4.2 Intervju
4.2.1 Byggherrer
O objetivo do questionário aplicado pelo grupo de pesquisa BIM-BA, do Laboratório de Computação Gráfica Aplicada à Arquitetura e ao Desenho – LCAD da Faculdade de Arquitetura da UFBA, era caracterizar o perfil dos participantes do V Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção (TIC 2011). Devido ao alto
número de respondentes, com participação de agentes representantes de diferentes papéis na cadeia produtiva de empreendimentos de construção civil, a análise das respostas cedidas pelos pesquisadores será útil para fazer considerações sobre a implementação da modelagem da informação da construção em empresas de construção civil. O total de respondentes foi de 187.
Como caracterização das áreas de atuação dos respondentes, 42% fornecem projetos de edificações, 25% representam empresas construtoras, 23% fazem gerenciamento de construção, 15% oferecem serviços de planejamento, 10% realizam incorporação imobiliária e menos de 10% realizam serviços de projetos de infraestrutura, operação e manutenção de edificações e desenvolvimento de software.
Também nesse questionário observa-se uma maioria de empresas fornecedoras de projetos, e porcentagem considerável de empresas construtoras e fornecedoras de serviços de planejamento e gerenciamento de obras, todos serviços diretamente beneficiados pelo uso da modelagem da informação da construção. Novamente observa-se que o evento tem como tema a modelagem da informação da construção, e entende-se que o público geral e respondentes têm um conhecimento acima da média de mercado sobre modelagem da informação da construção.
Entre as empresas representadas, 38% são consideradas grandes empresas (mais de 100 funcionários), 6% médias empresas (entre 50 e 100 funcionários), 19% pequenas empresas (entre 11 e 49 funcionários) e 14% micro empresas (até 10 funcionários). Adotou-se para essa classificação o critério utilizado pela McGraw Hill no relatório de implementação da modelagem da informação da construção nos Estados Unidos e Europa – SmartMarket Report, (2009). Do total de respondentes, 23% representam instituições de ensino e pesquisa.
Nota-se um grande número de representantes de instituições de ensino e pesquisa, provavelmente em função da natureza acadêmica do evento. Tal informação reforça a observação de que o conhecimento do público do evento está acima da média de mercado, uma vez que a modelagem da informação da construção vem sendo tema de diversas pesquisas nos últimos anos. No evento que mencionamos foram
apresentados 45 artigos, dos quais 35 eram relacionados à modelagem da informação da construção.
Quanto à modelagem da informação da construção, 28% dos respondentes afirmaram já prestar serviços em modelagem, e 36% afirmaram que já haviam realizado treinamento ou participado de cursos de modelagem da informação da construção.
Entre as dificuldades na implementação e no uso da modelagem, os respondentes identificaram os seguintes aspectos, descritos na Tabela 8:
Tabela 8: Elenco de dificuldades de implementação e uso da modelagem da informação da construção
Grupo de Semelhantes
Dificuldades Porcentagem
Integração A integração com a equipe de parceiros. 7% Interoperabilidade A pouca compatibilidade com as ferramentas até então
utilizadas. 11%
Tempo O tempo necessário para implantação da tecnologia na
empresa. 11%
Formação e
aprendizado A dificuldade no aprendizado das ferramentas.
14% Pouco material de aprendizagem: manuais, livros e
bibliografia sobre o tema. 14%
Necessidade de formação de mão de obra especializada.
10% Custo O custo elevado da adoção das ferramentas. 12% Resistência à
mudanças Resistência da equipe em mudar as metodologias de trabalho. 9%
A complexidade da tecnologia. 13%
Fonte: Dados de resposta dos questionários do V Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção (TIC 2011)
Para análise dessa questão, as dificuldades sugeridas pelo questionário estruturado foram agrupadas na Tabela 8 com outras de aspectos semelhantes.
