4) Monogami eller sølibat
4.2 Seksuell immigrant i rom og tid
4.2.1 By eller land ?
glaciação
Várias indicações de rebaixamentos relativos do nível do mar foram apontadas por estudos tectono-sismo-estratigráficos incluindo aqueles
amplamente divulgados pela Estratigrafia de Sequências no caso das escalas de mais alta frequência, quando a eustasia, vinculada ao acréscimo e decréscimo de camadas de gelo continentais, é tida como principal causa dessas flutuações, (Posamentier et al. 1988; Vail et al., 1977). Incluem-se entre elas, feições sismoestratigráficas como onlap e offlap costeiros, constatados na escala de dezenas de metros, e formadas ao longo de períodos com menos de 1 Ma.
Paralelamente, evidências de formação de geleiras têm sido propostas em função da constatação disseminada de seixos / calhaus “pingados” (dropstones) encontrados em sedimentos marinhos durante certos períodos do Mesozóico, no Mesojurássico e no Eocretáceo, incluindo o Albiano (esse, intervalo alvo da presente tese) e o Aptiano (Frakes & Francis, 1988; Frakes,1992; Frakes & Barron (2001); Price, 1999; Moriya, 2011; Alley & Frakes, 2003). Essa alternância entre tempos com formação de gelo polar (whitehouse), ainda que relativamente esporádicos, e tempos com ausência de evidências de gelo polar (greenhouse) sugere mudanças significativas no clima da Terra, mesmo durante o Cretáceo. Esse é reconhecido como uma fase com características climáticas dominadas pelo efeito estufa (greenhouse). O efeito estufa é um processo que ocorre quando uma parte da radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera. Como consequência disso, o calor fica retido, não sendo libertado para o espaço. O efeito estufa dentro de uma determinada faixa é de vital importância pois, sem ele, a vida como a conhecemos não poderia existir. Serve para manter o planeta aquecido, e assim, garantir a manutenção da vida. O agravamento do efeito estufa pode tornar-se catastrófico, desestabilizando o equilíbrio energético no planeta e originando um fenômeno conhecido como aquecimento global. Os gases de estufa (vapor de água (H2O2)
com 70%, do volume total, dióxido de carbono (CO2) com 9%, metano (CH4) com
9%, óxido nitroso (N2O), etc, absorvem alguma radiação infravermelha emitida
pela superfície da Terra e irradiam por sua vez, alguma da energia absorvida de volta para a superfície. Como resultado, a superfície receberia quase o dobro de energia que a atmosfera recebe do Sol, tornando-se cerca de 30 °C mais quente do que estaria sem a presença dos gases do tipo estufa.
Outro aspecto a ser considerado é o da sazonalidade de temperaturas, por tratar-se de um importante critério para o estabelecimento de gradientes de
temperatura polo-Equador favoráveis à presença de camadas de gelo nos polos. A construção do histórico de temperaturas da superfície do mar durante o Cretáceo baseia-se, predominantemente, na composição isotópica de 18O a partir de foraminíferos planctônicos que não fornecem informação sobre variações sazonais de temperatura. Steuber et al. (2005) apresentaram estudos dessas variações através de rudistas bivalvos - Hippuritoidea, situados entre 8o e 31o de latitude N, que registram, em detalhe, a evolução da sazonalidade das águas superficiais do mar durante o Cretáceo. Eles constataram as temperaturas mais altas, situando-se entre 35o e 37º C, com variações sazonais relativamente baixas (< 12 oC) entre 20o e 30o de latitude N, durante os episódios mais quentes do Cretáceo. Entretanto, durante os episódios mais frios, os dados mostram uma variabilidade da temperatura da água superficial de até 18o C nas cercanias da latitude de 25o N, comparável à variação de temperatura hoje registrada, considerando o mesmo intervalo geográfico. Tal variabilidade sazonal seria compatível com a existência de camadas de gelo polar.
Por outro lado, variações de isotópicas de 18O, constatadas durante o Pleistoceno, seriam capazes de indicar uma variação do nível do mar de 130 m, considerando-se a atual configuração fisiográfica (oceanos e continentes). Variações isotópicas dessa magnitude não foram mais constatadas em tempos pretéritos ao Plioceno Médio, mas variações de temperatura com períodos de 100 ka ainda são registradas por dados isotópicos durante o Mioceno Médio, e, mesmo em tempos mais remotos, a ocorrência de eventos repetitivos de resfriamento não podem ser descartados. Segundo Shackleton (1988) uma pequena variação no valor de 0,1 ‰ 18O já seria suficiente para indicar uma alteração de 10 m no nível do mar. Em vista disso, tornar–se-ia difícil excluir o efeito das glaciações no clima, mesmo para idades geológicas onde não se encontra o registro de grandes glaciações (Schwarzacher, 1993).
