33 VII. Ordrer
23. Bygg under
Este trabalho teve por objetivo observar quais foram as adaptações das empresas emissoras de ADR no processo de harmonização das normas contábeis internacionais, IFRS.
Para alcançar o objetivo desta dissertação foi realizada uma pesquisa de cunho exploratório a partir do estudo de casos múltiplos com a análise qualitativa dos resultados.
Foram analisadas quatro corporações de grande porte, participantes do programa de emissão ADR na Bolsa de Valores de Nova York, com significativa expressão nos respectivos setores de atuação.
O estudo revelou que todas as empresas tiveram adaptações relevantes nos seus processos, controles e estrutura de poder.
Por serem emissoras de ADR, já estavam em conformidade com as exigências impostas pela SEC. Os comitês de auditoria ou fiscal já compunham a estrutura das empresas.
Observou-se que mesmo com todos os procedimentos necessários já implementados, essas empresas ainda divulgavam as suas demonstrações financeiras em vários modelos, entre eles, o Fiscal, o US GAAP, o BR GAAP regulatória e prudencial.
A maneira de analisar os números das empresas passou a mudar com a promulgação da Lei nº11.638/07, que informou às empresas de capital aberto que teriam até 2010 para adotar totalmente as normas internacionais de contabilidade, ajustando seus balanços, controles e políticas de governança corporativa.
Para atender às normas estabelecidas, as empresas fizeram muitos ajustes pontuais visando o melhor procedimento.
Todas as empresas analisadas criaram grupos de trabalho para, em primeiro lugar, entender e descobrir em quais CPCs estariam subordinados. Os colaboradores foram apartados de suas áreas de origem e saíram de suas atividades por mais de um ano. Alguns não retornaram para suas áreas de origem, por se tornarem especialista em IFRS, e foram promovidos para outras áreas relacionadas à treinamento e consultoria.
Observou-se que as atitudes das empresas – ao se organizarem para atender às normas internacionais – provocou um aquecimento na procura de novos talentos para as empresas. Devido à falta de mão de obra especializada, alguns consultores foram contratados como colaboradores nas empresas nas quais estavam prestando serviços.
Percebeu-se que o mercado de consultoria em IFRS se beneficiou com a falta de especialistas para contratação.
Atualmente as universidades estão correndo contra o tempo para atualizar suas grades de ensino e formar contadores especialistas na nova contabilidade.
Os colaboradores das organizações estão falando mais de contabilidade e os contadores passaram a participar de reuniões estratégicas, estão mais próximos do comitê de administração, o que os tornam politicamente mais fortes.
Com a criação dos comitês fiscais e a impossibilidade das empresas de auditoria de prestar outro tipo de serviço nas empresas auditadas, percebeu-se mais transparência nos resultados das empresas.
Com a solução dada pela ANEEL para o retorno da contabilização dos ativos e passivos regulatórios nas empresas concessionárias de serviços públicos, percebeu-se que os órgãos reguladores estão dispostos a ajudar no fortalecimento das garantias, dando base legal para a CVM aprovar mudanças nas formas de contabilização sem precisar competir com o IASB.
Os entrevistados declararam que os números em IFRS estão mais leves e que foi criada uma base de comparação mais justa; já os investidores podem analisar e decidir a compra e a venda em um contexto diferente.
Foram analisadas mudanças e adaptações possíveis, conforme apontado pelo estudo de Shirley (1974), que podem ocorrer em quatro pontos principais: estratégicos, tecnológicos, estruturais e comportamentais.
Na questão estratégica das empresas, o estudo não constatou mudanças significativas que pudessem afetar os negócios em curso. Os entrevistados não perceberam mudanças de foco da alta administração impactados pela harmonização contábil.
Na área tecnológica também ocorreram muitas mudanças e adaptações. Todas as empresas ajustaram seus sistemas ou contrataram módulos que atendessem às demandas contábeis.
No aspecto estrutural de comando, verificou-se que em todas as empresas pesquisadas o contador assumiu um posicionamento melhor, passou a ser mais questionado e amplamente solicitado. Frequentemente é convocado para reuniões de perfil estratégico. Além disso, novas áreas foram criadas para atender às novas exigências de governança corporativa. Percebeu-se, também, menor dependência do departamento jurídico nos assuntos contábeis.
Quanto à análise comportamental das empresas, notou-se uma preocupação maior com os resultados e os impactos gerados por cada área. A alta direção precisa conhecer muito mais a respeito de contabilidade, e o contador, ampliar consideravelmente seu conhecimento sobre os negócios da empresa. Em geral, as empresas falam mais dos resultados e de contabilidade. Segundo os entrevistados, não é mais possível executar seus trabalhos sem saber dos impactos que gerarão nos registros das empresas.
