6.4 Future Work
6.4.3 Building an Instance Segmentation Dataset
A fim de contemplar o desenvolvimento da pesquisa na busca das respostas aos objetivos propostos, ordenaram-se as seguintes etapas:
a) Desenvolvimento teórico
Consistiu em uma revisão bibliográfica inicial baseada em dois pilares. Primeiro, na caracterização da comercialização no âmbito do agronegócio, relacionando suas principais características, que serviram de apoio ao entendimento das estratégias comerciais dos produtores de arroz. Segundo, pela descrição de fundamentos sobre a formação de estratégia que nortearam o desenvolvimento desta pesquisa, bem como na relação dos fatores influentes objeto de análise neste projeto. Foram realizados estudos em livros, revistas, artigos, sites. Ressalta-se que, embora essa fosse a etapa inicial do trabalho, ela perdurou por todas as etapas posteriores, mediante a incorporação no trabalho de atualizações.
b) Contextualização do setor
Consistiu na contextualização do setor do arroz em casca no Rio Grande do Sul, com o intuito de elucidar alguns aspectos conjunturais sobre a atividade. Foram realizados estudos baseados em livros, revistas, artigos e sites.
c) Desenvolvimento de roteiro de entrevista
Mediante o referencial elaborado na primeira etapa, foi organizado um roteiro de entrevista visando identificar as principais estratégias comerciais dos produtores de arroz do Estado, os principais fatores influentes no processo de comercialização do arroz em casca, bem como buscar saber como esses fatores influem no processo de comercialização. O
balizamento teórico para a elaboração do roteiro é descrito a seguir, na Figura 12, e o roteiro de entrevista encontra-se no apêndice A, ao final do trabalho.
ASPECTOS
TEÓRICOS DIMENSÕES ELEMENTOS DE ANÁLISE
Aspectos culturais do estrategista
Disputas de poder na formulação de estratégia Caráter empreendedor do estrategista Aspectos cognitivos do estrategista
COMPORTAMENTAIS
Aprendizagem / incrementalismo do estrategista
Ameaça de novos entrantes Ameaça de substitutos
Poder de barganha dos compradores Poder de barganha dos fornecedores
COMPETITIVIDADE
Concorrência na indústria
Governo e intervenções regulamentadoras Mudança tecnológica
AMBIENTAIS
Crescimento e volatilidade do mercado
Estratégias planejadas x realizadas Estratégias deliberadas x emergentes Estratégias implícitas x explícitas
FORMAÇÃO DE ESTRATÉGIA
PROCESSO
Estratégias formalizadas x não formalizadas
Relacionamento entre produtor e engenho Confiança e/ou desconfianças na venda
RELACIONAMENTO
Vendas repetitivas entre as partes
Característica commodity do arroz em casca Sazonalidade de preços
CARACTERÍSTICAS PRODUTO
Armazenagem própria ou de terceiros
POLÍTICAS SETORIAIS Influência das entidades representativas do setor
Importação de arroz
INTERNACIONALIZAÇÃO
DO PRODUTO Exportação de arroz
Instrumentos governamentais para venda (EGF, AGF, CPR, opções, etc.).
CADEIAS PRODUTIVAS DO
AGRONEGÓCIO
MECANISMOS DE
COMERCIALIZAÇÃO Contratos spot (à vista) e/ou contratos para vendas futuras Figura 12 – Quadro referencial do balizamento teórico para a elaboração do roteiro Fonte: Elaborado pelo autor
d) Validação do roteiro de entrevistas
O roteiro foi validado por dois especialistas: um professor do Mestrado em Administração e Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, e outro pesquisador, com mestrado, atuante junto ao mercado de arroz em casca.
e) Pré-teste do roteiro de entrevistas
Foram realizados dois pré-testes do roteiro de entrevista, visando verificar a clareza e o entendimento das questões do roteiro de pesquisa, com dois produtores de arroz atuantes no mercado há, no mínimo, 10 anos. A entrevista foi realizada pessoalmente.
f) Aplicação das entrevistas
Após ser validado e aprovado o roteiro de entrevista, foram realizadas entrevistas junto a uma liderança de cada uma das seguintes entidades:
• FARSUL – Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul;
• FEDERARROZ – Federação das Associações dos Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul;
• IRGA – Instituto Rio Grandense do Arroz;
• SINDARROZ – Sindicato das Indústrias de Arroz do Estado do Rio Grande do Sul;
• BBM – Bolsa Brasileira de Mercadorias.
