Beretning om skreifisket i Nordlands amt 1910,
8. Buksnes. Utenom Lofotens opsynsdistrikt og opsynstiden
Os anos 90 foram marcados por dois momentos distintos: a expectativa do primeiro governo eleito democraticamente, após a Ditadura Militar, e o início de escândalos políticos que abalaram a gestão de Fernando Collor de Mello. Nessa esteira, dois importantes personagens políticos da era Collor acabaram envolvidos em escândalos. Com apoio da imprensa Alceni Guerra e Ibsen Pinheiro perderam suas funções políticas – que tanto almejaram na vida pública.
Os dois levaram a ‗pecha‘ de agentes políticos corruptos, tentaram em vão se defender de acusações que foram fortalecidas pela quantidade de reportagens publicadas pelos jornais impressos da época, considerados os maiores da grande mídia.
Essa afinal era a forma de a imprensa mostrar à sociedade que estava do lado dela. Para isso, ‗caçaram‘ os dois políticos como Judas. As cabeças dos dois foram colocadas à prêmio, como numa bandeja. O momento e a conjuntura política da época favoreceram as duas ―cassações‖ dos políticos. Collor, que foi eleito em 1989 com apoio da imprensa, desafiou grandes interesses. Peitou desafetos e não soube contornar a crise política que se
400 MARTINS; LUCA, 2008, p. 281.
instalou no governo. Desta forma, seria fácil investigar e condenar seus auxiliares. À imprensa faltou mais cuidado na apuração dos dois casos. Houve julgamento sumário. Desde o começo das coberturas, os dois políticos – Alceni e Ibsen – já tinham sido considerados culpados. Nada adiantaria as justificativas. O veredito já havia sido dado.
Dentro dessa conjuntura, podemos dizer que a política viveu e vive momentos de instabilidade. É difícil o entendimento. Por isso, é imprescindível o jogo de cintura que faltou tanto ao presidente da época Fernando Collor para derrubar, por exemplo, denúncias de superfaturamento envolvendo seu ministro da Saúde, Alceni Guerra. No caso de Ibsen, é outro importante político ―capturado‖ pela mídia. Considerado homem forte da época, cotado inclusive para ser o próximo presidente, foi o maior prêmio das denúncias apontadas pela imprensa. Foi vítima de um erro, assim como Alceni.
Durante análise do material estudado é possível confirmar a hipótese anteriormente levantada: a imprensa comete abusos nas coberturas dos escândalos políticos porque sabe que não vai ser punida ou sofrer sanções. O comportamento da mídia nesses dois episódios não foi o adequado. Por isso, é preciso regulamentá-la. Hoje, não existe instrumento de responsabilização por eventuais manipulações cometidas. Nos estudos de casos de Alceni Guerra e Ibsen Pinheiro confirmou-se a insistente exposição deliberada de reportagens com base em indícios apresentados como se fossem fatos consumados. Pode-se até considerar que houve um massacre à figura pública. É preciso considerar também que a mídia é mercantilista. Empresas de comunicação que cometem abusos ou praticam manipulação, nada sofrem. Dificilmente precisam responder por seus atos (toma-se como exemplos os próprios estudos sobre Alceni e Ibsen).
Jornais e revistas também praticam a distorção deliberada. O que a permite, novamente, é a garantia de ―impunidade‖, isto é, a sensação compartilhada pelos donos dos órgãos de imprensa e pelos jornalistas no comando das redações de que não serão chamados a responder, perante o público, pelas mentiras que difundem. Sem pluralidade e diversidade nas comunicações, dificilmente essas deficiências serão combatidas. 402
O trabalho tentou mostrar também que a mídia precisa ter responsabilidade pelo que ―coloca no mercado‖. É fato: a mídia, sem usar de critérios éticos, destrói a vida pública. A grande imprensa também não diz à sociedade quais os métodos utiliza para conseguir informações. Falta a transparência que tanto a imprensa cobra dos políticos e dos órgãos públicos. E, quando o assunto é tentar abordar o tema imprensa, a mídia torce o nariz.
402 BUCCI, 2000, p. 140.
A grande imprensa se vê e se intitula como guardiã da sociedade. Fala de interesse público, mas é uma empresa privada. Nas duas coberturas, uma engrenagem específica foi utilizada por meio de padrões de manipulação. A dimensão mercadológica, nesse contexto, é fundamental, mas não é a única.
Conforme citado por autores estudados nesse trabalho, a manipulação existe e, pode ser considerada a distorção deliberada da informação. ―Movidos por interesses escusos, há donos de meios de comunicação e funcionários da cúpula das empresas que patrocinam mentiras para atingir objetivos particulares. A manipulação agride o cidadão e deve ser combatida, como é óbvio‖ 403.
Verificamos nesse trabalho também que a grande imprensa faz denúncias, com base no que chama liberdade de imprensa. No entanto, essa ―liberdade‖ é, na maioria das vezes, a liberdade do dono do jornal. Não se pode esquecer que os meios de comunicação fazem parte de grupos empresariais e tentam confundir ‗liberdade de imprensa‘ com ‗liberdade da imprensa‘.
