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O desempenho de Haddad nas pesquisas de intenção de votos durante a pré-campanha permaneceu baixo. Para entender a baixa evolução do candidato deve levar em conta as pesquisas ocorridas no período de 05/09/11 até 26/06/12.

As duas primeiras pesquisas foram realizadas pelo Instituto DataFolha e ocorreram no ano de 201141. Naquele contexto a eleição para a prefeitura de

2012 não estava na ordem do dia. Era vista como um acontecimento distante a mais de um ano. Isso explicitava o baixo grau de conhecimento dos eleitores sobre as eleições e mostrava que suas escolhas remetiam mais ao histórico da cidade do que as questões colocadas para aquele momento.

Por exemplo, no DataFolha de 05/09/12 Marta Suplicy aparecia expressando um cenário clássico dos petistas na cidade. Tinha 29% dos votos e 30% de rejeição. Com 1/3 dos ditos independentes definindo a eleição.

Contudo, Marta não sairia como candidata por conta da política de renovação que estava acontecendo no PT.

Outro ponto importante levantado na pesquisa foi a influência das lideranças políticas para a determinação dos votos. Lula liderava como tendo 40%, Dilma Rousseff 26% e Geraldo Alckmin 27%. Ademais 61% dos simpatizantes do PT disseram que votariam no candidato de Lula a prefeito.

Mesmo assim, Haddad apresentava somente de 1% a 2% das intenções de voto. A baixa porcentagem era atribuída ao desconhecimento de Haddad como possível candidato de Lula.

Na pesquisa seguinte (DataFolha de 10/12/1142) ocorreram algumas mudanças. Marta já tinha desistido de ser candidata e a influência política de Lula aumentou em 8% chegando agora aos 48%. Mas mesmo assim Haddad possuía entre 3% e 4% das intenções de voto e era desconhecido de 63% dos eleitores.

Mauro Paulino (diretor-geral do DataFolha) refletia sobre a situação de Haddad e pensava no seu potencial de crescimento:

"À medida que a população o identificar com Lula, sua intenção de votos vai aumentar, como aconteceu com a presidente Dilma Rousseff nas eleições do ano passado. A questão é ver até onde ele pode chegar", afirma.43

Nas pesquisas de 2012, Haddad apresentou a seguinte evolução.

42 Para essa pesquisa foram ouvidas 1.092 eleitores na capital paulista entre os dias 7 e 9

deste mês.

43 http://www1.folha.uol.com.br/poder/2011/12/1019418-lula-aumenta-forca-em-sp-e-serra-tem- maior-rejeicao-diz-datafolha.shtml

Gráfico 1 – DataFolha da Pré-Campanha

Nas pesquisas de dezembro, janeiro e março, o candidato oscilou entre os 3% e 4%.

Em 09/05/2012 saiu uma pesquisa Ibope44. Serra 31%, Russomano 16%, Netinho 8%, Soninha 7%, Chalita 6%, Paulinho 5%, Haddad com 3% (e 12% de rejeição), Carlos Gianazzi (PSOL) e Luiz Flávio Borges D'Urso (PTB) alcançaram 1%, cada. Levy Fidélix não pontuou na pesquisa.

Mais uma vez, Haddad ficou estacionado nos 3% e avaliou sobre sua situação:

"A pesquisa Ibope praticamente repete os números do Datafolha, de março, o que sugere que o eleitor ainda não está atento ao processo eleitoral.”45

44 Encomendada pelo SPTV 2ª edição e sendo feita entre 5 a 7 de maio. Foram ouvidas 805

pessoas tendo como margem de erro de 3 pontos para cima ou para baixo. Foi registrada na Justiça Eleitoral com o número SP-00027/2012

45http://www.folhavitoria.com.br/politica/noticia/2012/05/eleitor-ainda-nao-esta-atento-a-eleicao- diz-haddad.html

Outros petistas também comentaram o desempenho de Haddad. Para o vereador José Américo:

"As pesquisas medem mais o grau de conhecimento que qualquer outra coisa.”46

E para o vereador Chico Macena um dia antes da divulgação da pesquisa:

“Nosso trabalho ainda é com a militância." .47

A quatro meses das eleições, Haddad conseguiu subir cinco pontos num novo DataFolha divulgado no dia 17/06/12. Obtendo a sua melhor marca até então. Os resultados foram: Serra 30%, Russomano 21%, Soninha 8%, Haddad 8%, Netinho 7%, Chalita 6%, Paulinho da Força (PDT) 5%. Luiz Flávio D'Urso (PTB) e Carlos Giannazi (PSOL) apareceram com 1%. Os outros candidatos não pontuaram. Havia 9% que declararam nulo ou branco e 3% ainda não sabiam.

