Para a realização de um projeto político, os PPGs devem articular a partir de atores individuais com habilidades relacionais. Nos parece que os docentes com maior profundidade são estes atores individuais com tal habilidade. OsQuadro 9 e Quadro 10 a seguir listam os docentes/pesquisadores com maior profundidade relacional no contexto de avaliação da CAPES em suas áreas de conhecimento no estado de São Paulo. Uma natureza notável dos subespaços sociais é a simultaneidade dos docentes/pesquisadores e eventos, isto indica co-ocorrência de docentes/pesquisadores em eventos coletivos. Tomemos o exemplo do conceito c(9) – triênio de 2004-2006 – no Quadro 9, neste conceito vemos que a Engenharia Mecânica da USP/SC atua sobre a Comissão De Área da Engenharia Mecânica e da Engenharia de Produção com dois (2) docentes/pesquisadores – João Fernando Gomes de Oliveira, e Marcello Augusto Faraco De Medeiros. Neste triênio não havia simetria entre representantes da Engenharia Mecânica e da Engenharia de Produção junto ao CTC-ES das Engenharias III. Ao longo dos três triênios nunca houve simetria na distribuição de representantes entre Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção na avaliação da ENGIII, nos triênios seguintes as participações foram equilibradas. Porém, na composição de avaliadores da Comissão de Área da Engenharia de Produção, a relação sempre foi assimétrica. Há coparticipação das engenharias nas comissões de área, porém na composição da relação, a direção é definida em favor da maior contribuição – ver Figura 13.
2004-2006 2007-2009 2010-2012
Figura 13 – Grafo dos eventos CAPES
Podemos ver que os PPGs da Engenharia Mecânica têm atuação exclusiva junto ao CTC-ES de Engenharias III, porém os PPGs da Engenharia de Produção não atuam com tal exclusividade, ao contrário vemos que a Engenharia de Produção atua junto ao agente burocrático em conjunto com representantes da Engenharia Mecânica.
Como já mencionado anteriormente, vemos aqui um ato de subordinação da Engenharia de Produção à Engenharia Mecânica. Porém, os PPGs das ENGIII participam sem a composição de grupos
interinstitucionais. Não há uma composição USP e UFSCAR, ou USP/SC e UNESP etc. Há um certo padrão que eventualmente seja ditado por normativas institucionais das IESs.
Das entrevistas realizadas com alguns sujeitos da Engenharia de Produção, listados ou não no Quadro 9, quando perguntados sobre composições políticas para o domínio das regras do campo, os respondentes versavam sobre o domínio das regras do campo sobre a subárea de conhecimento.
“Na Engenharia de Produção, por isso que, então, agora tem uma grande clivagem que foi reforçada enormemente pelo processo de avaliação da CAPES e do... não só da CAPES, porque é uma outra questão. Tem um movimento em direção a avaliação, que é uma coisa maior, muito maior do que a pós-graduação, tem uma discussão enorme sobre a questão de avaliar o ensino e o que significa produzir, produzir nessa área, o que que é produzir. E as métricas que foram definidas e toda história, o JCR. ” Entrevistado da área de engenharia de produção
Podemos supor que nas ENGIII não haja um campo de ação configurado em torno da avaliação. Eventualmente este ato de subordinação tenha uma forte relação com a natureza organizacional dos atores do campo, e com suas fontes de recursos de pesquisa. De forma diferente da ADM, as ENGIII, além do PROEX, têm acesso ao Pro-Engenharias e talvez outros planos como o petróleo e gás natural. Com isso critérios de qualidade científica para acesso ao PROEX são importantes, mas não o único critério de acesso a recursos.
Claro que um comportamento mais competitivo, que poderia advir de PPGs privados, acaba por não acontecer uma vez que tais programas são mantidos à margem do processo de avaliação. Podemos ver isso nos grafos da Figura 14 – ver conceitos representados por triângulos. Não há representantes privados no processo de avaliação da CAPES na ENGIII. Todos os conceitos representados por triângulos são mantidos à margem do processo. Neste ponto, um entrevistado da ADM trouxe luz à esta questão.
“Então a sensação que eu tive eu estou revelando agora, é que eu estava sendo, a mim estava sendo concedido um privilégio que poucos tinham. Isso me assustou um pouco, porque se a CAPES é pra fazer um processo de avaliação por pares, você tem que ter representatividade do que é sociedade. E isso me
parece que ainda prevalece um discurso geral da CAPES. Eu participando do CTC, muitas vezes vejo as pessoas, às vezes, falando declaradamente, abertamente isso e, às vezes, falam veladamente, sugerem. E eu até brinco: “Mas eu sou de uma instituição particular”, eu não sou de uma instituição... é uma instituição que tem uma fundação que é dona dessa... ela não tem fins lucrativos, em teoria, mas ela gera receita, ela cobra por todos os cursos que ela dá, ela dá bolsa, ela dá isso. ‘Ah! Mas vocês são diferentes!’. Eu não sei em que sentido nós somos diferentes, nós somos diferentes porque nós primamos pela qualidade, nós não somos o lucro pelo lucro e coisas do gênero. Nós estamos usando a regra de mercado para atuar, mas eles me tratam diferente. Eu já ouvi, ao longo desses 6 anos e pouco que estou lá, eu ouvi várias vezes: ‘Vocês são diferentes, a FGV é diferente!’. OK. Então, o que significa isso? Que há instituições que não deveriam estar no processo, ou seja, mas no triênio passado a gente teve um coordenador que era da UNIFOR e a UNIFOR é uma instituição privada, de fins lucrativos, professor de Direito. De resto é assim, só as confessionais e as do setor público: as estaduais, as federais, municipais, coisas do gênero; e o resto está fora do sistema.” Entrevistado da área da administração
Do ponto de vista das Engenharias III trata-se de um campo de poder. A proposição 5 trata de um espaço político, mas para os atores do campo se trata de um campo de forças. O que não corrobora as proposições 5 e 6.
