• No results found

Del I Innledende del

2.7 Bruk av stikkordet

No presente estudo recorreu-se ao método de análise da matriz narrativa proposto por Gonçalves e colaboradores (2000). Este método avalia as três dimensões centrais da matriz narrativa e é composto por três instrumentos de avaliação:

• Manual de Avaliação da Estrutura e Coerência Narrativa (Gonçalves, Henriques & Cardoso, 2001);

• Manual de Avaliação do Processo e Complexidade Narrativa (Gonçalves, Henriques, Alves & Rocha, 2001);

• Manual de Avaliação do Conteúdo e Multiplicidade Narrativa (Gonçalves, Henriques, Soares & Monteiro, 2001).

Os três manuais foram concebidos para a avaliação das diferentes dimensões, respectivamente a coerência, multiplicidade e complexidade, das narrativas desenvolvidas no contexto discursivo oral da psicoterapia (Gonçalves, 2000; Gonçalves, Henriques & Cardoso, 2001; Gonçalves, Henriques, Alves & Rocha, 2001 e Gonçalves, Henriques, Soares & Monteiro, 2001). Tratam-se de instrumentos cuja utilização requer formação específica de juízes com uma duração aproximada de 60 horas para cada um.

Segundo este método, a análise narrativa focaliza a sua atenção na trama discursiva, explorando as características da própria narrativa. Embora cada manual avalie uma dimensão específica da matriz narrativa, a estrutura global dos três instrumentos é similar, seguindo-se o mesmo processo de análise. Cada instrumento é constituído por quatro índices, existindo um score para cada índice e um score global ûa dimensão narrativa em causa. A codificação de cada índice é processada através de uma análise de conteúdo, terminando a sua avaliação na determinação quantitativa do grau de presença de cada sub-dimensão através de uma escala Likert de cinco pontos (1 - muito pouco; 2 - pouco; 3 - moderado; 4 - elevado e 5 - muito elevado).

Distinguem-se, pois, três etapas distintas no método de análise e cotação da matriz narrativa, a qual implica uma sucessão de 6 leituras do mesmo texto:

Primeira leitura: pretende-se através da leitura integral do texto, ter um primeiro contacto com o discurso do sujeito. Obtém-se aqui uma visão macroscópica e gestáltica da trama narrativa;

Segunda leitura: determinação da existência de narrativa, sendo o critério mínimo a presença de pelo menos uma união temporal na sequência dos elementos discursivos;

Restantes leituras: identificação no texto dos elementos referentes a cada um dos índices e respectiva cotação do grau de presença de cada um na narrativa em análise.

A validade e fiabilidade destes instrumentos foram analisadas num estudo realizado por Gonçalves, Henriques, Alves e Rocha (2002) com uma população de pacientes agorafóbicos, encontrando-se actualmente a ser utilizados noutras investigações na área das narrativas.

De seguida são apresentados cada um dos manuais e respectivos índices que os constituem.

• MANUAL DE AVALIAÇÃO DA ESTRUTURA E COERÊNCIA NARRATIVA

Desenvolvido por Gonçalves, Henriques e Cardoso (2001), este manual avalia o grau de coerência da narrativa, o qual se distribui por quatro aspectos interrelacionados da organização narrativa: orientação, sequência estrutural, comprometimento avaliativo e integração. É o grau de presença destes índices que confere à narrativa uma estrutura coerente, lógica e com sentido.

A orientação diz respeito aos elementos da narrativa que enquadram um determinado acontecimento em relação às personagens envolvidas, ao contexto social e pessoal onde decorre a acção assim como ao espaço físico e à dimensão temporal. Uma narrativa com elevado grau de orientação é uma narrativa que contextualiza o interlocutor nestes diferentes elementos, tornando- se mais compreensível e clara. Pelo contrário, uma narrativa pobre em orientação é uma narrativa que isola ou omite aspectos contextualizadores, transmitindo uma sensação de desenquadramento narrativo e desenraizamento do acontecimento.

A sequência estrutural'refere-se à estrutura sequencial e temporal dos acontecimentos daquilo que é narrado. Permite apreender o que aconteceu através da contextualização do acontecimento inicial, da resposta interna a esse acontecimento, à acção desencadeada e respectivas consequências. Uma narrativa com uma boa sequência estrutural é uma narrativa em que se encontram presentes todos estes elementos, ordenados e organizados de forma sequencial ou

temporal. Em contraste, uma fraca sequência estrutural caracteriza-se pela ausência de sequencialidade e temporalidade na forma como estes elementos se estruturam no discurso, existindo constantes avanços e recuos que dificultam a compreensão da lógica e sequência dos acontecimentos descritos.

O comprometimento avaliativo remete para aspectos relacionados com o impacto do narrador a relatar a sua história, medindo o grau de envolvimento emocional do sujeito com a sua própria narrativa. Um elevado nível de comprometimento avaliativo permite-nos apreender a importância e/ou o significado que o episódio narrado tem para o narrador enquanto que uma narrativa pobre neste índice carece de uma ligação emocional entre o narrador e o que é por si narrado.

