo até o momento o Doutor como seu ultimo representante. Em sua extensa vida acumulou muitos conhecimentos e experiências viajando pelo espaço-tempo por muitos séculos, enfrentado muitas ameaça e salvado o universo por inúmeras vezes, assim além de um Senhor do Tempo é visto quase como uma divindade por muitos povos, sendo
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responsável na série por conceder punições e recompensas especiais para aliados e vilões.
Steven Moffat um dos produtores da série tem uma frase que diz que ―o Doutor é um deus tentando ser humano‖, na primeira temporada o Doutor em muitos momentos tem um comportamento arrogante e superior se distanciando ao máximo dos outros povos, principalmente os humanos e demonstra sua ira contra os Daleks e outros vilões. A pesar dessa postura sempre mantem um companheiro humano ao seu lado, como em uma tentativa de recuperar ou não perder de vista sua humanidade e com o passar do tempo nas temporadas seguintes vai se tornando cada vez mais pacifico, descontraído e benevolente. Em contra partida o Doutor catalisa verdadeiras transformações e evoluções pessoais nos seus aliados e em alguns momentos até certos vilões.
Por suas características e comportamentos o Doutor muitas vezes é um herói atípico, em termos psicológicos, o arquétipo do herói representa o que Freud chamou de Ego, aquela parte da personalidade que se considera distinta do resto da raça humana. Esse arquétipo representa a busca de identidade e totalidade, em termos da narrativa o herói é o personagem que cria um laço de identificação da audiência com a história.
O herói é o personagem que normalmente move o fluxo narrativo figurando como centro deste, e sofrendo as maiores mudanças e crescimentos pessoais, sacrificando suas necessidades pessoais em beneficio dos outros.
Em muitos sentidos o Doutor se apresenta mais como um herói catalisador, um certo tipo de herói especial que Vogler apresenta como uma exceção à regra que diz que o herói é, geralmente, o personagem que sofre a maior transformação. São personagens que agem de maneira heroica, mas não mudam muito porque sua função principal é provocar transformações nos outros, eles agem-no sentido de ajudar ou guiar aqueles ao seu redor.
Em muitos momentos são os aliados do Doutor que resolvem a situação ou se sacrificam inspirados pelo seu exemplo. Essa postura vem em grande parte também do fato do Doutor reter tantos conhecimentos e experiência atuando mesmo que não diretamente como uma espécie de mentor. Em diferentes situações o Doutor sabe previamente como agir ou sabia de antemão o mistério que se revelam na história, e por vezes seus aliados o questionam sobre essas informações, que na maior parte dos casos ele não revela deixando que seus companheiros cresçam e se desenvolvam sozinhos.
Com o desenvolvimento da narrativa o Doutor apresenta também característica dos arquétipos de camaleão, pícaro e até sombra, apresentando varias faces de um
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personagem com traços mais humanos e ―realistas‖. O Doutor costuma estar envolto em uma aura de mistérios assim como grande parte do mundo ―especial‖, juntando isso a sua capacidade de regeneração que muda em partes sua personalidade, fazem dele um personagem complexo de se analisar, mas pelos dados coletados no projeto sua postura principal como herói central e herói catalisador.
Como herói central ele apresenta todas as características esperadas desse arquétipo, mas sua necessidade de estar sempre acompanhando para que não acabe estagnando ou retrocedendo como pessoa, projetando em seus companheiros suas experiências e crenças, faz como que o seu aspecto de catalizador assuma uma posição de importância, merecendo uma analise mais profunda.
Como foi colocado o herói catalisador funde características de herói e mentor, sobre essa questão Vogler apresenta algumas funções principais do mentor:
Função psicológica: Na psique humana, os mentores representam o self, o deus
dentro de nós, o aspecto da personalidade que está ligado a todas as coisas, nossa parte mais sábia e mais nobre. Nos contos clássicos o mentor costuma ser representando por uma velha ou velho sábio, representando os valores da experiência daqueles que nos antecederam.
Funções dramáticas: O mentor pode assumir uma série de funções narrativas
como ensinar, dar presentes, ser um inventor, ser a consciência do herói, criar motivação e plantar ideias e crenças.
O Doutor assume todas essas funções, ensinando e apresentando a seus companheiros o universo e seus mistérios, concedendo a eles recompensas e presentes especiais, inventando maquinas e soluções criativas para os obstáculos, alertando seus aliados sobre as consequências de suas escolhas morais, incentivando-os a superarem seus medos e dificuldades fazendo como que acreditem em si mesmos.
Além dessas funções Vogler descreve uma série de tipos distintos de mentor, mentores escuros, caídos, continuados, múltiplos, cômicos e xamãs. Dentre esses tipos dois deles são bastante recorrentes para o Doutor, o tipo de mentor caído e o mentor cômico.
O mentor caído é um tipo de mentor que ainda está trilhando seu próprio caminho em sua jornada de herói pessoal, eles podem estar vivendo uma crise de confiança, enfrentando problemas com o envelhecimento ou ter se afastado da estrada do herói.
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O Doutor apresenta uma serie de crises e relutâncias e um medo constante de se afastar da trilha do heroísmo e da humanidade. Seus companheiros acabam fazendo uma função de ancora e mesmo de mentores nesse processo.
O mentor cômico é um personagem que ajuda se aliado de alguma forma inusitada e inesperada, mesmo que seus conselhos sejam ruins eles acabam por ajudar de alguma maneira imprevista, mas satisfatória. Como esse tipo de mentor tem correlação com o arquétipo do pícaro, traz uma quebra de rigidez gerando uma mudança sadia nas psiques mais estagnadas, provocando o ego. Mais uma vez os mistérios sobre o Doutor aparecem para criar uma duvida sobre suas verdadeiras intenções, deixando confuso identifica-lo como um tolo ou um sábio.
Concluindo o Doutor é um personagem extremamente complexo, construído polos muitos anos da série, talvez um de seus traços mais marcantes sejam os paradoxos da sua existência, velho e jovem, tolo e sábio, divino e humano, mentor e aprendiz, herói e vilão. O personagem incorpora um vasto numero de potencialidades em si mesmo e talvez por isso o arquétipo que represente melhor suas qualidades seja o self.
O self representa a completude da psique e todos seus aspectos combinados, mas também sua parte central e mais superior, o self contempla em si varias dualidades como o masculino e feminino, sono e vigília, consciente e inconsciente. Referente ao símbolo da completude do self, Von Franz (p.266) apresenta o arquétipo do ―homem cósmico‖, uma figura humana gigantesca que personifica e encerra o universo inteiro, uma representação comum em mitos e sonhos geralmente apresentado como uma força positiva e complacente, o self pode ainda adquirir forma humana de jovens ou velhos, demonstrando que ele acompanha o individuo por toda a vida, mas que também subsiste além do fluxo da vida que temos consciência, estando de certa forma além da nossa experiência de tempo, segundo Franz o self não se encontra contido totalmente na nossa dimensão consciente (espaço-tempo), mas é simultaneamente onipresente. É notável como o Doutor carrega consigo muitas das qualidades do ―homem cósmico‖.
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