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Bygg, anlegg og husholdninger

4 Barrierer for energieffektivisering

4.3 Bygg, anlegg og husholdninger

As superfícies permeáveis estão incluídas na modalidade de dispositivos de infiltração. Elas consistem, geralmente, de estruturas simples sob o ponto de vista construtivo e são destinadas a reduzir diretamente a produção de escoamento pluvial, fazendo infiltrar parte da chuva precipitada sobre sua superfície. As soluções podem aproveitar as próprias

água pluvial

24 condições naturais do solo local para promover a infiltração da chuva, ou serem providas de estruturas construídas artificialmente.

Várias alternativas são possíveis, incluindo o uso de superfícies simples formadas de material granular, superfícies cobertas por vegetação e, também, a aplicação de revestimentos permeáveis sob a forma de blocos modulares ou pavimentos permeáveis. Recentemente, o uso de revestimentos permeáveis tem sido uma opção bastante atrativa. Isso se deve, dentre outras coisas, aos avanços tecnológicos na produção desses materiais e a boa integração ao ambiente urbano.

A utilização de blocos modulares e pavimentos permeáveis constituem uma alternativa onde a precipitação é desviada através de uma superfície permeável para camadas de solo subjacentes. Geralmente, essa camada subjacente é composta por uma camada de areia sobreposta a uma camada de material granular, como brita. Essa última funciona como um reservatório de armazenamento. Quando esse reservatório é incluído na estrutura do revestimento, ele é dimensionado para acomodar o volume de escoamento de uma chuva de projeto menos o volume infiltrado durante a chuva (Silveira, 2003).

Os pavimentos permeáveis são divididos, normalmente, em duas modalidades: asfalto poroso e concreto poroso (Urbonas e Stahre,1993). Esses materiais apresentam características construtivas semelhantes ao pavimento convencional. A diferença está na eliminação do material fino da sua composição.

Os revestimentos modulares são compostos por blocos individuais fabricados normalmente em concreto com diversas formas geométricas, podendo ser completamente maciços ou possuir uma área vazada. Esses últimos podem ter a área vazada preenchida com areia, pedregulho ou vegetação rasteira. Recentemente, alguns trabalhos apresentam um outro sistema, em que os blocos de concreto são substituídos por uma grade plástica flexível (Hunt et al., 2002; Brattebo e Booth, 2003).

De forma alternativa, os revestimentos permeáveis podem funcionar como reservatório de amortecimento, mediante a instalação de drenos auxiliares para retirar o excesso de água. Esse sistema é, geralmente, recomendado quando o solo possui uma taxa de infiltração que

25 não permite o esvaziamento do reservatório de pedras por infiltração para a chuva de projeto considerada.

A figura 2.4 apresenta um esquema geral da estrutura desses revestimentos e a figura 2.5 mostra uma aplicação desse tipo de superfície. Geralmente a aplicação desses dispositivos é acompanhada pela colocação de um material geotêxtil, isolando o solo da camada de pedras (reservatório), como forma de evitar a migração de partículas de solo para essa camada e a ocorrência de colmatação da estrutura. As camadas de areia funcionam, normalmente, como uma camada niveladora para o assentamento dos blocos e como um meio filtrante, voltado para promover a melhoria da qualidade da água infiltrada.

(a) (b)

Figura 2.4 –Tipos de revestimentos permeáveis: (a) pavimento permeável e (b) revestimento de blocos modulares (Urbonas e Sthare, 1993).

(a) (b)

Figura 2.5 – Revestimentos permeáveis: (a) blocos modulares vazados (UDFCD, 2002) e (b) blocos modulares maciços (Hinman, 2005).

26 Alguns benefícios trazidos pela aplicação de revestimentos permeáveis são: redução considerável da vazão e do volume escoado sobre superfícies pavimentadas; possibilidade de serem utilizados em áreas já urbanizadas; diminuição da dimensão do sistema de drenagem pluvial, dentre outras. Shclüter e Jefferies (2002) enfatizam que o uso de revestimentos permeáveis constitui uma forma de sistema de drenagem urbana sustentável, que permite atenuar o pico do escoamento superficial enquanto preserva o valor da área urbanizada.

Além de serem eficientes no controle quantitativo do escoamento, esses dispositivos também têm se mostrado úteis na melhoria da qualidade da água de escoamento pluvial. Alguns trabalhos desenvolvidos recentemente investigaram os efeitos dos pavimentos permeáveis sobre a qualidade da água de escoamento pluvial e o impacto da infiltração por meio desses dispositivos na qualidade do solo e da água subterrânea. Os resultados demonstraram que a qualidade da água infiltrada é significativamente melhorada pela sua passagem através do pavimento poroso (Legret et al., 1999; Legret e Colandini, 1999). Entretanto, não pode ser desconsiderado o risco de liberação de poluentes junto à água infiltrada.

Entretanto, a literatura traz algumas restrições para a aplicação de revestimentos permeáveis, sobretudo com relação à topografia e hidrogeologia local. Recomenda-se que os locais adequados para a utilização dessa tecnologia devam ter subsolo com elevada capacidade de infiltração, declividades suaves e lençol freático relativamente profundo. Urbona e Sthare (1993) recomendam solos com taxas de infiltração finais superiores a 7 mm/h e nível do lençol freático a, no mínimo, 1,2 m do fundo do dispositivo. UDFCD (2002) recomenda terrenos com declividades inferiores a 5%.

É importante observar, entretanto, que esse valor de infiltração é bastante restritivo. Trabalhos realizados no Brasil (Araújo, 1999; Acioli et al., 2005), por exemplo, têm revelado uma boa eficiência de pavimentos permeáveis mesmo em solos com taxas de infiltração iguais ou inferiores à recomendada. Nesse sentido, esses limites devem ser tomados com cuidado, pois podem induzir, precipitadamente, à eliminação dessas soluções.

27 As principais ressalvas que podem ser atribuídas ao uso desses elementos dizem respeito ao problema da falta de controle na construção e manutenção, que podem levar a altas taxas de falha do dispositivo, sobretudo devido ao processo de colmatação, e ao baixo poder de suporte desses pavimentos, o que recomenda seu uso em calçadas e em estacionamentos para veículos leves (Cruz et al., 1999).

Para minimizar o risco de colmatação dessas estruturas, recomenda-se a lavagem periódica da superfície dos dispositivos com jatos de água pressurizados para manter os poros livres de sedimentos e a utilização de equipamentos específicos que realizem um tipo de varrição à vácuo das ruas (UDFCD, 2002). Um outro aspecto que pode limitar o uso desses dispositivos se refere ao risco de contaminação do lençol freático em função da infiltração de poluentes presentes nas águas de escoamento pluvial.