2. Bakgrunn
2.2. Bruk av smertestillende i et folkehelseperspektiv
Conforme discussões iniciadas em capítulos anteriores, por meio de autores vinculados à Economia do Desenvolvimento, a investigação histórica é um ferramental necessário não apenas para entender como as condições vigentes se formaram, mas inclusive para poder vislumbrar soluções, caminhos e estratégias para escapar da armadilha do subdesenvolvimento. Como pioneiro do desenvolvimento econômico, e como estudioso da formação econômica e social brasileira, Celso Furtado recorreu largamente ao método de pesquisa histórico e, em diversos momentos de sua obra, desenvolveu argumentos metodológicos justificando a sua importância analítica. 178
Sinteticamente, os intuitos dessa seção são: demarcar a relevância e importância da história e de seu método no campo das ciências sociais, especialmente com relação ao tema que permeia essa tese, a emergência e perpetuação do subdesenvolvimento; e ressaltar o paralelo existente entre a relevância concedida ao método histórico de investigação e a
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hipótese de heterogeneidade de agentes da qual parte a Abordagem da Complexidade. Essa seção compõe, dessa forma, um pano de fundo - e inclusive uma justificativa - para a discussão de um caso específico de subdesenvolvimento, o brasileiro, sob a ótica de uma abordagem que busca tratar analiticamente das especificidades condicionais e da heterogeneidade que delas emergem.
Bourdieu (1986) argumenta que o relato - ou o ato de contar histórias - ordena acontecimentos que, mesmo não tendo se desenrolado de maneira cronologicamente linear, tendem, ou pretendem organizar-se, em sequências ordenadas. Dito de outro modo, o fato, ou momento histórico, pode ser o mesmo, mas há diversas maneiras possíveis de organizar e discutir teórica e cronologicamente os elementos necessários à sua compreensão. Seria justamente no contexto de ampliação do escopo investigativo que emergiria a importância da investigação histórica e, consequentemente, do papel do historiador: a busca por tentar destrinchar a riqueza de fatores que circundam o evolver histórico, alargando potencialmente o seu horizonte de compreensão.
Uma ciência social aplicada como a Economia, se divorciada da pesquisa histórica, perde grande parte de seu sentido, não apenas enquanto teoria, mas inclusive como prática. Há diversos meios de justificar a importância da História, relacionados ao incremento da compreensão global do objeto sob análise, na medida em que permite a elucidação e ponderação de elementos e fatos importantes, processo que vem a depender também da perspectiva que se adota, bem como da finalidade pretendida. Especialmente com relação ao objetivo de discutir as condições de emergência e superação do subdesenvolvimento, vale retomar que, tal como discutido no capítulo 2, sendo as economias nacionais sistemas complexos adaptativos repletos de idiossincrasias, a não consideração, em alguma medida, de suas particularidades, que compõem e que se formaram a partir de sua trajetória histórica, delimitaria indevidamente o horizonte de compreensão dos fatos relativos ao subdesenvolvimento de determinadas nações.
O evolver histórico é demonstrativo da importância da consideração da dependência de trajetória, e de que a sociedade e a economia são resultado de processos cumulativos e dependentes de contextos particulares, o que remete, por sua vez, à relevância analítica das especificidades do objeto sob investigação. O passado, enquanto fonte informativa, pode ter usos distintos: a organização das informações que disponibiliza pode ser realizada de diferentes maneiras, condicionadas pela perspectiva e interesses de quem investiga. Como reflexo, se apresenta a potencialidade e riqueza do ato de contar as histórias, das quais decorre, por conseguinte, a fecundidade do trabalho de investigação do historiador. Essa
perspectiva contrapõe-se diretamente a uma perspectiva determinista - ou de que um fato leva necessariamente a outro - e desprovida de contexto - ou que ignore as especificidades de seu objeto de investigação. Como bem argumenta Cepêda (2008):
Interpretar historicamente é caminhar entre “o passado e o futuro”, mas os caminhos que o pensamento pode trilhar nesse percurso não são únicos. Variam tanto na definição do elenco de problemas detectados como fundamentais, no método de interpretação, quanto no desenho dos objetivos que se procura alcançar (e que, de maneira vigorosa, dirige grande parte das escolhas anteriores). Desta maneira torna-se fundamental observar tanto as peculiaridades endógenas de uma obra quanto seus nexos com o tempo histórico em que foi produzida. (CEPÊDA, 2008, p. 45).