Por fim, a integração avalia o grau em que a narrativa se apresenta de um modo integrado. Apelando para uma visão gestáltica da narrativa, analisa a forma como as incoerências e ambiguidades são resolvidas a favor de um sentido comum. Assumindo-se como um fio condutor, reflecte a coerência, verosimilhança e congruência emocional do narrador com o acontecimento narrado. Uma narrativa bem integrada é aquela em que os diversos elementos se articulam e se conciliam entre si para fazer um sentido comum. A ausência de um fio condutor, a não resolução das contradições e ambiguidades constituem indícios de uma narrativa pobre em integração.

• MANUAL DE AVALIAÇÃO DO PROCESSO E COMPLEXIDADE NARRATIVA

Este instrumento foi desenvolvido por Gonçalves, Henriques, Alves e Rocha (2001). Avalia a complexidade narrativa, a qual diz respeito ao grau de elaboração do processo narrativo através da diversidade e riqueza dos modos narrativos expressos pelo sujeito. Os quatro processos narrativos centrais são: a objectivação, a subjectivação emocional, a subjectivação cognitiva e a metaforização.

A objectivação é a dimensão que avalia em que medida o narrador, na descrição do acontecimento, recorre à sua sensorialidade, fornecendo elementos ao nível da visão, audição, olfacto, paladar e sensações físicas. Ela consiste na "exploração da multiplicidade do mundo sensorial na construção da experiência de cada um" (Gonçalves, Henriques, Alves & Rocha, 2001, p. 5). Uma narrativa com elevado nível de objectivação é uma narrativa em que o acontecimento é ricamente descrito em termos sensoriais, permitindo enquadrar o interlocutor no mundo sensorial do sujeito, o que não acontece numa narrativa pobre neste índice.

A subjectivação emocional coloca a ênfase na descrição de estados emocionais associados ao acontecimento narrado, valorizando não apenas a sua quantidade mas também a sua diversidade. Narrativas que pontuam de forma elevada neste índice são narrativas ricas na descrição dos estados emocionais do narrador, sendo que a riqueza é dada pela quantidade e diversidade de estados afectivos captados. Uma narrativa que se caracteriza pela pobreza emocional, onde se

repete apenas uma ou outra emoção associada ao episódio tende a ser pontuada com baixa subjectivação emocional.

A subjectivação cognitiva, por seu lado, refere-se à complexidade e variedade de aspectos cognitivos como ideias, cognições, pensamentos ou planos experienciados pelo sujeito no acontecimento em causa. Similarmente ao que ocorre no índice anterior, uma narrativa em que o interlocutor consegue apreender a diversidade de pensamentos do narrador experienciados no episódio em causa é considerada uma narrativa com alto nível de subjectivação emocional ao passo que a pobreza de aspectos cognitivos é sinónimo de um baixo nível deste índice.

A metaforização surge como um condensador de significado. Ela avalia a atitude reflexiva desenvolvida pelo narrador para construir múltiplos significados para as suas experiências. A reflexão elaborada e pessoal enriquece a narrativa enquanto que a ausência de significados construídos pelo sujeito para a vivência em causa é indicadora de um baixo nível de metaforização neste índice.

Em síntese, este manual pretende captar a diversidade de experiência sensorial, a complexidade dos estados emocionais e cognitivos assim como a multiplicidade de significados revelados pelo sujeito.

• MANUAL DE AVALIAÇÃO DO CONTEÚDO E MULTIPLICIDADE NARRATIVA

Concebido por Gonçalves, Henriques, Soares e Monteiro (2001), o objectivo deste manual consiste na avaliação do grau de multiplicidade e diversidade dos conteúdos narrativos expressos pelo sujeito. No conteúdo narrativo foram identificados quatro elementos organizadores centrais: as temáticas, os acontecimentos, os cenários e as personagens.

O índice da multiplicidade de temas procura avaliar a diversidade de assuntos presentes no discurso do sujeito. Uma narrativa com múltiplos temas é uma narrativa que obtém uma pontuação elevada neste parâmetro enquanto que uma narrativa que se caracteriza pela redundância temática é uma narrativa pobre neste índice.

A multiplicidade de acontecimentos visa identificar em que medida o sujeito é capaz de narrar vários acontecimentos integrados na mesma narrativa. Assim, uma narrativa com elevado grau de multiplicidade de acontecimentos é uma narrativa que inclui uma diversidade de acontecimentos e onde as personagens envolvidas evoluem no decurso da trama narrativa. Em contraste, uma narrativa que se resume a um só acontecimento narrativo reflecte a pobreza neste índice.

O parâmetro da multiplicidade de cenários é fornecido pelas constantes mudanças de contexto físico em que decorre os acontecimentos. Quanto maior a diversidade de cenários relatados pelo narrador no decurso da trama narrativa, tanto mais rica é a narrativa neste índice.

A multiplicidade de personagens reflecte a capacidade do sujeito para se descentrar dos conteúdos, conseguindo apresentar diversas personagens como protagonistas da história descrita. A diversidade de intervenientes no acontecimento aponta para pontuações elevadas neste parâmetro enquanto que a referência a uma só personagem é indício de fraca diversidade narrativa.

2.3. PROCEDIMENTOS

RELATERTE DOKUMENTER