Já pesquisadores da Universidade de Leipzig, Alemanha (Bonermann et al., 2008) mediram, através da utilização de uma técnica clássica, a variação isotópica de 18O em carapaças de foraminíferos coletados em testemunhos do Site ODP 1259 (Demerara Rise, no lado ocidental do Atlântico Equatorial). Constataram uma variação isotópica na direção do aumento de isótopos de 18O, em um sedimento com 91,2 Ma (Turoniano), tanto em organismos que habitavam
a superfície quanto o fundo do mar. Por outro lado, um novo indicador paleo climático analisando componentes orgânicos fornecidos pelo plâncton marinho, o índice tetraédrico de lipídeos, TEX86 (Crenarchaeota), exclusivos de membranas de certos micróbios, cuja variação isotópica é exclusivamente sensível à temperatura e não dependente da salinidade, propiciou detectar que apenas parte da variação isotópica medida nos foraminíferos era devido à variação de temperatura. Outra parte foi atribuída à formação de gelo, portanto um indicador mais fidedigno e mais direto de variação eustática. Estimaram que o pico do sinal de incremento de 18O, com duração de 200 ka, deveu-se à presença de camadas de gelo com pelo menos a metade do volume de gelo da Antártida moderna. Os autores sugeriram que quatro pulsos expressivos de resfriamento teriam ocorrido justamente no intervalo Cenomaniano-Turoniano, tido como o período mais quente do Cretáceo, quando o clima era dominado pelo efeito estufa.
Alternativamente às explicações mais corriqueiras para as flutuações eustáticas na escala de alta frequência, atribuídas ao acréscimo e decréscimo de gelo nos continentes, Hay & Leslie (1990) argumentaram que essas variações do nível do mar, na ausência de clima favorável à formação de gelo, podem ser atribuídas a mudanças na acumulação de água contidas no solo, nos espaços porosos. Nos tempos atuais, mesmo quando ocorre a ascensão isostática, fruto do derretimento causado pelo fim do último estágio glacial, tendo provocado enorme erosão de sedimentos ainda inconsolidados, o volume de poros nos sedimentos situados acima do nível do mar é significativo (calculado como levemente superior ao volume de gelo situado nos continentes). Se o espaço poroso fosse originalmente ocupado por ar e, posteriormente preenchido por água, isto produziria um rebaixamento eustático de 76 m, ou 50 m, depois do ajuste isostático. Mas essas condições atuais constituem uma anomalia quando se as compara com boa parte do passado geológico da Terra. Isso porque o descarte maciço de sedimentos inconsolidados dos blocos continentais para o oceano, em resposta às variações do nível do mar e aos soerguimentos isostáticos fruto das fases de degelo, somente passou a ser frequente depois do início das glaciações do Oligoceno, e, mais notadamente, depois do início das glaciações no Hemisfério Norte a partir do Mioceno. Durante o Meso-Cretáceo, na ausência, ou pelo menos com a diminuição dos frequentes ciclos glaciais-
interglaciais, e consequentemente na falta do rebound isostático e do fenômeno erosivo que o acompanha durante a subida isostática, o volume poroso deve ter sido cerca de duas vezes maior do que o estimado atualmente (Hay & Leslie, 1990). Portanto as mudanças no volume de água estocada nos poros dos sedimentos continentais em resposta aos ciclos de Milankovitch ou outras mudanças climáticas poderiam, por si só, tornarem-se responsáveis por dezenas de metros de variações eustáticas, independentemente da presença eventual de geleiras em altas latitudes, como eventualmente apontado na bibliografia especializada (Frakes et al., 1992). Outro mecanismo não convencional para a gênese de variações eustáticas foi atribuído à mudança de temperatura da água dos oceanos. Uma vez que a compressibilidade da água é muito dependente da temperatura (menos quando se trata de variação de salinidade), Hay et al. (2006) calcularam uma variação de 4 a 8 m do nível do mar, quando em águas profundas e relativamente quentes, a temperatura muda de 4 a 8 oC. No entanto, quando a temperatura, em águas profundas e salgadas, muda de uma água quente para fria, por exemplo, de 25 oC para 0 oC, isso pode causar uma queda do nível eustático de até 20 m.
Yilmaz e Altiner (2006), estudando a presença de sucessivos estratos aptianos contendo brechas cársticas nas montanhas Taurides (SW da Turquia) observaram que os mesmos apresentam feições de exposição e são interpretadas como indicativas de rebaixamento do nível do mar, pontuando ciclos de shallowing upward na escala métrica em sedimentos carbonáticos de águas rasas. Variações isotópicas de 13C e 18O em correlação direta com mudanças nas litofácies dentro dos ciclos mencionados, corroboram no sentido de atribuir à ação de prováveis flutuações no nível do mar, em resposta a alternâncias de períodos de clima frio e quente na escala de Milankovitch. Essas flutuações não se coadunam com um regime climático como o greenhouse atribuído ao Cretáceo.