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DEL I Psykisk helsearbeid i kommunene: Status i 2004 og utvikling

1.2 Brukerrater

De acordo com Vereza (2007), Charteris-Black (2004, 2005), com base nos pressupostos da Análise Crítica do Discurso11, promove um estudo da dimensão político- ideológica da figuratividade.

Charteris-Black (2005) propõe um modelo discursivo para a metáfora, alegando que sua consideração deve ser feita a partir das dimensões semântica, cognitiva e pragmática. Assim, nesta perspectiva, a análise da metáfora é feita tanto pelo viés cognitivo quanto pelo seu caráter ideológico e persuasivo. Com isso, o processo metafórico é visto como um conceito relativo, não sendo definido apenas pelo critério cognitivo ou linguístico. No entanto, o autor advoga que a distinção entre o pragmático e o cognitivo não é fácil de ser feita, pois o desenvolvimento do esquema conceitual envolve escolhas linguísticas.

Em sua proposta de estudo, Charteris-Black (2004) aborda a metáfora através de três dimensões discursivas: a persuasão, a emoção e a avaliação. A metáfora é vista como eficaz ao realizar o objetivo subjacente de persuadir o ouvinte/leitor por parte do falante/escritor, devido seu potencial de nos emocionar. Para o autor, é por causa desse potencial que a metáfora é amplamente utilizada na linguagem persuasiva, com a ressalva de que seu efeito pode variar de acordo com a percepção linguística e pragmática do usuário. Por outro lado, seu papel avaliativo transfere ao ouvinte as avaliações, os pontos de vistas, sentimentos sobre as proposições ou entidades ditas pelo falante.

11 Charteris-Black (2004) argumenta que a ACD preocupa-se com a análise ideológica, com o conteúdo textual

que está implícito, tendo como base a pressuposição de que os textos não são neutros como parecem. Isso ocorre porque os processos sociais que conduzem às escolhas linguísticas conscientes estão escondidos ou opacos em sua realização linguística.

Dito isso, a metáfora, como observa Charteris-Black (2004), tem um papel persuasivo ao evocar respostas de grande impacto emotivo, conduzindo a interpretação à uma determinada direção no lugar de outra. Uma forma de se fazer isso é pela avaliação subjacente transmitida pela escolha de certas palavras, frases e suas conotações, refletindo escolhas linguísticas que apresentam intenções retóricas particulares. Para o pesquisador, o falante convida seu receptor a participar de um ato interpretativo, engajando-se em uma atividade de criação de significados, indo além do codificado no sistema semântico.

Charteris-Black (2005) advoga sobre a necessidade de complementarmos os estudos propostos pela Semântica Cognitiva com os fatores pragmáticos, ou seja, atentarmos à forma pela qual a metáfora tem seu uso governado por um contexto de comunicação específico. Com isso, a dimensão cognitiva oculta uma dimensão da metáfora que é revelada pela ACM: a seleção da metáfora em um discurso específico é governada pelo objetivo retórico de persuasão. Para Charteris-Black (2005), devemos ficar atentos ao fato de uma mesma noção poder ser comunicada por uma metáfora diferente, ou a mesma metáfora ser empregada de diferentes formas, de acordo com uma perspectiva ideológica.

Diante do exposto, podemos considerar, como observa Charteris-Black (2004), que a metáfora é capaz de influenciar nossas crenças, ativando associações emocionais inconscientes por meio da linguagem. Nesse contexto, no processo metafórico temos a transferência de associações positivas ou negativas do domínio-fonte ao domínio-alvo, associações que governam nosso sistema de avaliação. Como declara Descamp (2007), a escolha de uma entrada mental nunca é neutra.

Com uma visão semelhante, Goatly (2007) defende que as metáforas criam realidades e não simplesmente as descrevem, sendo sua construção pautada em uma perspectiva ideológica. Dessa forma, a ACM torna-se uma importante ferramenta nos estudos do processo metafórico, permitindo identificar as intenções e ideologias subjacentes ao uso da linguagem.

Gostaria de ressaltar que os trabalhos propostos por Charteris-Black (2004, 2005) têm como corpus textos políticos e religiosos desenvolvidos apenas pelo modo verbal. No entanto, acredito que esse aspecto pragmático dos processos metafóricos possa ser encontrado tanto nas metáforas multimodais quanto nos processos metonímicos responsáveis pela motivação dessas metáforas. Assim, penso que as escolhas pelos diferentes modos, sendo ele verbal, sonoro, imagético, não são aleatórias. Como colocam Kress e Van Leeuwen (1996, 2001), as imagens, assim como o linguístico, possuem dimensões estruturadas social, comunicativa e politicamente. As imagens não apenas reproduzem a realidade, mas são construídas a partir dos interesses das instituições sociais em que são produzidas, possuindo

caráter ideológico. Acredito que, da mesma forma que as imagens, todo modo semiótico é investido pela ideologia daquele que o escolhe.

Nesta seção percorri o caminho traçado pelos principais estudos dedicados ao processo metafórico, demonstrando a variedade de pesquisas desenvolvidas neste campo de estudo. A próxima seção será dedicada à outro processo que vem atraindo a atenção de muitos pesquisadores: o metonímico.

2. 2. Abordando o processo metonímico

Após trinta e três anos do trabalho seminal sobre metáfora, desenvolvido por Lakoff e Johnson (1980), tem tornado-se aparente, principalmente no âmbito da Linguística Cognitiva, a importância do processo metonímico que, assim como a metáfora, passa a ser abordado como fenômeno cognitivo que subjaz nosso pensamento ordinário e, considerado por muitos autores, como mais básico que o processo metafórico. No entanto, apesar desse crescente interesse, quando nos voltamos para a literatura dedicada à produção de sentido, ainda observamos a centralidade ocupada pelo processo metafórico. Como advoga Al-Sharafi (2004), os estudos metonímicos apresentam dois tipos de reducionismos: o teórico, já que sua natureza é reduzida à mera substituição, negligenciando suas dimensões cognitivas e pragmáticas; e o prático, que a reduz ao nível da substituição lexical, negligenciando seu potencial ao nível do texto.

Jakobson (1956, 2003) também advoga que “nada comparável à rica literatura sobre metáfora pode ser citado para a teoria da metonímia” (JAKOBSON, 2003, p.47)12. De acordo com Paiva (2010), essa citação ainda continua verdadeira, mesmo transcorrido meio século. Para Al-Sharafi (2004), os filósofos e retóricos negligenciavam o estudo metonímico porque suas preocupações estavam voltadas ao uso poético da linguagem, e a metáfora era vista como processo primário para o domínio figurativo, pois envolvia simbolismo e unidade de dupla significação.