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1.3 Budsjettforslag - Prioriteringer ved nullvekst og vekst

Nabekod iwai ey ewa – canção do dono do facão iwai – dono

ey – muitos, todos ewa – cantar sobre

Em 1979, quando os Suruí foram contatados pela expedição de atração de Apoena Meirelles, usavam-se facões para atrair os índios. Era assim que os

sertanistas buscavam entra sempre bem-vindo da soci era, nas terras do Guaporé o enigma do dom.

Mas, embora tives duradouros entre os Sur compreendiam seu modus em longas canções, que m metálica semi-aguda que da pendurou-o-facão”.

Os Nabekod iwai Betty Mindlin, e ainda há afasta os tradutores, que se

Embora bastante

pereiga, com notas parada

que, com um pequeno gliss os Nabekod iwai ey ewa n mais sentido – esse tipo de

Nas análises dos dos Nabekod iwai ey ewa, d sua maioria, são relatos funcionários da Funai, a homenagens a Apoena Mei

CD fx 34 – N

Kangoi o merewá ka Nabekod gané meka Nabekod gar oká waoti wai Incra hona onga, onga e na

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rar em contato com eles, pois sabiam que ciedade indígena. Esse objeto, que reme é, “moeda de troca”, uma dádiva dos hom

esse boas intenções, esse contato resulto ruí e os funcionários da Funai, que

s vivendi. Assim, as aflições, as traições e

mais pareciam um recitativo duro, inten dava corpo às ofensas e aos receios frent

ai ey ewa eram sempre cantados para os

muitos por traduzir, pois seu conteúdo se sentem “traidores”.

e novo, o gênero tem resquícios do jeito d as durante toda a frase e uma desmont ssando, notas escorregam. De acordo com

não são mais cantados pela gente Suruí e canção é própria do contato.

s gêneros orais Suruí, vemos algumas , de que há 54 canções registradas no Ac s dos contatos entre “os de fora” da antropólogos e indigenistas, e há alg eirelles e a Betty Mindlin.

Nabekod iwai ey ewa, por Iabitchanga

ka eka oka onamah

Onde é que fui um dia quando queria facão fui com o carro do INCR este o dono do carro, e lá fui eu ue um facão era ete à violência, mens brancos – ltou em conflitos e nem sempre eram contadas nso, com a voz nte “àquele-que- s gravadores de o, muito íntimo, de cantar do So ntagem final em om Uraan Suruí, uí, pois não tem

s características cervo Suruí. Na a aldeia como lguns que são

a

171 o koibô o mereiá poá

nabekod gane meka oka nabekod gar oka

waoti tapotar oká nabekod iwai Incra nabekod gane make poa olaka eh enamaiah (bis)

fui buscar facão Lá mesmo eu fui fui buscar facão fui pela estrada

no INCRA, o dono dos facões.

Algumas vezes, são queixas amorosas ou cobranças de promessas de bens de consumo que não foram cumpridas, mas há também romances ou relações secretas entre mulheres Suruí e funcionários da Funai. O Nabekod iwai

ey ewa pode ser uma cantiga de amor, quando a mulher se declara a um homem

branco.

Nabekod iwai ey ewa é um termo genérico para “facão”, na língua Tupi-

Mondé e, para os Suruí, define também o primeiro contato com os brancos. Pode ser considerado um dos gêneros musicais Suruí cuja viga mestra é o improviso em forma de crônica que relata os conflitos com os colonizadores (iara ey) e até relações afetivas com os funcionários da Funai, que penduravam facões para atrair a atenção dos índios.

Há canções que brincam com nomes de visitantes, comentam acontecimentos cotidianos, demonstram desejo de novos bens, assim como amor ou amizade.

No Nabekod iwai ey ewa, fica claro o quanto o contato com o branco desmantelou as nuances da vocalidade Suruí, pois predomina o texto, com um som mais “duro”, sem grandes contornos. O tom da voz, em geral, é mais estridente. A musicalidade parece se esvair, o que salienta a dificuldade desses contatos, quase sempre conflituosos. Sob o ponto de vista estético, talvez o

Nabekod iwai ey ewa seja o gênero menos interessante para análise. Por outro

lado, seu conjunto revela um momento importante na vida Suruí e traz um dado raro na historiografia: as primeiras impressões dos índios sobre aquele homem que chegava ora para apaziguá-lo, ora para matá-lo.

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envolvendo pessoas desconhecidas, pois têm um conteúdo mais pessoal e íntimo. Como são canções compostas para o momento – e, portanto, não se repetem –, é impossível pedir para o cantor repetir sua canção.

6. Em busca de uma antropologia da voz Suruí

Ao ouvir as gravações do Acervo Suruí, busquei me aproximar do que seria a artesania vocal dos Paiter que apresenta particularidades vocais que são de difícil classificação, pois fogem dos parâmetros mais comuns encontrados na música ocidental. O assunto é extenso e merecia um trabalho mais aprofundado, mas para que possamos minimamente compreender os principais aspectos da voz Suruí, seguirei os preceitos dos etnomusicólogos Alan Lomax e Hugo Zemp, que fizeram um amplo levantamento das possibilidades da voz humana em várias regiões do mundo. Hugo Zemp desenvolveu pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique e do Museé de L´Homme em Paris e Alan Lomax, foi responsável pelo Archive of Folk Song da Biblioteca do Congresso99.

Hugo Zemp propõe uma classificação que não segue exclusivamente o padrão musical europeu baseado nos exemplos de um CD triplo – Les voix du

monde, Une anthologie des expressions vocales gravados por varios

pesquisadores nas expedições sonoras promovidas pelos dois institutos.