A escolha dessas entidades deu-se pelo motivo de elas serem atuantes no segmento do arroz, sendo todas elas membros da Câmara Setorial do Arroz do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e representarem cada um dos elos do processo de comercialização do arroz em casca. A opinião fornecida por elas serviu para demonstrar possíveis e diferentes pontos de vista sobre as estratégias desenvolvidas pelos produtores.
Além dos representantes dessas entidades, também foi aplicado o mesmo roteiro a seis produtores de arroz em casca no Estado do Rio Grande do Sul, um de cada sub-região arrozeira do Estado, definidas pelo IRGA, a saber: (1) Fronteira Oeste, (2) Campanha, (3) Depressão Central, (4) Planície Costeira Interna à Lagoa dos Patos, (5) Planície Costeira Externa à Lagoa dos Patos e (6) Zona Sul, conforme demonstrado na Figura 13.
Figura 13 - Regiões produtoras de arroz no RS Fonte: IRGA (2006)
Dessas regiões foram entrevistados produtores “típicos”, classificados neste trabalho como produtores que não cultivem lavouras ou possuam produtividade superior ou inferior a 30% da média regional, conforme pode ser observado na Tabela 1. Ressalta-se que este tamanho médio é determinado pelo Censo da Lavoura Arrozeira publicado no ano de 2006 com os resultados da safra 2004/05.
Tabela 1 – Lavouras médias e produtividade das regiões produtoras de arroz no RS
Sub-região IRGA Lavoura Média
(hectares) Intervalo (+ ou - 30%) (hectares) Produtividade Média (sacos de 50 kg/ha.) Intervalo (+ ou - 30%) (sacos de 50 kg/ha.)
Região 1 – Fronteira Oeste 250 325 a 175 136 175 a 94
Região 2 - Campanha 154 200 a 108 125 163 a 88
Região 3 - Depressão Central 47 61 a 33 114 148 a 80
Região 4 - Planície Costeira Interna 95 123 a 66 112 146 a 78
Região 5 - Planície Costeira Externa 88 114 a 61 112 146 a 78
Região 6 - Zona Sul 285 371 a 200 114 148 a 80
Fonte: Adaptado de Oliveira (2006)
Considerando estes elementos, o perfil da amostra da pesquisa pode ser observado na Tabela 2, a seguir. Salienta-se também que as entrevistas foram realizadas pessoalmente, gravadas e transcritas.
Tabela 2 – Perfil da amostra dos produtores entrevistados na pesquisa
Sub-região IRGA Cidade Área Plantada na safra 2004/05
Produtividade na safra 2004/05 Região 1 – Fronteira Oeste Alegrete/RS 170 hectares 170 sacos/hectare
Região 2 – Campanha São Gabriel/RS 200 hectares 147 sacos/hectare
Região 3 - Depressão Central Candelária/RS 35 hectares 135 sacos/hectare
Região 4 - Planície Costeira Interna Eldorado do Sul/RS 100 hectares 145 sacos/hectare Região 5 - Planície Costeira Externa Santo Antonio da Patrulha/RS 100 hectares 140 sacos/hectare
Região 6 - Zona Sul Arroio Grande/RS 260 hectares 135 sacos/hectare
Fonte: Elaborado pelo autor
Enriquecendo os dados sobre a amostra dos produtores, ressalta-se que cinco deles são proprietários de terra e um arrendatário. Quatro deles comercializam seus produtos para engenhos, e dois, para cooperativas.
g) Análise dos resultados
De posse das informações desejadas, estas foram examinadas com o intuito de analisar as estratégias de comercialização dos produtores de arroz no Estado do Rio Grande do Sul.
h) Elaboração do relatório final