• No results found

Brutto salgsinntekter

2.7 Utforming av grunnrenteskattemodellen

2.7.2 Brutto salgsinntekter

Neste estudo, alguns contextos relacionados ao aborto foram descritos, ao se captar declarações significativas de algumas participantes, o que proporcionou determinadas reflexões sobre o tema. No âmbito territorial da área de risco onde residem as participantes desta pesquisa, a prática do aborto, mesmo sendo um crime, vem adentrando nas famílias como algo cada vez mais comum.

Na atenção básica, mais especificamente no âmbito da ESF, são evidenciados os riscos dessa prática na adolescência, a qual é descrita em alguns estudos como algo que merece maior aprofundamento.

Quando esse assunto surge numa consulta individual ou numa roda dialógica de grupo, é fundamental que o profissional acolha a gestante, escute seus motivos, respeite seus relatos, evitando preconceitos, julgamentos ou qualquer outro quesito de ordem moral ou religiosa. Tal postura evita afastamentos, medos, sentimento de culpa, estigma e desamparo.

Em estudo realizado por Nomura et al. (2011) com 166 mulheres em São Paulo e 150 mulheres em Natal, observou-se uma proporção relevante de mulheres que relataram violência relacionada, ou não, à prática do aborto. É importante uma investigação ativa nesse aspecto, tendo em vista que, socialmente, a violência está se inserindo cada vez mais nos relacionamentos humanos.

Os mesmos autores sugerem que sejam realizados mais estudos sobre o aborto, que permitam políticas públicas de saúde inovadoras, retratando o caráter recorrente desse fenômeno, e facilitando “uma compreensão da problemática como questão de saúde da mulher, que necessita de cuidados e atenção específica para minimizar as complicações físicas, emocionais e sociais” (NOMURA et al. 2011, p. 650).

É de fundamental importância que o profissional de saúde possa estabelecer uma relação de confiança com a gestante, respeitando seu relato, permitindo que a mesma reflita sobre os motivos da rejeição, auxiliando-a a pensar e repensar sobre as consequências do aborto em seu contexto de vida, bem como os riscos proporcionados ao bebê (BRASIL, 2013a).

Em pesquisa qualitativa sobre abortamento na adolescência, com abordagem na fenomenologia social, proposta por Faria et al. (2012), objetivou-se compreender sobre a experiência do aborto e a necessidade do cuidado, em virtude da dor e sofrimento absorvidos nessa experiência.

Aspectos negativos como a rejeição de familiares, proporcionados por uma gestação precoce e não planejada, e situações positivas como o sentimento de felicidade por ser mãe e a possibilidade de engravidar novamente contemplaram a dualidade de sentimentos percebidos na referida pesquisa (FARIA et al., 2012).

De forma semelhante, no presente estudo, as gestantes que mais sofreram pressão psicológica para abortar foram as adolescentes do grupo. Dentre as pessoas que aconselhavam ou forçavam o aborto, destacavam-se as figuras da mãe, do companheiro e de pessoas com vínculos familiares próximos. Vale reforçar que, durante os trâmites da escolha das participantes deste estudo, algumas não puderam participaram por terem abortado.

A insegurança em dar sequência à gestação, pela ausência do apoio materno ou do companheiro, aliada à pressão psicológica para a prática do aborto, foram fatores que vulnerabilizaram algumas participantes da pesquisa, as quais estiveram em risco iminente de interromper a gestação, conforme descreve Emilly: “[...] quando eu descobri que estava grávida, eu tentei abortar ele, comprei um remédio, mas não tive coragem de abortar o meu filho, aí o que aconteceu? O pai dele me abandonou quando eu tava com três meses” (sic).

A figura do companheiro solicitando a prática o aborto foi destacada na narrativa de Fernanda. Tal pedido foi repudiado por ela, segundo o relato da mesma:

Eu me sinto bem, me sinto feliz né, apesar do pai dele quer que eu [...] queria que eu estivesse grávida. Que eu tô grávida. Mas no começo mandou eu abortar, mas depois pediu desculpa! É assim, né? A pessoa que é mãe se sente triste [...] Mas é meu filho eu vou criar ele com a minha mãe, com a minha família, ele dá as coisas pro menino assim, mas se eu pudesse eu não aceitava (sic).