Proposição 5. Atores individuais percebem o campo como um espaço político.
Atores individuais das Engenharias III percebem o campo como um espaço de forças. Aparentemente o sistema de avaliação não constitui um campo de ação estratégica. Assim, não faz sentido falarmos de habilidade social.
Proposição 6. O campo de ação acadêmico pode ser descrito a partir da dinâmica de relações de afiliação
a eventos de avaliação.
ENGIII 2004-2006 2007-2009 2010-2012
Figura 14 – Estruturas de Galois ENG III – Produção (EP) e Engenharia Mecânica (EM) – sem 21
ENG III Conceito Docentes/Intent Eventos/Extent 20 04 -2 00 6
c(9) João Fernando Gomes de Oliveira; Marcello Augusto Faraco De Medeiros
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP/SC; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP
c(12) José Augusto Penteado Aranha
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(15) Paulo Roberto Gardel Kurka 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNICAMP; 03 - CTC-ES ENG III
c(16) Anselmo Eduardo Diniz
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNICAMP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP
c(19) Edson Luiz Franca Senne 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNESP/GUAR; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM
c(23)
Marly Monteiro De Carvalho; Afonso Carlos Corrêa Fleury; Julio Romano Meneghini
02 - ENGENHARIA AUTOMOTIVA / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM
c(28) Celso Kazuyuki Morooka 02 - CIÊNCIAS E ENGENHARIA DE PETRÓLEO / UNICAMP; 03 - CTC-ES ENG III
c(32) João Fernando Gomes de Oliveira
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP/SC; 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP/SC; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(34) Tamio Shimizu 01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP; 03 - CTC-ES ENG III
c(35)
Marly Monteiro De Carvalho; Paulo Augusto Cauchick Miguel; Afonso Carlos Corrêa Fleury;
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM
c(36)
Marly Monteiro De Carvalho; Paulo Augusto Cauchick Miguel; Afonso Carlos Corrêa Fleury
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP
c(38) Marly Monteiro De Carvalho; Afonso Carlos Corrêa Fleury
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP; 02 - ENGENHARIA AUTOMOTIVA / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP 20 07 -2 00 9
c(10) Marcelo Areias Trindade
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP/SC; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(12) Julio Romano Meneghini; José Augusto Penteado Aranha 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM
c(17) Edson Luiz Franca Senne
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNESP/GUAR; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(24) Julio Romano Meneghini
02 - ENGENHARIA AUTOMOTIVA / USP; 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(27) Anselmo Eduardo Diniz
02 - ENGENHARIA AUTOMOBILÍSTICA / UNICAMP; 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNICAMP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(31) Reginaldo Teixeira Coelho; João Fernando Gomes de Oliveira 01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP/SC; 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP/SC
c(33) Mauro Zilbovicius
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(46) Reinaldo Morabito Neto
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / UFSCAR; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
20
10
-2
01
2 c(10) Jose Roberto De Franca Arruda
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNICAMP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(12) Vicente Lopes Junior
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNESP/IS; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
ENG III Conceito Docentes/Intent Eventos/Extent
03 - CTC-ES ENG III
c(15) Edson Luiz Franca Senne
02 - ENGENHARIA MECÂNICA / UNESP/GUAR; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(24) Julio Romano Meneghini
02 - ENGENHARIA AUTOMOTIVA / USP; 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(30) Reginaldo Teixeira Coelho; Luiz Cesar Ribeiro Carpinetti
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP/SC; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(32) Reginaldo Teixeira Coelho
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP/SC; 02 - ENGENHARIA MECÂNICA / USP/SC; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(34) Mario Sergio Salerno
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / USP; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
c(41) Reinaldo Morabito Neto
01 - ENGENHARIA DE PRODUÇÃO / UFSCAR; 03 - COMISSÃO DE ÁREA - EM;
03 - COMISSÃO DE ÁREA - EP; 03 - CTC-ES ENG III
Quadro 9 – Docentes/Intent profundamente incorporados na rede e Eventos/Extent que representam nas Engenharias III – ENGIII para os triênios de 2004-2006, 2007-2009 e 2010-2012