O coordenador da campanha de Fernando Haddad Antônio Donato comentou sobre o DataFolha:

“Vamos prosseguir com nossa estratégia de dialogar com todos os segmentos da cidade e construir um plano de governo inovador para São Paulo”.48

46http://www.folhavitoria.com.br/politica/noticia/2012/05/eleitor-ainda-nao-esta-atento-a-eleicao- diz-haddad.html 47http://www.folhavitoria.com.br/politica/noticia/2012/05/eleitor-ainda-nao-esta-atento-a-eleicao- diz-haddad.html 48http://eleicoes.uol.com.br/2012/noticias/2012/06/17/haddad-e-russomanno-comemoram- crescimento-em-pesquisa-datafolha-serra-nao-comenta.htm?mobile

O último DataFolha da pré-campanha ocorreu após a aliança do PP com o PT. E teve como intuito ver seu impacto eleitoral. Com ele a candidatura petista caiu de 8% para 6%. Os resultados foram:

Serra: 31%, Russomano: 24%. Haddad: 6%. Soninha Francine: 6%. Netinho: 6%. Chalita: 6%. Paulinho: 3%. Giannazi: 1%. Nulos e Brancos: 11% e 5%. Indecisos: 5%.

Esta aliança PT-PP criou uma rejeição que até então não tinha a candidatura de Haddad. Foram 62% dos entrevistados que acharam que o PT agiu mal em procurar a aliança. Por parte do eleitorado petista foram 64%. A própria influência de Lula também diminuiu. Agora eram 36% dos eleitores que apoiariam as escolhas do ex-presidente para fazer escolher seu candidato, 13% menos do que foi registrado em janeiro.

Outros dados importantes também apareceram. Como 59% dos eleitores que não votariam num candidato indicado por Maluf, apenas 12% seguiriam uma indicação de Maluf e 26% seriam indiferentes. Eram 70 % os eleitores que desconheciam o apoio de Maluf a Haddad e apenas 17% sabiam. Para eles 67% acreditam que Erundina agiu bem em desistir e 17% reprovaram. E 16% não quiseram opinar.

Já 39% acreditavam que um apoio de Maluf a Haddad traria prejuízos, outros 36% eram indiferentes, 14% acharam benéficos e 11% não souberam opinar.

A queda no crescimento de Haddad veio acompanhada do surgimento de uma rejeição a sua candidatura. Assim ocorreu o término das pesquisas de intenção de voto da pré-campanha. Havia muitos questionamentos sobre o teto do crescimento da campanha e também sobre a sua viabilidade.

Havia a consciência da pré-campanha ser um terreno desfavorável para o crescimento eleitoral pela vedação legal a existência de comícios, ausência dos principais cabos eleitorais de Haddad e sobretudo por ter como prioridade a definição dos eixos da campanha, de um plano de governo e a conformação de alianças.

Pela perspectiva petista acreditava-se que a medida que o eleitorado se interessasse pelas eleições e conhecesse Haddad iria haver adesão a sua candidatura. A questão a ser discutida era o tamanho dessa adesão e se seria suficiente para leva-lo ao segundo turno.

A campanha de Haddad previa para Julho o começo de uma alavancagem da candidatura, porém havia novas dúvidas com relação a nova rejeição dada pela aliança com o PP de Maluf.

3.1.7. Conclusões sobre a pré-campanha

A pré-campanha se revelou um período difícil para a candidatura Fernando Haddad. As escolhas necessárias para a homologação oficial da campanha49 foram controversas. Apostas de alto risco que geraram dúvidas quanto a viabilidade da renovação do novo perfil de quadros partidários.

Como se não bastasse isso, o modo como foram ocorreu conflito e rejeição. Ao ocorrer a renovação partidária de modo verticalizado (de cima para baixo) e sem passar pelo crivo do partido a partir da ausência de prévias e dos choques com Marta Suplicy.

Ademais, o esforço em viabilizar a candidatura Haddad50 a partir da conformação do arco de alianças também gerou rejeição e mal-estar. Visto que receber o apoio de Maluf, produziu rejeição no próprio eleitorado fiel ao PT em São Paulo.

Dessa forma a própria campanha se colocou numa situação embaraçosa. O que trazia mais dúvidas quanto ao limite de crescimento da campanha. A dúvida quanto ao momento em que Dilma entraria na campanha ainda permanecia e também quanto a quantidade de aparições públicas que Lula poderia fazer.