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– Brukernes rolle og medvirkning på papiret

A ETAL de Vila Ruiva entrou em funcionamento no ano de 1999. A caracterização qualitativa dos lixiviados gerados a partir do ASIVR iniciou>se no ano 2000, tornando>se sistemática a partir do ano 2003, motivada pela publicação do Decreto – Lei n.º 152/2002.

A existência de resultados qualitativos do lixiviado bruto e do efluente final tratado, permitiu realizar um estudo de caracterização de lixiviado durante cinco anos consecutivos, tendo sido identificados os valores máximos, médios e mínimos registados nos parâmetros monitorizados mensalmente à entrada e à saída do sistema de tratamento.

A partir da análise resultante do tratamento estatístico dos dados qualitativos do lixiviado bruto no período entre 2003 a 2008, e da sua comparação com os dados bibliográficos consultados, foi possível classificar o lixiviado afluente à ETAL de Vila Ruiva como estabilizado, nomeadamente pelos valores obtidos de pH, da relação CBO/CQO (0,19) e pela diminuição gradual observada nestes parâmetros. Esta análise permitiu ainda a redefinição dos valores paramétricos do lixiviado a tratar pelo sistema em estudo.

A existência de dados qualitativos do lixiviado tratado permitiu avaliar as eficiências de remoção obtidas pelo sistema de tratamento por lagunagem existente e verificar que os valores paramétricos de CBO5, CQO, SST, N e P registados no efluente final tratado, não estão em conformidade com a licença de descarga, não sendo possível por isso a sua rejeição em meio hídrico.

Foi observado que o lixiviado final tratado não apresenta, em termos médios, características de conformidade com os valores constantes na licença de descarga para os parâmetros CBO5 (75 mg/l), CQO (809 mg/l), SST (73 mg/l), Azoto total (116 mg/l), Azoto amoniacal (63 mg/l) e Sulfatos (3 mg/l), sendo os VLE legalmente estabelecidos respectivamente de 40 mg/l, 150 mg/l, 60 mg/l, 15 mg/l, 10 mg/l e 1 mg/l.

Relativamente aos dados quantitativos do lixiviado afluente à estação de tratamento, estes apenas estão disponíveis, de forma sistemática, desde o ano de 2005, altura em que foi instalado um caudalímetro à entrada da ETAL.

A existência de dados relativos ao volume de lixiviados produzidos no âmbito da exploração do ASIVR permitiu a redefinição do caudal a tratar no âmbito do estudo das soluções de reabilitação da ETAL de Vila Ruiva, bem como avaliar a relação de caudais (lixiviados vs águas de serviço) a tratar pelo sistema.

O estudo realizado ao caudal total afluente à estação, permitiu concluir que cerca de 70% corresponde a lixiviados provenientes do ASIVR e cerca de 30% é referente a águas de serviço (águas sanitárias e de lavagem de instalações e equipamentos).

Assim, a análise histórica realizada entre os anos de 2003 e 2008 permitiu avaliar a evolução das características físico – químicas do lixiviado bruto ao longo do período em análise e consequente definição dos parâmetros de dimensionamento para a reabilitação do sistema de tratamento existente, bem como avaliar as características físico – químicas do lixiviado tratado, verificar a sua conformidade com os VLE definidos para a descarga em linha de água e avaliar o volume total de efluente a tratar pela ETAL, considerando o volume de lixiviados produzidos acrescido do contributo estimado das águas de serviço provenientes das instalações de apoio às actividades do ASIVR.

De forma a compreender o funcionamento de cada um dos órgãos de tratamento que integram o sistema de tratamento da ETAL de Vila Ruiva, e as respectivas eficiências de remoção obtidas, foi concebido e implementado um programa de monitorização entre os meses de Abril a Junho de 2009.

Os resultados obtidos no âmbito desta campanha, permitiram identificar problemas de funcionamento das diferentes lagoas que constituem o sistema.

Relativamente à lagoa anaeróbia, foi observada uma baixa eficiência de remoção média do parâmetro CQO e, contrariamente ao expectável, não se registaram remoções ao nível dos parâmetros CBO5 e SST.

No que respeita à lagoa facultativa, o estudo permitiu constatar baixas eficiências de remoção média dos parâmetros CBO5, CQO e SST, respectivamente de 39%, 10% e 23%.

As lagoas arejadas, apresentaram eficiências de remoção significativas ao nível dos parâmetros CBO5, CQO, Fósforo, Azoto Kjeldahl, Azoto amoniacal e SST, registando valores de, respectivamente, de 83%, 70%, 56%, 80%, 90% e 83%.

Quanto às lagoas de macrófitas, estas não apresentaram remoção dos nutrientes Fósforo e Azoto, contrariamente ao expectável.

Globalmente, a campanha de monitorização e caracterização do sistema de tratamento, permitiu por uma lado confirmar a dificuldade dos sistemas biológicos no tratamento de lixiviados estabilizados e por outro, comparar as eficiências de tratamento actuais com as definidas no âmbito do projecto da ETAL.

De forma a definir as soluções para a reabilitação da ETAL de Vila Ruiva, foram analisados os parâmetros de dimensionamento como o caudal e as características qualitativas do lixiviado a tratar, bem como os resultados obtidos através dos estudos de tratabilidade realizados aos lixiviados produzidos pelo ASIVR.

Através dos estudos de tratabilidade foi possível avaliar a possibilidade de introdução de sequências de processos físico – químicos, tendo em vista a prossecução dos objectivos de qualidade definidos para a descarga do efluente tratado em meio hídrico.

Do cruzamento dos dados resultantes da análise bibliográfica, dos estudos de tratabilidade e dos parâmetros de dimensionamento foi possível propor as seguintes soluções para a reabilitação da ETAL de Vila Ruiva:

> Solução 1: optimização do actual sistema de lagunagem;

> Solução 2: introdução de sequências de processos físico – químicos conjugados com a reabilitação do sistema de lagunagem existente;

> Solução 3: Tratamento combinado de lixiviados com águas residuais urbanas em ETAR municipal;

> Solução 4: Pré – tratamento dos lixiviados afluentes à ETAL através da recirculação para o aterro sanitário seguido da introdução de processos físico – químicos e da reabilitação do sistema de lagunagem existente;

> Solução 5: optimização do actual sistema de lagunagem seguido do processo de adsorção em carvão activo granular em leito fixo.

A opção por uma determinada solução técnica a implementar deverá equacionar as questões associadas com as eficiências obtidas por cada um dos processos, nomeadamente no que diz respeito à sua capacidade de resposta às variações quantitativas e qualitativas características dos lixiviados, as condições de exploração da estação (operação e manutenção), o custo de investimento e a eficácia ambiental obtida pela sua implementação.

Da análise às soluções estudadas no âmbito desta dissertação, as que se afiguram como mais adequadas na prossecução dos objectivos de qualidade legalmente estabelecidos para a descarga em meio hídrico dos lixiviados produzidos pelo ASIVR, são o pré – tratamento do efluente na ETAL existente, seguida da sua descarga em ETAR municipal e, o pré tratamento do lixiviado através da sua recirculação para o aterro sanitário, seguido da introdução de processos físico>químicos e da reabilitação do sistema de lagunagem existente.