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Brukstilfeller

4.2 Spesikasjon av ny møteløsning

4.2.1 Brukstilfeller

Thompson (1998; 2007) tem chamado a atenção para o fato de que o desenvolvimento da comunicação de massa passou a afetar de diferentes modos a organização social da vida cotidiana, pois com o advento e o avanço dos mass media tornaram-se possível ao homem experenciar novas formas de relação e interação no mundo social.

Segundo o autor, a partir do momento em que as pessoas passaram a utilizar os meios de comunicação, elas entram em contato com tipos de interação que diferem das formas de interação “face a face”, características das relações cotidianas, e começaram a fazer uso da interação “mediada” ou “quase-interação” mediada, isso representou, entre outras coisas, profundas alterações na organização espacial e temporal da vida social, novas possibilidades de ação e também novas maneiras de exercíciodo poder que não está mais ligado ao compartilhamento do local comum.

Neste sentido, dada a importância das formas de interação pontuadas pelo autor, faremos uma breve caracterização do assunto;mas, antes, destacamos que o desenvolvimento e utilização dos meios de comunicação não devem ser vistos como meros suplementos às relações sociais preexistentes, como se fossem a introdução de canais neutros que difundem bens simbólicos e deixam, dessa forma, as relações sociais intactas. Ao contrário, o desenvolvimento dos meios técnicos, como os mass media, possui um impacto fundamental nas maneiras como as pessoas agem e interagem umas com as outras (THOMPSON, 2007, p. 296).

Nestas condições, é que o surgimento da televisão, como meio técnico específico, é considerado um avanço de grande repercussão na sociedade. A televisão, não somente apresenta a sua importância no que diz respeito ao sentido das mensagens que transmite (embora saibamos que se trata de uma dimensão preponderante de sua relevância social), mas se destaca, também, pela forma que assume enquanto meio técnico e serve para organizar e reconstituir a interação social. Deste modo, não é irrefletidamente que o autor assinala a importância de entender as características da quase-interação mediada.

Para explorar, então, os tipos de situação interativa surgidas com o advento e irradiação do mass media, Thompson (1998) estabelece a distinção entre a interação face a face, a interação mediada e a quase-interação mediada. Estas últimas, conforme pontua, são as formas interacionais que se tornaram comuns na sociedade de “cultura moderna” (THOMPSON, 2007, p. 279).

Assim, a interação face a face acontece em um “contexto de co-presença”, onde os participantes compartilham um mesmo sistema referencial de espaço e tempo. Esse tipo de interação ocorre comumente nos diálogos travados pelas pessoas no dia a dia, elas podem, inclusive, se utilizar de expressões denotativas como “aqui”, “agora”, “este”, “esse”, entre outros e serem facilmente compreendidas.

O caráter dialógico da conversação é marca característica deste tipo de interação na medida em que as pessoas envolvidas trocam diretamenteinformações, significando um fluxo de ida e volta de mensagens entre produtores e receptores específicos que são ambos, ao mesmo tempo, os produtores e os receptores das informações permutadas.

Com o desenvolvimento dos meios de comunicação a partir do século XV em diante, porém a interação se dissocia do ambiente físico, portanto, do contexto de co-presença e as pessoas podem interagir umas com as outras em contextos diferentes ou em ambientes espaço-temporalmente não partilhados15.

Thompson, assim, contrasta a interação face a face com a interação mediada, com as quais indica formas interacionais como cartas, conversas telefônicas, etc. Essas maneiras de interação caracterizam-se por ser dialógicas e implicam sempre um meio técnico (papel, fios, ondas eletromagnéticas, etc.) que possibilitam a transmissão de informação e conteúdo simbólico para pessoas situadas remotamente no espaço e no tempo. Os participantes a uma interação mediada podem, deste modo, estar situados em contextos distintos e não compartilharem o mesmo referencial de espaço e tempo.

Os meios de comunicação, contudo, na sua ampla maioria, têm sido também responsáveis por conferir às relações sociais existentes formas de quase-interação mediadas. Na verdade, quando Thompson fala em “meios de comunicação de massa” ele está se referindo, preponderantemente, a jornais, livros, revistas e a vários tipos de meios eletrônicos como o rádio e a televisão, entre outros, que por suas características são responsáveis por instituir modos de relacionamentos típicos de uma quase-interação.

Nesse sentido, os meios de massa, conforme salienta, particularizam-se pela “produção institucionalizada e difusão generalizada de bens simbólicos através da fixação e transmissão de informação ou conteúdo simbólico” (THOMPSON, 1998, p. 32), isso implica

15 É importante que se entenda que “antes do início do período moderno na Europa, e até recentemente em algumas partes do mundo, o intercâmbio de informação e conteúdo simbólico era, para maioria das pessoas, um processo que acontecia dentro de situações contextuais face a face. Formas de interação mediadas e quase-interação mediada existiam, mas eram restritas a setores relativamente pequenos da população. Participar de interação ou quase-interação mediadas exigia habilidades especiais – tais como a capacidade de ler ou escrever – reservadas quase sempre a elites políticas, comerciais e eclesiásticas (THOMPSON, 1998, p. 82).

necessariamente, a caracterização dos meios de comunicação a partir de alguns aspectos: a “difusão” ou “transmissão” institucionalizada das formas simbólicas (isto é, o caráter institucional e, geralmente, monológico de propagação das mensagens); a ruptura entre produção e recepção de bens simbólicos (ou seja, os bens simbólicos são produzidos para receptores que, normalmente, não estão presentes no local da produção e transmissão); a acessibilidade de formas simbólicas no tempo e no espaço; e, por fim, a circulação pública das formas simbólicas (significando a disponibilização de produtos midiáticos a uma pluralidade de receptores potenciais) (THOMPSON, 2007, p. 287-94).