Observa-se que a distribuição das escolhas dos respondentes entre as opões não teve grande variação. Identifica-se, no entanto, que há uma atribuição significativa, no que diz respeito aos grupos relacionados à formação, ao aprendizado e à resistência a mudanças.
Tais aspectos são relacionados a partir da aceitação da hipótese de que não existam profissionais qualificados ou material disponível para a sua formação e treinamento, não havendo, portanto, opção para renovação dos profissionais do mercado. Outro ponto de vista seria avaliar se a afirmação de que não há profissionais atuantes está relacionada à resistência aos aspectos de mudança gerados pela implementação dos novos processos e tecnologias da modelagem. Quanto aos motivos para a adoção da modelagem da informação da construção, os respondentes selecionaram os itens identificados na Tabela 9: Motivos para adoção da modelagem da informação da construção.
Tabela 9: Motivos para adoção da modelagem da informação da construção
Motivos para adoção Porcentagem
Para diminuir o prazo de entrega dos projetos. 50%
Por causa da complexidade dos projetos que desenvolve. 42%
Por que a ferramenta BIM permite realizar alterações com
maior facilidade. 69%
Para melhorar a apresentação dos projetos. 33%
Por demanda do cliente. 8%
Por esperar maior retorno financeiro. 23%
Fonte: Dados de resposta dos questionários do V Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção (TIC 2011)
Os três itens com maior percentual de escolha pelos respondentes são referentes à etapa de projetos do empreendimento. Essas escolhas podem ser associadas à maioria de empresas fornecedoras de projetos e empresas altamente impactadas
pela qualidade, complexidade e prazo de desenvolvimento dos projetos (construtoras, gerenciadoras e incorporadoras).
As mudanças nos processos observadas pelos respondentes pelo uso da modelagem da informação da construção em suas empresas e o seu impacto foram identificadas conforme apresentado na Tabela 10: Grau de impacto da modelagem da informação da construção nas mudanças dos processos das empresas.
Tabela 10: Grau de impacto da modelagem da informação da construção nas mudanças dos processos das empresas
Grau de Impacto Mudanças nos Processos
5 (mais alto impacto de mudança)
Antecipação de problemas Visualização dos projetos
4
Redução de erros de projeto
Geração de maiores detalhes de projeto
Possibilidade de escolha de melhores soluções de projeto
Maior precisão de orçamento Aceleração do processo de projeto
3
Aceleração da construção da edificação Simulações (energéticas e estruturais) Redução do custo da construção.
Fonte: Dados de resposta dos questionários do V Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção (TIC 2011)
Foram apresentadas algumas características associadas ao uso da modelagem da informação da construção para que os respondentes identificassem a importância que associam a cada uma delas. As características em sua colocação de importância conforme apontado pelos respondentes são as seguintes: 1º) Extração automática de quantitativos e custo, 2ª) Integração direta com aplicativos de custo, 3º) Integração direta com aplicativos de gerenciamento, 4º) Trabalho colaborativo,
5º) Permitir o trabalho multidisciplinar, 6º) Uso de bibliotecas padronizadas, 7º) Produção de projetos em larga escala, 8º) Facilidade na simulação energética, 9º) Possibilidade de customização do programa, 10º) Facilidade de desenvolvimento do modelo conceitual no início do projeto, 11º) Compatibilidade com IFC, 12º) fotorrealismo, e 13º) Coordenação e configurações automáticas.
Observa-se, pelas respostas a essa questão, o apontamento para itens que geram redução no prazo total e redução de retrabalho na etapa de projetos (1ª a 3ª colocadas). A identificação de vantagem no trabalho colaborativo pode ser interpretada como uma necessidade de melhoria nas interfaces entre os agentes conforme percebidas pelos respondentes, além da percepção da modelagem da informação da construção como oportunidade para reestruturar seus processos e a interação com esses agentes, levando a resultados melhores, em especial aos profissionais fornecedores de projetos.