Como aventado acima, a investigação histórica seria fundamental para a discussão do desenvolvimento econômico e, ainda mais especialmente, para o contexto do subdesenvolvimento, como é o caso do Brasil - temática subjacente à parte da literatura de história econômica, e central à obra de Celso Furtado. Importante destacar desde já que o método analítico do qual se vale Celso Furtado sintetiza, em larga medida, não apenas a investigação histórica, mas o faz em diversos níveis de análise. Embora esse seja objeto de discussão da próxima subseção, vale adiantar que Furtado busca não restringir sua perspectiva nem a um nível micro-analítico, nem a um nível macro-analítico: a tensão permanente entre a micro e macro percorre as suas elucubrações teóricas. A consideração dessa tensão permanente entre os diversos níveis de investigação, na forma de retroalimentações e influências mútuas, é uma das hipóteses fundamentadoras da Abordagem da Complexidade, assim como a consideração da heterogeneidade.
Essa observação da tensão permanente entre a micro e a macro, entre o interno e o externo, é importante na medida em que, partindo do conceito de centro-periferia e, portanto, da heterogeneidade das nações que compõem o sistema político-econômico mundial, destacadamente com relação às diferenças relativas às influências diversas que promovem ou recebem, a interação dinâmica entre fatores micros e fatores macro - ou entre fatores internos e fatores externos - não deve ser negligenciada. E, no caso da periferia, que mais recebe influência do que promove, a desconsideração do contexto macro ou externo mais amplo em que está inserida pode conduzir à insuficiência explicativa. Por outro lado, conceder primazia somente aos fatores externos, pode incorrer em semelhante insuficiência, na medida em que, em se tratando de sistemas nacionais constituídos, possuem dinâmica interna própria, que não pode ser ignorada. O trecho selecionado de Cepêda - de texto que faz referência à obra de Celso Furtado - sintetiza bem essa questão: “[...] o problema do subdesenvolvimento é consequência da herança colonial e, como esta, é explicada em primeiro lugar como o resultado da oposição entre interno versus externo [...]” (Ibid., p. 52).
fenômenos complexos, por isso requereriam um aporte teórico-metodológico adequado que permitisse lidar, em alguma medida, com a riqueza de elementos e propriedades que lhe envolvem. Ressalte-se aqui que um tratamento considerado adequado da pesquisa de História Econômica deveria buscar contemplar uma abordagem que integrasse analiticamente elementos relacionados tanto à esfera microeconômica, quanto à macroeconômica. Vale enfatizar que a definição de micro ou macroeconômico não deve ser tratada como estanque; deve ser dependente do objeto que se pretende investigar - ou da pergunta que se pretende responder -, bem como do escopo teórico de investigação.
Em determinados contextos, é possível fazer uma assimilação direta entre fatores microeconômicos e fatores internos, e entre fatores macroeconômicos e fatores externos. Essa assimilação é aqui realizada por conta da função desempenhada pelo Brasil na divisão internacional do trabalho, algo importante para compreender a fonte principal de impulsos dinâmicos, assim como os seus efeitos em termos de desenvolvimento. Desse modo, na direção da construção de um tratamento teórico da História Econômica compatível com a Abordagem da Complexidade, seria necessária a consideração da causalidade bidirecional dos fatores externos e dos fatores internos - macro e microeconômicos - e do próprio caráter cumulativo do evolver histórico.
Uma justificativa central do por que a História é essencial para a pesquisa econômica é a de que, por meio da investigação histórica, é possível caminhar na direção de desvendar a riqueza de elementos, fatos, contextos e circunstâncias que envolvem tanto, de um ponto de vista mais abstrato, o evolver das ideias e métodos de pesquisa científicos,179 quanto, de um ponto de vista mais prático - e de especial interesse à discussão do tema desenvolvimento econômico -, da trajetória socioeconômica das nações, possibilitando, consequentemente, abrir caminhos para a compreensão e solução de seus problemas. Todas as nações passaram por um longo e peculiar processo de evolução e, por isso, cada uma delas representa um sistema adaptativo complexo próprio. Por conseguinte, o desenvolvimento econômico não pode ser derivado naturalmente de um rol de políticas padrão que desconsidere a heterogeneidade das nações e a especificidade do processo de formação de cada uma delas.
A seguir, desenrola-se uma breve discussão a respeito da evolução da perspectiva analítica da historiografia econômica brasileira, na qual estaria inserida de forma
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Embora essa discussão mais abstrata não seja o foco do presente trabalho, vale destacar que as visões ou crenças do cientista sobre o que é ciência influenciam diretamente a maneira pela qual o mesmo interpreta a história da ciência. Idealmente, abordar o evolver científico sob a perspectiva do historiador implica nem encarar a ciência como imune a outras influências, nem como totalmente determinada por fatores externos (GOODWIN, 1998). Há uma relação complexa e adaptativa latente entre o desenvolvimento da ciência e os aspectos sociológicos, institucionais, culturais e conjunturais.
idiossincrática a contribuição de Celso Furtado. O foco de discussão refere-se às mudanças observadas com relação ao grau de consideração concedido à importância explicativa dos fatores internos e externos para compreender a dinâmica da formação econômica e social brasileira.