De tais definições, segundo Thompson, destacam-se dois aspectos-chave que se diferenciam das demais interações e singulariza-a como uma quase interação. Vejamos, enquanto a interação face a face e a interação mediada são dialógicas, a quase-interação mediada é monológica, isto é, o fluxo da “comunicação” é predominantemente de sentido único, isto acontece, por exemplo, a meios como o livro ou a televisão onde as mensagens difundidas trafegam, quase que exclusivamente, do produtor para o receptor, dificultando a estes a manifestar suas opiniões a respeito da informação recebida.

Assim, não há o grau de reciprocidade das outras formas de interação, embora continue sendo um tipo de interação. Por isso, Thompson (1998, p. 288) adverte que é mais apropriado falar em “difusão” ou “transmissão” de mensagens, em vez de “comunicação” como tal.

O outro aspecto importante diz respeito ao fato de que os participantes de uma interação face a face ou de uma interação mediada são orientados para outros específicos, para quem eles produzem ações, afirmações, etc., no caso da quase-interação mediada, as formas simbólicas são produzidas para um número indefinido de receptores potenciais. Essa característica sugere a circulação pública das formas simbólicas, as quais, nas outras formas de interação, encontram-se restritas a um público singular de receptores, dificultando também sua abrangência e interferência no mundo social.

Com efeito, o surgimento dos meios de comunicação e o seu subseqüente desenvolvimento, com destaque para a emergência dos veículos eletrônicos de difusão no século XX, fez com que a interação face a face fosse sendo cada vez mais suplementada por formas de interação e quase-interação mediadas (THOMPSON, 1998, p. 81).

Neste sentido, se observarmos, um pouco mais detidamente, veremos que o mundo social hoje presencia, em proporção sempre crescente, a transmissão de informação e conteúdo simbólico em contexto de quase-interação, isso tem colocado a televisão enquanto

dispositivo técnico de grande aceitação, em importante posição de destaque na interação social.

A televisão tem se mostrando de grande penetrabilidade no mundo social, não é à toa que ela é considerada, segundo o autor, como um dos meios técnicos mais presentes quando se trata da organização do intercâmbio e da interação social. Através da televisão, por exemplo, a visibilidade social hoje, ou melhor, a “televisibilidade” pode ser facilmente construída, bem como são construídas as “personalidades” sociais e políticas que comumente aparecem no universo midiático.

Sobre esse assunto, segundo Thompson (1998, p. 91), “a característica distintiva da televisibilidade é que ela combina presença audiovisual com distância espaço-temporal”. Ora, esta característica que associa presença e ausência, ao mesmo tempo, é constitutiva da relação que as pessoas, em geral, têm com as “figuras” que transitam normalmente nos programas de televisão. São pessoas que, pelo local ocupado e/ou posição ocupada nestes veículos de comunicação, fazem-se presentes aos receptores, sendo, então, comumente visíveis ao público, mas ausentes do contexto de recepção.

As “personalidades” sociais e políticas, em uma “sociedade midiática” (RUBIM, 2001ab), são também, em boa parte, construídas e cultivadas desta maneira, isto é, a partir de uma visibilidade elaborada à distância. Inclusive, a imagem freqüente no meio midiático e o distanciamento entre produtores e receptores, conferido pela natureza da quase-interação, contribui bastante para a construção de uma “aura” em torno das personalidades da TV (THOMPSON, 1998, p. 91).

Conforme salienta Thompson, para os receptores as personalidades são pessoas com as quais eles podem simpatizar ou antipatizar, gostar ou desgostar, detestar ou reverenciar, mas os traços dessas personalidades não podem ser retocados ou controvertidos por esse tipo de quase-interação, uma vez que não se trata de uma dialogicidade, isto é, a aura de uma personalidade se sustenta em parte pela distância que separa produtores e receptores.

A Televisão, assim, contribui bastante para isso e os políticos os quais nos defrontamos cotidianamente pela televisão, são hoje, em sua maior parte, “personalidades” que buscam vencer eleições, formulam constantemente uma imagem nos meios de comunicação e procuram persuadir, com seus discursos, uma audiência.

Aliás, a história recente do universo televisivo e da política local no Rio Grande do Norte tem mostrado como uma versão da visibilidade nos meios de comunicação, sobretudo na TV, contribui, de forma decisiva, para a construção de uma imagem política, o que “pincelaremos” um pouco mais a frente, mas, para os propósitos mais gerais, sabemos que a

visibilidade midiática incorpora fortemente o mundo da política, como um todo, o que estabelece com ela novas interações e novas formas de relacionamentos que repercutem no modo ou na maneira como o cidadão comum lida com a política, como é explicitamente o caso da televisão e da cobertura que se faz dos fatos políticos (ALDÉ, 2005).

2.2. Globalização contemporânea e desenvolvimento midiático: avanços e