4 Results, structural part
4.5 Buckling analysis results
4.5.3 Results, buckling calculations for Z-spool
Chamou-nos a atenção também, tanto quanto o destaque dado pelos alunos à contribuição da leitura de textos literários, a percepção que esses discentes revelaram acerca de aspectos que, ao menos no entendimento do senso comum, transcendem o aprendizado da língua. Nos posicionamentos agrupados em VS7, esses alunos fizeram ecoar vozes dos documentos oficiais aqui já apresentados, sobretudo no tocante a habilidades que conferem ao sujeito a capacidade de boa desenvoltura no mundo dos discursos. Essa característica, conforme advogam esses documentos, é essencial para o exercício da cidadania.
Inicialmente, observemos o posicionamento de ED03.
E32 A língua portuguesa tem grande importância não só por ser o nosso idioma ou por lidarmos com ela todos os dias em todos os lugares mas por ser através dela que aqui em nossa escola passamos um para o outro nossos pensamentos e ideias. O CEFET sempre atualizado preocupa-se em adaptar a situação, por ser integrado, por sermos alunos diferenciados, por ter os melhores professores. Através de textos, seminários e debates, português deixa de ser a disciplina e passa a fazer parte de nós mesmos. (ED03).
Notamos, nesse posicionamento, que ED03 elege, como informação principal a ser por ele desenvolvida, a contribuição da disciplina Língua Portuguesa para o exercício da interação entre as pessoas. É no espaço escolar que o aluno vivencia a exposição de suas ideias para o outro. Para ele, é esse o diferencial; é esse o aspecto que integra a disciplina — tornando-a “parte de nós mesmos” — à vida.
Esse viés que relaciona a disciplina Língua Portuguesa a aspectos de formação da cidadania surge de maneira mais explícita em EL05.
E33 A importância da disciplina Língua Portuguesa, da forma como é estudada no CEFET-RN, para minha formação é da capacidade que me faz desenvolver para compreender e dialogar com as diferentes pessoas, com diferentes culturas e classes, utilizando a linguagem apropriada, sem cometer gafes ou equívocos, além da formação de caráter e ensinamentos das lições cíveis-morais, como por exemplo, valorização da língua
brasileira, e, assim, da cultura como um todo, alimentando o espírito patriota. (EL05)
Conforme explicita EL05, é a singularidade por ele atribuída à disciplina Língua Portuguesa ministrada no IFRN que proporciona uma formação diferenciada. Essa formação, de acordo com o discente, resulta em sujeitos capazes de “compreender e dialogar com as diferentes pessoas, com diferentes culturas e
classes, utilizando a linguagem apropriada [...]”. Enxergamos, nesse
posicionamento, o entendimento límpido da habilidade de “confrontar opiniões” (BRASIL, 1999), tão essencial em uma contemporaneidade marcada pela convivência de diferentes pontos de vista. EL05 ainda acrescenta à sua argumentação o raciocínio de que “dialogar com as diferentes pessoas, com diferentes culturas e classes [...]” não significa diluir as peculiaridades dos aspectos culturais presentes na configuração assumida pela modalidade da língua portuguesa em uso no nosso país. Nesse sentido, o aluno encerra o seu posicionamento evidenciando a relação entre língua e cultura.
Associados à relação entre os conhecimentos sobre linguagem adquiridos e a formação da cidadania, encontramos também posicionamentos que deixam transparecer aspectos ligados à formação ética, como na resposta de EL02.
E34 No mundo competitivo em que vivemos hoje a qualidade dos profissionais é de extrema importância para o sucesso no mercado de trabalho. A instituição que forma esses profissionais tem um papel considerável nesse processo. Todas as outras matérias incorporam o português indiretamente, sendo fundamental para a compreensão e também para a interpretação de certas situações. A prende-se também a ser responsável e agir de maneira moderada, sendo ético e respeitando os limites impostos. (EL02).
É importante destacarmos que, mesmo mostrando-se consciente da competitividade reinante na realidade profissional da contemporaneidade, EL02 não exclui do seu posicionamento a valoração positiva de aspectos como a responsabilidade e a ética. Ao lado dessa valoração, o discente ressalta o perfil integrador da disciplina Língua Portuguesa, uma vez que o conhecimento dessa disciplina é “fundamental para a compreensão e também para a interpretação de certas situações”.
Também associando a formação cidadã aos conhecimentos proporcionados por essa disciplina, temos o posicionamento de CA12.
