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formar agentes preparados para o serviço ao outro ou para a práxis de dominação.
“Sabemos que o pro-jeto é o fundamento ontológico, o ser de uma Totalidade dada (a totalidade vigente) ou futura (o projeto de libertação)” (PEL III 213).
À eticidade do projeto pedagógico cabe o discernimento entre o negar ou afirmar o discípulo.
“A eticidade é a referência meta-fisica do pro-jeto ao Outro,... daí que falar de eticidade do pro-jeto pedagógico significa considerar se a meta da educação é um negar o filho-povo ou afirmá-lo em sua própria exterioridade” (PEL III 213).
Estamos falando aqui dos objetivos últimos que alimentam o sistema. Os fundamentos dos objetivos, os fins últimos da educação.
Queremos esclarecer algumas noções que são alvo da dominação pedagógica quando não ferramentas através das quais o centro domina a periferia. São as seguintes: Cultura imperial, cultura nacional, cultura ilustrada da elite colonial, cultura de massa e a cultura popular.
“A cultura de massa é a identidade universal unívoca onde se exerce todo poder dos mecanismos pedagógicos da ideologia racionalmente planejada pelos manipuladores da opinião pública” (PEL III 218).
A cultura imperial sempre teve pretensão universal. Junto com a cultura ilustrada e a cultura de massa “são momentos internos do sistema imperante ou da Totalidade pedagógica dominante” (PEL III 214).
A cultura nacional pode ser a cultura de uma nação dominadora ou de uma nação periférica.
A cultura popular é a noção mais importante para a “Pedagógica” da libertação.
“Somente ela é o fundamento do pro-jeto de libertação, pro-jeto eticamente justo, humano, alterativo. O filho, a criança, no lar e na relação pais-filhos, participa destas culturas” (PEL III 214).
do estabelecimento da cultura imperial, a do centro, com sua pretensão de universalidade.
“Neste caso, o filho-povo é educado no mesmo que o sistema já é. Por isso, o pro-jeto pedagógico de dominação sempre é fruto de violência, de conquista, de repressão do Outro como outro” (PEL III 215).
A cultura imperial se impõe sobre a periferia e assim domina as culturas nacionais dos estados neocoloniais. Toda cultura imperial ou ilustrada sempre foi resultado de um processo criador popular.
“Por outro lado, a cultura de massa do centro é tanto ou mais dominadora do que a da periferia, já que esta ao menos tem a experiência de sua exterioridade, ao passo que a massa do centro foi incluída na totalidade dentro do sistema cultural imperante. Daí que a revolução cultural mundial deve sempre partir dos oprimidos da periferia” (PEL III 217).
A cultura imperial do centro destrói a cultura nacional da periferia impondo a repetição ou cópia daquilo que ela é. Seus mecanismos ideológicos são operativos por que se confundem com a natureza das coisas. Quem não aceita acaba se sentindo mal, ingênuo ou maluco. O modo cotidiano do sujeito estar no mundo lhe é imposto: é a não-criticidade. Se pretender dar um sentido diferente para as coisas corre o risco de perder seu lugar no todo social. Ser distinto se torna a possibilidade de ser perseguido. Por outro lado, o mesmo, o igual, o vulgar, o mal educado, tornam-se populares (moda). O menor indício de “perversão” contra o sistema cultural vigente é boicotado.
A indústria cultural, neste sistema, funciona a todo vapor.
“O sujeito da ideologia imperial-ilustrada, o preceptor da pedagogia de massa, usa uma linguagem que não só é tautológica, mas que o reveste de todo um ritual mágico (música praticamente religiosa, romântica, festiva ou juvenil para vender o produto), que ao mesmo tempo é autoritário (compre hoje, vote), num ambiente de falsa familiaridade (teu creme, teu supermercado). É uma linguagem de imediatez: o fato não admite réplica e se impõe em sua razão; a coisa se confunde com sua função; sua verdade é a verdade estabelecida. O mesmo invade tudo. As relações semânticas são tautológicas: o sinal intencional do sentido do ente (no mundo) é um conceito por todos interpretado (fala); o sinal lingüístico da expressão comunicativa: a palavra (a linguagem) é por todos compreendida. O circuito da
comunicação desde o emissor ao receptor, passado pelos sinais que dão uma certa informação tem os mesmos códigos (sejam fonéticos, sintáticos ou semânticos) e os mesmos sistemas de decodificação. A totalidade lingüístico-ideológica funciona como instrumento da pedagogia que se exerce sobre o povo pela cultura imperante para constituí-lo em massa manejável e portador da cultura de massa. Chamar-se-á cultura ou educação (e para isso se estabelece essencialmente o sistema de escolaridade) a aptidão para poder receber e manejar adequadamente os canais (televisão, rádio, revistas, jornais, etc.) e os códigos (alfabeto, linguagem, gestos, etc.), através dos quais e em estruturas fixas (tais como o esquema de uma história para crianças) se lhe introjetará uma informação dominadora, alienante. O povo será assim educado para que se transforme em massa; a cultura popular criadora e exterior será assim reduzida a ser simplesmente Kitsch, substitutos imitativos e massificados. É claro que essa cultura imperial ilustrada não é inocente. A ideologia encobridora da realidade popular incorpora ao mesmo tempo um sistema que não é somente intelectual, mas erótico, político, econômico. Por isso não se deve estranhar que num momento em que o imperialismo capitalista lança mão da totalidade de seus recursos; em que a psicotécnica seleciona apressadamente os operários, em que o trabalho em cadeia aproveita até o incrível a ajustada sistematização do movimento, é justo que a escola fosse arrastada pela corrente” (PEL III 220-221). Bem, justo não é, mas onde esta forma de dominação se efetiva, o projeto ou modelo pedagógico não é outro que não o de dominação, autoritário,
“onde se dá primazia ao sistema pedagógico que Paulo Freire denominaria de educação bancária, não crítica” (PEL III 223).
Na América Latina o depósito é de conteúdos norte-americanos por isso, temos uma acelerada “americanização” da vida diária. Sem falar dos conteúdos europeus.
Todo este projeto que apresentamos é a efetivação da morte do filho, do povo, da juventude. Na prática é a tautologia central sobre a periférica exterioridade, aniquilando-a.