Por outro lado, diferentemente de Fernanda, que tinha o apoio de familiares, os relatos de Raylane assumiram um aspecto mais complexo, pois a gestante sofreu pressão para abortar tanto por parte da mãe, como de pessoas próximas no seu convívio familiar. A mesma assumiu uma postura indiferente e de enfrentamento ao que lhe foi solicitado, agindo a favor da maternidade e da vida.

A palavra aborto. Não é que tenha alguma coisa a ver não mas [...] Eu escolhi essa palavra porque, quando eu soube que tava grávida, que eu falei pra minha mãe, aí minha mãe falou para outras pessoas, eu escutei muito mal as pessoas me mandando tomar remédio, pra tomar as coisas, e eu vi, eu mostrei pra elas, que eu não ia fazer isso. Eu sou nova, mas eu tenho juízo (sic). - Raylane

principalmente quanto à rejeição de suas mães, as quais apontavam para um grande obstáculo financeiro à família. Elas ressaltavam a dificuldade em se conseguir emprego e a problemática em se manter um recém-nascido sem o apoio do pai, personagem esse destacado por ter envolvimento conflituoso com a sogra. Dentre os relatos de conflito com a mãe, merece destaque a fala de Emilly:

Quando ela falou em aborto, me lembrei o que minha mãe fez comigo, quando ela descobriu que eu tava grávida, ela disse que ia ficar com minha filha, com meu filho, nisso eu não sabia, ela insistia nisso se ele era homem, se era mulher. Aí eu disse pra ela que eu ia pra rua, mas eu não ia ficar na casa dela, já que ela preferia o aborto [...] Desde a hora que eu soube que eu tava grávida de meu filho eu não quis o aborto, quis sim ter meu filho perto de mim (sic).

Emilly manteve uma postura forte, confiante e desafiadora perante alguns obstáculos que deveria enfrentar, mesmo ferindo amplamente seus princípios. Outra característica observada em sua personalidade era seu lado afetivo e humano.

A afetividade é essencial na formação psíquica do indivíduo desde a concepção até as fases iniciais da infância. A presença dos pais ou de um desses, em especial da mãe ou de alguém de referência que desempenhe a função de cuidador, é essencial na consolidação desse processo.

A ausência de afetividade pode interferir na conduta ou formação da personalidade do ser humano, podendo acarretar distúrbios emocionais e transtornos afetivos psicológicos complexos que poderão influenciar negativamente nos vínculos familiares e sociais, em especial nas fases da adolescência e da vida adulta. No contexto desse tema, a figura materna assume a guardiania plena. Caso a mãe assuma uma postura salutar ou desequilibrada emocionalmente, suas emoções sentidas podem interferir ou auxiliar tanto de forma positiva, como negativa para a consolidação desse processo (BAIRROS et al., 2011).

No estudo de Boemer e Mariutti (2003), foi realizada a análise fenomenológica das situações de aborto vividas por 12 mulheres, expressando o significado da experiência e norteando a construção de categorias temáticas dispostas que sinalizaram as essências desse vivenciar, constituindo subsídios para planejar uma melhor assistência à puérpera. Como resultado, desvelou-se facetas de perda, dor, solidão, tristeza, culpa, medo e a intencionalidade da consciência para se direcionar a uma maior atenção do planejamento reprodutivo, bem como rever projetos de vida.

Quando o assunto adentra no âmbito hospitalar, o atendimento durante a internação deve ser pautado na necessidade de maior aceitação, diálogo e fornecimento de informação por parte do cuidador, reforçando a importância de ações mais eficazes e pertinentes de planejamento reprodutivo e o desenvolvimento de projetos que incluam os

familiares, na perspectiva do diálogo intrafamiliar.

Conquistar a confiança e a reciprocidade com a usuária do serviço, atuar de forma planejada, e se dedicar melhor no contexto dessa problemática, propondo mudanças satisfatórias e pertinentes, são objetivos essenciais que devem ser trabalhados por todos os profissionais da atenção básica. Como suporte, a equipe da ESF pode contar com o apoio matricial dos profissionais de saúde mental, bem como da equipe do NASF e CAPS, em especial o psicólogo (BRASIL, 2013b).