1.1 Brystkreft
1.1.5 Brystkreftforskning
Descrição da atividade: exercício disposto no Caderno do Professor e do Aluno (SÃO PAULO, 2009b; 2009c), em que os alunos tinham que identificar a ausência ou presença de marcas discursivas de temporalidade em dois fragmentos do texto “Alice no País das Maravilhas” e, em seguida, identificar qual era o tipo de tempo: tempo cronológico ou psicológico.
A Tabela 1 apresenta os principais resultados para essa atividade, sendo que, da esquerda para a direita: a) a primeira coluna traz informações dos desempenhos requisitados pela professora e a categoria de tarefa à qual ele foi relacionado de acordo com os exemplos do Quadro 2; b) a segunda coluna descreve as condições antecedentes observadas para o desempenho mencionado na coluna anterior; c) a terceira coluna informa o número de ocorrências de respostas dos alunos compatíveis com o desempenho requisitado, assim como o número de ocorrências de respostas dos alunos incompatíveis/diferentes do desempenho requisitado; e d) a última coluna traz a quantificação de ocorrências das categorias de eventos subseqüentes (descritas no Quadro 3) que seguiram a emissão de respostas dos alunos compatíveis e incompatíveis com o desempenho requisitado.
Tabela 1: Quantificação da ocorrência de classes de respostas emitidas pelos alunos e dos respectivos eventos subseqüentes diante dos desempenhos solicitados e das condições antecedentes da Atividade 1.
ATIVIDADE 1 Desempenho
requisitado antecedentes Condições Respostas alunos Subseqüentes Eventos
Tarefa de identificação/intraverbal: identificar marcas temporais Fornece a definição Cita exemplos
Pede para não destacar verbos
Fornece regra para saber quando a palavra é um verbo 05 (n/o) (verbos e outras palavras) 01 ocorrência do desempenho previsto Questionar resposta aluno (1/5) Sinalizar o erro (4/5) Paráfrase (1/1) Tarefa de Identificação de Exemplo/Tato: identificar tipo de tempo
Constatação da ausência marcas temporais no texto Descrição do efeito da ausência de marcas temporais no sentido do texto 01 (n/o)
(tempo cronológico) Questionar resposta aluno (1/1)
Tarefa Combinada: justificar tipo de tempo
Não emissão da identificação do tipo de tempo
Pedir para justificar a resposta dada 03 (n/o) (alunos apresentam a definição de tempo cronológico) Paráfrase (3/3)
Solicitar mais respostas (3/3)
Questionar resposta aluno (1/3)
Tarefa de Definição/Intraverbal: pedir definição do tipo
de tempo
Diante da não emissão da justificativa Pede definição
02 ocorrências do
desempenho previsto Paráfrase (1/2)
Complementar resposta (2/2)
Tarefa de Identificação de Exemplo/Tato: identificar tipo de tempo
Descrição do efeito de sentido de cada tipo de tempo
Relação características do tipo de tempo com o texto do exercício
01 ocorrência do
desempenho previsto Paráfrase (1/1)
Tarefa Combinada: justificar tipo de tempo
Pede para alunos lerem o que escreveram como justificativa para a escolha do tipo de tempo
02 (n/o) (respostas sem relação
com o texto)
Paráfrase (1/2) Questionar resposta aluno (1/2)
Dar a resposta (1/2)
*(n/o) sigla adotada para se referir as respostas dos alunos que foram diferentes/incompatíveis com o desempenho requisitado.
O primeiro desempenho requisitado aos alunos é o de identificar se há ou não marcas temporais nos fragmentos de texto do exercício. Para essa tarefa, observa-se que diante das condições antecedentes disponibilizadas por P (dar a definição do que são marcas temporais, citar alguns exemplos e especificar que não era para destacar verbos), a constatação da ausência de marcas temporais – desempenho correto e previsto – ocorreu somente após a emissão reincidente de respostas incompatíveis, bem como imediatas sinalizações de erro da professora contingentes às respostas incorretas dos alunos.
A primeira vez em que P pede para os alunos identificarem o tipo de tempo nota-se que a constatação de que não havia marcas temporais no texto e a descrição do efeito que isso produz no texto não foram condições suficientes para produzir a resposta desejada. Diante dessa situação P pede para os alunos justificarem a resposta emitida e, ao fazer isso, exigiu dos alunos que relacionassem a definição de tempo cronológico e psicológico (Tarefa de definição/intraverbal) com a identificação de eventos no texto que possam ser relacionados a essa descrição (Tarefa de identificação de exemplo/tato). Tal exigência conjunta foi designada como Tarefa combinada. Vale ressaltar que para esse desempenho só foram categorizadas como ocorrências do desempenho as respostas verbais dos alunos que demonstravam que ele havia estabelecido alguma relação entre a definição do termo e os eventos que compunham o texto do exercício. No entanto, para essa tarefa, nos dois momentos em que apareceu nessa atividade, só foram observadas respostas dos alunos em que eles descrevem características da definição do termo, sem estabelecer nenhuma conexão com o texto. Por exemplo, diante da pergunta da professora Me explica porque é cronológico, as respostas registradas foram:
porque o tempo não volta atrás; porque vai em ordem certa; porque não tem passagem de
tempo.
Apesar disso, o evento subseqüente que predominantemente seguiu a emissão dessas respostas, foi a repetição das respostas dos alunos (Paráfrase).
Depois de três não-ocorrências do desempenho previsto na tarefa combinada, ou seja, da emissão de respostas distintas daquelas esperadas, a professora pediu para os alunos definirem tempo cronológico e psicológico. Para essa tarefa os alunos emitiram o desempenho previsto. Em seguida, após a retomada da descrição de cada um dos termos e da relação feita pela professora entre tempo psicológico e as características do texto da atividade, os alunos emitiram a resposta prevista para a identificação do tipo de tempo. No entanto, novamente, no fim da tarefa quando a professora pede para os alunos justificaram a resposta, não foi
registrado nenhuma ocorrência do desempenho, pois alunos continuaram emitindo respostas de definição do tempo prescindindo de qualquer relação com o texto.
As análises anteriores sugerem que as definições dos conceitos estudados e a identificação da modalidade de tempo envolvido foram emitidas sob condições de intervenção ou de mediação direta da professora. Assim, em termos de topografia de controle de estímulos, as análises parecem apontar uma incoerência: pela previsão, a constatação de ausência de marcas temporais e as justificativas para conclusões e argumentos deveriam se mostrar sob controle das propriedades e das características do texto. Tais respostas foram emitidas, contudo, diante da mediação direta da professora, ou seja, possivelmente sob controle das indagações apresentadas pela professora que exigiam, como respostas, escolhas entre opções ( ...é psicológico ou cronológico?), bem como de paráfrases contingentes a emissão das mesmas.
A indagação a ser explorada na análise das atividades seguintes é se tais estratégias de mediação da professora teriam se constituído em condição favorecedora ao estabelecimento da coerência de controle de estímulo esperada.