E35 O estudo da língua portuguesa é essencial para a formação de cidadãos, fazendo-os compreender a necessidade da comunicação em suas diversas formas. Entender a diversidade da língua e da cultura através do estudo da língua portuguesa é justamente o que o Cefet faz seus alunos aprenderem. Apoiar atividades que integrem o estudo dessa disciplina com outras tornam o ensino mais eficiente e prazeroso tanto para alunos quanto aos professores. (CA12).
Para esse aluno, fomentar o domínio das diversas formas de comunicação é questão basilar quando se pretende formar cidadãos; dominar essas diversas formas compreende “entender a diversidade da língua e da cultura [...]”. Mais uma vez temos, alçada a um patamar relevante dentro de uma formação média atrelada á educação profissional, a diversidade inerente à língua e, por conseguinte, à cultura.
Parece-nos, nesse ponto do percurso da análise de VS7, que o viés dominante escolhido pelos alunos para valorarem positivamente a formação cidadã proporcionada pelos conteúdos da disciplina é o da possibilidade de compreenderem a realidade na qual estão inseridos como marcada pela diversidade de opiniões. Ser cidadão, no nosso entendimento das vozes presentes nos posicionamentos dos discentes, é saber comunicar-se bem em uma realidade por demais diversa. É compreender bem essa diversidade.
Para além de apenas perceber a diversidade, encontramos em I06 o significado de vivenciar essa diversidade.
E36 As experiências mais significativas foram debates, pois, com eles, podemos respeitar e aceitar as opiniões dos outros. Nem todo mundo pensa igual. Então, se só a minha forma de pensar é aceitável para mim então, uma convivência em sociedade ou grupo será difícil. Num emprego, nós poderemos ser julgados de forma errônea, mas, devemos respeitar a opinião do julgador e depois informar a nossa. (I06).
Além de deixar explícito o fato de que vivemos em uma realidade marcada pela pluralidade de pensamentos, I06 justifica ser impossível a convivência em sociedade se ignorarmos tal fato. E segue revelando-se contrário aos que partilham da ideia do pensamento único, inclusive ressaltando o caráter nocivo dessa ideia quando se trata do exercício profissional.
Essa visão se propaga em outros posicionamentos como o de T02V, reproduzido a seguir. O aluno, de forma nítida, ressalta a importância da convivência com a pluralidade de opiniões.
E37 Creio que o meu segundo ano foi o mais esclarecedor, uma vez que, foi nessa época que através das aulas aprendi a tirar as minhas próprias conclusões dos mínimos detalhes de textos. Aprendi também o quão importante é saber discordar de determinados assuntos, porém, com inteligência o suficiente para interpretar o outro lado que nos é mostrado. Dessa forma, também descobri que não devemos nos calar diante do que não aceitamos, seja em um ambiente acadêmico ou profissional. Além disso, percebe-se a importância de se manter ligado ao mundo através de notícias, revistas, internet, por exemplo. (T02V).
Além de toda essa percepção da importância de se tirar partido da convivência com a variedade de posicionamentos circulantes no meio social, T02V vincula esse aprendizado aos conteúdos da disciplina Língua Portuguesa. Conforme o depoimento do aluno, aprender a ler minuciosamente os textos e conscientizar-se da importância de conhecer os diferentes meios nos quais esses textos circulam foram atitudes decisivas no desenvolvimento da capacidade crítica.
A circulação dessa variedade de textos é tida, recorrentemente, nos depoimentos dos discentes, como importante para fornecer subsídios à construção de um olhar mais atento do aluno sobre a realidade do mundo no qual está inserido. Vejamos o posicionamento de M11.
E38 Constantemente eram lidos artigos informativos, de opinião, notas, notícias que além de nos informar agiam como agentes formadores. Os diversos temas abordados nos textos faziam com que voltássemos a nós mesmos e refletíssemos a respeito. Um exemplo interessante, e que nunca esquecerei, é o livro “a metamorfose” que através da vida de seu protagonista nos mostrou como nos incomodamos com aquilo que é diferente de nós. Assim como os parentes de Gregor o rejeitaram e o excluíram do mundo, no mundo em que vivemos excluímos e maltratamos tudo aquilo que por ser diferente nos desagrada. (M11).
Em um resgate da VS6, M11 não apenas remete a textos de perfil informativo mas também põe em evidência o papel fundamental do texto literário para a sua formação. É com o exemplo da leitura de um texto literário, dentre outros, que o aluno ilustra a construção de sua visão sobre a realidade do mundo. Um mundo em que, segundo ele, precisa aprender a aceitar as diferenças.
5.3.3.8 VS8 O ensino de Língua Portuguesa e a preparação para o mercado de