Por fim, observou-se neste estudo a adequação das palavras de Sérgio de Iudícibus ao afirmar: “A contabilidade passou a ser da empresa e não mais só do Contador”. (IUDÍCIBUS, 2010).
REFERÊNCIAS
BARBOSA NETO, J.E.et al. Impacto da convergência para as IFRS na análise financeira: um estudo em empresas brasileiras de capital aberto. Revista Contabilidade Vista & Revista, v.20, nº4, p.131-153, out.-dez. 2009.
BARTH, M; LANDSMAN, W.; LANG, M. International accounting standards and accounting. [ S.1.]: Quality. Journal of Accounting Research, v.46, nº3 p.467-498, 2008.
BEKE, J. International accounting harmonization: evidence from Europe. International Business and Management, v1, nº1, p.48-61, 2010.
CESAR, A.M.R.V.C.; ANTUNES, M.T.P.; VIDAL, P.G. Método do estudo de caso em pesquisas da área de contabilidade: uma comparação de seu rigor metodológico em publicações nacionais e internacionais. Revista de Informação Contábil, v.4, nº4, p.42-64, 2010.
CHANG, C.C.; LANDIS, M. YU, S.C. Investing in accounting: a call for professional involvement in higher education. American Journal of Business Education, v.4, nº2, p.27-32, 2011.
CHEONG, C.S.; KIM, S; ZURBRUEGG, R.Business School University of Adelaide, Australia, 2010.
CHIAVENATO, I. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. São Paulo: Atlas,1996.
CONSELHO Federal de Contabilidade (CFC). Resolução CFC nº1055/2005. Cria o Comitê de pronunciamentos contábeis (CPC) e dá outras providências. Disponível em: www.cp.org.br. Acesso em: 18 mar.2015.
CUMMINGS, T. G.; WORLEY, C.G. Organization development and change. Shouth-Western, 2005.
FIROZ, M.C.A.; ANSARI, A.A.; AKHTAR, K. IFRS Impact on Indian banking industry. International Journal of Business and Management, v.6, nº3, 2011.
GANNON, D.J. International financial reporting standards for US companies: planning for adoption. The Corporate Governance Advisor, v.16, nº6, 2008. GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002. ______. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2007.
GRECCO, M.C.P. O efeito da convergência brasileira às IFRS no gerenciamento de resultados das empresas abertas brasileiras não financeiras BBR. Brazilian
Business Review, v.10, nº4, p.117-140, octubre-diciembre, 2013, Fucape Business School Vitória, Brasil. Disponível em: http://www.redalyc.org. Acesso em: 20 maio 2015.
HAIL, L.; LEUZ, C.E.; WYSOCKI, P. Global accounting convergence and the potencial adoption of IFRS by the U.S. Part I: conceptual underpinnings and economic analysis. Accounting Horizons, v.24, p.355-394, 2010.
HCUMMINGS, T. G.; WORLEY, C.G. Organization development and change. South-Western: Thomson, 2005.
HELLMAN, N. Soft adoption and reporting incentives: a study of impact of IFRS on financial statements in Sweden. Journal of International Accounting Research, v. 10, nº1, p.61-83, 2013.
HENDRIKSEN, E.S.; BREDA, M. F. V. Teoria da Contabilidade. Tradução de Antonio Zoratto Sanvicente. São Paulo: Atlas, 2012.
HENDRIKSEN, E. S. Accounting theory. Homewood: Richard D. Irwin, 1971 e 1977.
HOPWOOD, A.G. Towards an organizational perspective for the study of accounting and information systems. In: Accounting, organizations and society, 1978.
IKUNO, et al. Contabilidade internacional: uma análise da produção científica sobre os principais periódicos internacionais da área (2000 a 2009). Congresso USP de controladoria e contabilidade, 10. v.1, p.01-16, 2010.
IUDÍCIBUS, S. de. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas, 2012. ______. Teoria da Contabilidade. Evolução e Tendências. Revista de Contabilidade do Mestrado em Ciências Contábeis da UERJ, 2012. ______. Teoria da contabilidade. 10.ed. São Paulo: Atlas, 2010.
IUDÍCIBUS, S. de; MARTINS, E.; GELBCKE, E.R.; SANTOS, A. dos. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010.
LAINEZ, J. et al. The Spanish accounting system and international accounting harmonization. The European Accounting Review, v.8, nº1, p.93-113, 1999. LEVY, H. Impactos e perspectivas na implementação das IFRS: os Ris na grande virada da contabilidade brasileira. In: Encontro Nacional de Ris e mercado de capitais, 13, São Paulo, 12 jul.2011.
LIU, B.Q.; HILTEBEITEL, K. IFRS adoption in the U.S.: why the postponement? The CPA Journal, p.26-32, 2010.
