6.3 Buyer Power in the Norwegian Grocery Market
6.3.1 Buyer Power Framework
Mais do que descrever o léxico brasileiro dos primeiros anos dos oitocentos, com
certeza, o Diccionario da Lingua Brasileira do goiano Luiz Maria da Silva Pinto, tinha como
objetivo ser prescritivista, conduta bastante comum nessa época.
Publicado dez anos depois da Independência do Brasil, o dicionário, nesse
contexto, constitui-se como um instrumento de divulgação da nova nação e da posição
política de seu editor diante dos acontecimentos históricos. Como homem respeitado na
sociedade local, em um período em que o Brasil acabava de ser tornar independente de
Portugal, Silva Pinto se preocupava com os rumos que a língua portuguesa poderia tomar e,
como editor, colocou-se como “protetor” do português lusitano, “bem falado” em terras
brasileiras.
A imagem que apresentamos, a seguir, destaca a página do dicionário que trata
das abreviaturas da obra, com a inserção de várias terminologias, dentre elas, a terminologia
náutica, objeto de análise desta Pesquisa.
IMAGEM 1: Lista de abreviaturas, proposta pelo Diccionario da Lingua Brasileira.
Dada a estreita relação entre cultura e léxico, abordaremos no próximo capítulo as
grandes navegações, destacando a navegação portuguesa em terras brasileiras
.Capítulo 2 – Contextualização histórica
2.1. As grandes navegações
A aventura marítima portuguesa não foi um marco isolado. Ela se fez no contexto
de uma das maiores aventuras expansionistas empreendidas pelo homem e se tornou
conhecida como grandes navegações. De costas para Castela e de frente para o mar, a única
forma de Portugal expandir seus domínios era enfrentar as águas desconhecidas.
Desde 1385, com a ascensão de D. João I ao trono após a Revolução de Avis,
antes de qualquer outro país europeu, Portugal já possuía um Estado centralizado, apoiado por
uma burguesia mercantil forte e disposta a investir na expansão, a fim de ampliar suas
possibilidades de lucros. Construíram caravelas, principal meio de transporte marítimo e
comercial do período, desenvolvidas com qualidade superior às de outras nações. Neste país
também houve a preocupação com os estudos náuticos, pois os portugueses chegaram a criar
até mesmo um centro de estudos: a Escola de Sagres. Nesse centro, o Infante Dom Henrique,
filho do Rei Dom João I, reuniu numerosos pilotos, cartógrafos e astrônomos, cujos trabalhos
favoreceram o avanço da arte de navegar e impulsionaram a expansão marítima portuguesa.A
partir daí com o aprimoramento da cartografia – em especial com o desenvolvimento das
cartas náuticas – e com o avanço das técnicas de navegação, recorrendo ao que havia de mais
novo no campo científico, tais como a ampliação dos conhecimentos sobre correntes
marítimas, o uso do astrolábio e da bússola que permitia navegações mais seguras;
privilegiando a situação geográfica de seu país, os portugueses partiram para as grandes
expedições marítimas.
Entre os grandes obstáculos vencidos para que fossem além do conhecido mar
Mediterrâneo, estavam o medo e várias pré-concepções. Foi necessário um longo processo de
mudanças para que o povo europeu apostasse na teoria da esfericidade da Terra e se
“convencesse” de que havia alguma possibilidade de ir além das águas já navegadas desde
muito tempo.
Durante os séculos XV e XVI, os europeus, principalmente portugueses e
espanhóis, lançaram-se nos oceanos Pacífico, Índico e Atlântico com dois objetivos
principais: descobrir uma nova rota marítima para as Índias e encontrar novas terras. Este
período ficou conhecido como a Era das Grandes Navegações e Descobrimentos Marítimos.
O início da expansão portuguesa deu-se em 1415, com a conquista da cidade de
Ceuta, no norte da África, na costa do atual Marrocos, importante centro comercial da época –
ponto de convergência de caravanas de comerciantes árabes. Depois de Ceuta, os portugueses
continuaram suas conquistas, contornando a África, em um trajeto conhecido como périplo
africano. A expansão portuguesa incluiu a ilha da Madeira, os Açores, Cabo Verde, a
ultrapassagem do Cabo Bojador (grande obstáculo para a continuação da viagem e muito
temido pelos navegadores por causa das fortes ondas e dos nevoeiros comuns na região)
Senegal e Serra Leoa.
Durante o périplo africano, os portugueses desenvolveram a caravela, um tipo de
barco adaptado à navegação em mar aberto, e começaram a esboçar o audacioso plano de
contornar o sul da África e chegar às Índias.
MAPA 1: As grandes navegações26