Desta forma, erros, como os cometidos contra Alceni Guerra e Ibsen, ficam gravados na história, e reconhecidos por alguns órgãos de imprensa e jornalistas que atuaram na época. O problema é que as vidas dos dois foram ‗dizimadas‘, mas quem praticou os abusos nada sofreu. Nada teve de responder. Atropelando sem piedade a ética seguiram sem medo as acusações contra os dois e somente mais de dez anos depois comprovadamente as injustiças vieram à tona.
Após análise dos dois casos, é mais do que pertinente falar em ‗controle democrático‘ do poder da mídia. Uma das sugestões seria a criação de anteparos, no sentido, de tentar promover uma responsabilização maior contra a manipulação da informação. No entanto, quando esse assunto é colocado em pauta logo se pensa em ‗mordaça‘ ou atentado contra a liberdade de imprensa.
No entanto, apesar da manipulação dos meios de comunicação, não se pode negar o jornalismo. Assim também defende Bernardo Kucinski:
Também não sou dos que negam o jornalismo, devido ao grau de manipulação que hoje sofre. Eu ainda acredito no jornalismo. Tento refletir sobre a nossa prática com o objetivo de aprimorá-la em benefício da qualidade da nossa democracia e do
403BUCCI, 2000, p. 176.
interesse público – e do próprio jornalismo, que continua a ser uma profissão fascinante 404.
Fora da grande imprensa, há jornais e revistas que tentam se contrapor a tudo o que é de tradicional nesse rol da mídia. Trata-se da mídia independente ou, popularmente conhecida por mídia alternativa, contra-hegemônica.
Esse jornalismo independente tenta se contrapor a mídia tradicional que, segundo Perseu Abramo, no final de seu livro ―Padrões de Manipulação da Grande Imprensa‖, atua semelhante a partidos políticos. Podemos confirmar essa constatação pelo modo em que os personagens políticos analisados foram tratados. As notícias foram muito semelhantes pelo poder de atuação dos órgãos de imprensa. Afinal pertencem aos mesmos grupos dominantes.
Perseu Abramo sustenta que os grandes e modernos órgãos de poder são semelhantes aos partidos políticos e, que por essa razão, precisam recriar a realidade para exercer o poder, e para tanto, precisam manipular as informações.
Assim como os partidos políticos têm suas teses e manifestos, os órgãos de comunicação têm suas linhas editoriais.
Ainda conforme Abramo, os partidos têm regimentos internos, enquanto os órgãos de comunicação têm seus manuais de redação e normas de trabalho.
Os partidos têm seu aparato material, bem como os órgãos de comunicação, mas frequentemente mais diversificado e moderno que o da média dos partidos. A função do jornalismo é levar a informação às pessoas, portanto é essencial que se tenham equipamentos para uma maior eficácia e rapidez.
Ao recriar a realidade ao seu jeito e de acordo com seus interesses político-partidários os órgãos de comunicação exercem todo o seu poder. Este fenômeno é mais notável na época de pré-campanhas eleitorais, onde a mídia divulga os atos bons e esconde os ruins dos políticos, os quais favorecem. Uma comparação inevitável, é que os órgãos de comunicação apoiam quem pode lhe trazer benefícios, bem como os partidos políticos.
Ainda segundo Abramo, a manipulação ocorre de várias e múltiplas formas, como nota-se no estudo desse trabalho. Consta-se que os padrões citados pelo autor foram aplicados nas abordagens da grande imprensa para incriminar Alceni e Ibsen Pinheiro.
Padrão de ocultação: alguns fatos são considerados ―jornalísticos‖, outros não. Há
uma seleção do que apresentar ao público, o que ―é notícia‖. Para o jornalista, há o ―fato
jornalístico‖ e o ―fato não-jornalístico‖, logo ele deve apresentar o primeiro e ocultar o segundo.
A descontextualização: isolados como particularidades de um fato, o dado, a
informação, a declaração perdem todo o seu significado original e real para permanecer no limbo, sem significado aparente, ou receber outro significado, diferente e mesmo antagônico ao significado real original. Outro padrão de manipulação é a fragmentação que ocorre também na pauta, mas principalmente na apuração, na produção da matéria e na edição. Há também o padrão de inversão, o frasismo, entre outros, todos estudados nesse trabalho.
O estudo apontou também que o leitor, muitas vezes, é induzido a ver o mundo não como ele é, mas sim como a imprensa quer que ele seja.
Se a imprensa cobra e quer transparência dos órgãos públicos, deve mudar sua postura e aceitar o debate. Afinal a imprensa - que reproduz o discurso de grupos - precisa se responsabilizar por seus atos. Ou se submeter a um controle democrático que, seja, sobretudo, garantido o direito da liberdade de imprensa. Mais uma coisa é certa: a imprensa tem lado. Ela faz suas escolhas.
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