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Brukernes erfaringer Samspill mellom bruker og hjelper

A psicanálise evidencia que os pontos de fixação da libido são sempre colocados em torno de momentos estruturais e, como tal, marcados por movimentos de cessão subjetiva. Dentre as características do objeto a, a mais relevante é a de ser um objeto cedível. Esta característica marca todas as formas do objeto a. O ponto mais decisivo na angústia do desmame não é que nesse momento o seio faça falta à necessidade do sujeito, mas, sim, que a criança pequena cede o seio ao qual está ligada, como se fosse parte dela mesma. O seio, durante a amamentação, encontra-se apenas chapado na mãe, para dizer de uma forma figurada. O que Lacan nomeia como cessão do objeto é traduzido pelo aparecimento, na

cadeia de fabricação humana, de objetos cedíveis que podem ser equivalentes aos objetos naturais (Lacan, 1962-63/2005). Lacan faz referência ao objeto transicional, tal como idealizado por Winnicott, para evidenciar essa característica do objeto cedível em que “O sujeito não se desfaz nesse objeto, fortifica-se nele. Fortifica-se com ele em sua função absolutamente original de sujeito em posição de queda, em relação ao confronto significante” (Lacan, 1962-63/2005, p. 341). O objeto a assume a função de suplente do sujeito e precede a esse sujeito mítico, nunca apreendido, que terá que se constituir no confronto significante.

A localização da pele como interface entre a superfície do corpo e o Outro exige destacar a pele como órgão visível, portanto, articulada ao olhar do Outro. A partir da análise dessa relação poderemos ressaltar a presença marcante da pulsão escópica nos casos de pacientes com doenças de pele. Ela entra em jogo, conforme aponta Ulnik (2000), do modo descrito por Freud nos “Três Ensaios”8 (1905) e também no texto sobre a “Perturbação Psicogênica da Visão” (1910), marcando a interrelação entre as funções biológicas e as características eróticas de uma zona do corpo.

É usual dizer que faltou o contato pele a pele ao paciente cuja doença se apresenta na pele. Esse tipo de pensamento tautológico é suspeito. Afinal, esse vício de linguagem, que consiste em dizer por formas diversas sempre a mesma coisa, opera uma acomodação entre uma patologia orgânica e uma interpretação correspondente. De acordo com essa concepção, teria faltado ao paciente dermatológico o contato corporal, localizando assim o órgão comprometido.

Para precisar as considerações feitas acima, farei a seguir um recorte da obra de Lacan, privilegiando o Seminário 10 (1962-63/2005), para destacar a forma do objeto a como olhar. Se Lacan, no texto sobre o estádio do espelho (1949), concebeu i(a) como o que suportava o mundo e os objetos, no Seminário 10 (1962-63/2005) será o objeto a que estabilizará o campo visual e estará implicado na construção do sujeito. É o que Lacan precisará como a extração do objeto. O objeto a delimita a realidade. Não se trata, entretanto, do corpo como totalidade, mas do corpo que sempre tem algo separado devido ao compromisso com o significante, a famosa libra de carne. O corpo é agora um corpo libidinal, e não especular, e aparecem os órgãos. É um corpo informe com zonas erógenas, ou seja, não é limitado, apenas marcado pelas zonas erógenas. Lacan assinala que a forma mais segura de conceber o objeto é como um pedaço de corpo. Trata-se de a concebido como peça faltante. É um recorte corporal de consistência topológica. Assim, Lacan demonstra que na estrutura de linguagem há algo que

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Freud (1970/1905) faz referência à visão como fonte de prazer “como o caminho mais frequente ao longo do qual a excitação libidinosa é despertada” (p.158).

não pode ser reduzido ao significante, que é assimilado grosseiramente ao corpo como vivo. É sob essa espécie de resto que o objeto a emerge, resto da operação subjetiva no que concerne ao Outro. O que é esse resto que nos é entregue pela divisão subjetiva? É um resto de gozo. O gozo se libera da armação significante e se demonstra que são os objetos a que dão corpo ao gozo. O objeto cedível, como pedaço separável, tem como função veicular algo que diz respeito à identidade do corpo, portanto antecede ao próprio corpo quanto à constituição do sujeito (Lacan, 1962-63/2005, p. 341).

No Seminário 10 se desfaz a retroação edípica de “constituição circular” do objeto. O que ali se elabora como objeto a é uma função generalizada, que não é edípica nem tampouco cronológica, mas sim topológica (Miller, 2005, p. 38). O objeto a não é determinado pela interdição, mas pela separação.

Se o que mais existe de mim mesmo está do lado de fora, não tanto porque eu o tenha projetado, mas por ter sido cortado de mim, os caminhos que eu seguir para sua recuperação oferecerão uma variedade inteiramente diferente (Lacan, 1962-63/2005, p. 246).

Dessa forma, no estágio oral, o que presenciamos é uma relação da demanda com o desejo velado da mãe; no estágio anal acontece a entrada em jogo da demanda da mãe; e na castração fálica há o menos-falo (- ), apontando a entrada da negatividade em relação ao desejo, no momento em que acontece o surgimento do desejo sexual como tal no campo do Outro (Lacan, 1962-63/2005). Mas, nessas três etapas, o processo não se detém, uma vez que, em seu limite, deveremos encontrar a estrutura do a como separado. Cada uma de suas formas é soletrada no corpo, como um pedaço de corpo: “O pequeno a não aparece como produto de uma estrutura articulada, mas sim como produto de um corpo despedaçado” (Miller, 2006, p. 32). Esses objetos respondem a uma estrutura de borda, mas, no Seminário 10, essas estruturas são enraizadas no corpo. Não foi à toa que Lacan nos falou de um espelho, não o do estádio do espelho, da experiência narcísica, da imagem do corpo em sua totalidade, mas o espelho como campo do Outro em que deve aparecer pela primeira vez, se não o a, pelo menos seu lugar – em suma, a mola radical que faz passar do nível da castração para a miragem do objeto do desejo.

Laia (2007) chama nossa atenção para o fato de que o registro do objeto a na natureza não é puramente natural, por implicar uma lógica, e não é puramente formal ou abstrato, por se tratar de um objeto que é um resto que cai do corpo. Daí a importância de evidenciarmos o que é essa “lógica encarnada” própria ao objeto a. Os objetos da pulsão “são ‘semblantes’ contra os quais o neurótico procura se defender desse outro tipo de substância – o gozo – que

se imiscui nas partes de seu corpo destacáveis como ‘zonas erógenas’”(inédito). Uma vez que Lacan consegue esvaziar o objeto a de substância, também poderá se distanciar da concepção da genitalidade como amarração e mesmo unificação da variedade do parcial. Seu esvaziamento do que lhe daria uma substância não impede sua contaminação por esse outro tipo de substância que Lacan chamou de gozo. Nesse viés, os modos como o objeto a se destaca não apenas do corpo, mas também no corpo são o que permite decompô-lo em suas cinco formas: seio, fezes, falo, voz e olhar. Assim, na orientação lacaniana, o que dá unicidade às parcialidades características do objeto a não é a genitalidade, mas o tratamento lógico com que, inclusive para além do sentido sexual, Lacan nos ensinou a buscar sua localização no que cai dos corpos. Graças a essa “lógica encarnada” podemos sustentar que o

objeto a, na variedade de suas dimensões corporais, é sempre um único e mesmo objeto,

porque guarda a forma de um furo que, no corpo, aparece nos orifícios onde o gozo se aloja (Laia, 2007, p. 3 e 4).