MARION, J.C.de. Contabilidade empresarial. 16.ed. São Paulo: Atlas, 2012. MARSHALL, K. Change is coming. Are you ready?, 2011. Disponível em:
https://webformas.ey.com/Publication/vwLUAssets/Change_is_coming._Are_you_rea dy.pdf. Acesso em: 16 fev.2015.
MARTINS, G.A. Estudo de caso: uma estratégia de pesquisa. São Paulo, 2006. MATTOS, P.L. Entrevista qualitativa: instrumento de pesquisa e evento dialógico, In: GODOI, C.K.; BANDEIRA DE MELLO; SILVA, A.B. Pesquisa qualitativa em
estudos organizacionais: paradigmas, estratégias e técnicas. cap.12. São Paulo: Saraiva, 2006.
MIHAELA, S.C. et al. Controversal aspects regarding the accounting harmonization process in Romania. Harmonization, convergence or conformity? The journal of Faculty of the Economics, v1, nº2, p.899-905, 2012.
MINTZBERG, H; WESTLEY, F. Cycles of organizational change. Strategic Management Journal. v.13, p.39-59, 1992.
MOTTA, P.R. Transformação organizacional: a teoria e a prática de inovar. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.
MURPHY, M. L. Will simpler also be better? 7 ways reduced complexity will affect the financial reporting world. Financial Reporting, April 13, 2015.
NILSEN, K. Shaping the future. Journal of Accountancy, p.22-26, 2010.
OLIVEIRA, D.P.R. Sistemas, organizações e métodos: uma abordagem gerencial. 15.ed. São Paulo; Atlas, 2005.
POHLMANN, M.C. Harmonização contábil no Mercosul: a profissão e o processo de emissão de normas – uma contribuição. São Paulo: FIPECAFI, Caderno de Estudos nº2, 09/1995.
QWESHA, B. Restructuring of the Port Elizabeth Hospital Complex: a
perspective from the planned change management approach. Master Thesis Rhodes Investec Business School, 2009.
REVISTA capital aberto especial. Guia de IFRS: perguntas e respostas, ano 3, nº24, 2011.
ROBLES JUNIOR, A; SILVA, A.G. da. Os impactos na atividade de auditoria independente com a introdução da Lei Sarbanes - Oxley. Revista Contabilidade Financeira da USP, São Paulo, v.19, nº48, p.112-127, set.-dez.2008.
SHIRLEY, R. Um modelo para mudança organizacional. Revista MSU Business Topics, v.22, nº2, 1974.
SILVA, A. C.R. Metodologia da Pesquisa Aplicada à Contabilidade. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2006.
SILVA, J; VERGARA, S. C. Sentimentos, subjetividade e supostas resistências à mudança organizacional. Revista de Administração de empresa, v.43, nº3, 2003. SILVA, R.L.M. de. Adoção completa das FRS no Brasil: qualidade das
demosntrações contábeis e o cisto de capital próprio. São Paulo: USP, 2013. STONER, J.A.F.; FREEMAN, R.E. Administração. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1995.
STOVALL, D.C. Transition to IFRS: What can we learn? The Business Review, v.16, nº1, 2010.
SUZUKI, T. Accountics: impacts of internationally standardized accounting on the Japonese socio-economy. Accounting, Organizations and Society, v.32, p.263- 301, 2007.
VERGARA, S.C. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 5.ed.São Paulo: Atlas, 2004.
WOOD, T. Mudanças organizacional: uma abordagem preliminar. Revista de Administração de Empresas, v.32, p.74-87, 1992.
YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3.ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.
SITES
COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS
Disponível em: http://www.cvm.gov.br. Acesso em: 20 maio 2015. FINANCIAL ACCOUNTING STANDARDS BOARD
Disponível em: http://www.fasb.org. Acesso em: 15 maio 2015. IFRS
Disponível em: http://www.ifrs.org. Acesso em: 15 mar.2015. REFERÊNCIAS NORMATIVAS (ABNT)
ABNT NBR 6027:2012 – Informação e documentação – Informação e documentação – Sumário – Apresentação
ABNT NBR 14724:2011 – Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação
ABNT NBR 15287: 2011 – Informação e documentação – Projetos de pesquisa – Apresentação
ABNT NBR 6034: 2005 – Informação e documentação – Índice – Apresentação ABNT NBR 12225: 2004 – Informação e documentação – Lombada – Apresentação ABNT NBR 6024: 2003 – Informação e documentação – Numeração progressiva das seções de um documento escrito – Apresentação
ABNT NBR 6028: 2003 – Informação e documentação – Resumo – Apresentação ABNT NBR 10520: 2002 – Informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação